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África

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Como começou a epidemia de ebola na África, que se tornou emergência de saúde pública internacional?

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou no domingo (17) a epidemia de ebola no Congo como uma emergência de saúde pública internacional. A RFI reconstituiu o início do surto, em Bunia. Nesta segunda-feira (18), um laboratório confirmou um primeiro caso na cidade de Goma.

18 mai 2026 - 09h12
(atualizado às 09h36)
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Patient Ligodi, da RFI em Paris

"Um caso positivo em Goma foi confirmado por testes realizados em laboratório. Trata-se da esposa de um homem morto pelo vírus ebola em Bunia, que foi para Goma, já estando contaminada", declarou o professor Jean-Jacques Muyembe, diretor do Instituto de Pesquisas Biomédicas (INRB, sigla em francês), em Kinshasa. 

Em comunicado, a OMS informou que 80 mortes estariam ligadas à epidemia de ebola que atinge a província de Ituri. Oito casos confirmados e 246 casos suspeitos também foram relatados. Não há vacina ou tratamento para a variante Bundibugyo, ao contrário do vírus ebola-Zaire, responsável pelas ondas epidêmicas anteriores no país. 

A declaração de emergência global obriga os 194 países da OMS a reforçar a vigilância e a preparação. O Africa CDC prepara uma resposta continental. Líderes africanos foram consultados e 130 parceiros se reuniram em Genebra. 

O paciente na origem do surto seria um comerciante que morreu da doença e fazia viagens entre Goma e Bunia, na província de Ituri. Sua mulher trouxe o corpo de volta para Goma, na fronteira com Ruanda, e poucos dias depois também desenvolveu sintomas. Os testes realizados no laboratório do INRB foram positivos para a cepa Bundibugyo. 

Em 24 de abril, um enfermeiro apresentou sintomas em Bunia: febre, vômitos e mal-estar intenso, segundo os primeiros relatórios consultados pela RFI. Ele morreu em 27 de abril. As autoridades sanitárias não foram alertadas. 

O corpo do enfermeiro foi transportado para a zona de saúde de Mongwalu, cidade mineradora a 80 quilômetros de Bunia. Durante o funeral, os participantes foram expostos ao vírus e, em uma única família de Mongwalu, 15 pessoas morreram. Cinco delas haviam ido a Bunia para uma reunião familiar, voltaram doentes e morreram em duas semanas, com os mesmos sintomas. 

Durante todo o mês de abril, o vírus se espalhou silenciosamente, com quatro semanas de transmissão não controlada antes do primeiro alerta oficial. Os 246 casos suspeitos e as 87 mortes declaradas são números provisórios. A realidade pode ser muito mais ampla, diz Jean-Jacques Muyembe. 

Em 5 de maio, um alerta explodiu nas redes sociais. Testes foram realizados em Bunia com máquinas GeneXpert disponíveis no local, e o resultado foi negativo para a cepa Zaire. 

Mas, segundo uma fonte interna do INRB ouvida pela RFI, esses primeiros resultados negativos se explicam por um problema técnico: as amostras enviadas de Ituri eram de má qualidade e impossibilitavam uma análise correta. 

O INRB recomendou então uma mudança de protocolo, que consistiam em enviar diretamente o sangue total, sem manipulação local. Em 14 de maio, 13 amostras de qualidade aceitável chegaram a Kinshasa. As equipes trabalharam durante toda a noite e, na manhã de 15 de maio, todas foram positivas. Trata-se da cepa Bundibugyo do ebola. 

Variante raro

É apenas a terceira epidemia desse variante na história. A primeira ocorreu em Uganda, em 2007, e a segunda em Isiro, na RDC, em 2012. "Ainda temos muito a descobrir. Conhecemos o ebola, sabemos como a epidemia evolui, mas, em termos de letalidade e tratamento, é uma cepa para a qual não há tratamento aprovado. Também não há vacina, que foi uma ferramenta essencial nas últimas epidemias", diz Florent Uzzeni, da MSF-Suíça. 

Muyembe explica que, das 17 epidemias na RDC desde 1976, 15 foram causadas pela cepa Zaire e apenas duas pela Bundibugyo. As ferramentas desenvolvidas — vacinas e tratamentos — foram concebidas contra a cepa Zaire.

Mesmo assim, ele pede calma. A RDC já enfrentou epidemias sem vacina ou tratamento, apenas com medidas de saúde pública. Interromper a cadeia de transmissão basta para conter o vírus. "Levará tempo, mas vamos vencer", afirma. 

Falhas na prevenção

A OMS aponta falhas críticas nos protocolos de prevenção e controle de infecções. "Falta de tudo. Poucos medicamentos, pouco isolamento para os pacientes, equipamentos insuficientes. Devemos agradecer a todos os trabalhadores dos hospitais e aos colegas da MSF, que, mesmo sem experiência com Ebola, fazem o máximo para conter a epidemia", diz Uzzeni. 

A MSF atua em Mongwalu, Bunia e nos campos de refugiados de Fataki. Bunia já registra dez casos confirmados. Uzzeni destaca que os corpos de vítimas de Ebola permanecem contagiosos por vários dias. Enterros seguros são possíveis, mas exigem equipes especializadas. Sem essas medidas, os corpos tornam-se um importante foco de contágio — como ocorreu desde o início da epidemia. 

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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