EUA e Nigéria confirmam morte de líder do Estado Islâmico em operação conjunta
O presidente da Nigéria, Bola Tinubu, e o Exército do país confirmaram, neste sábado (16), a morte de um líder do Estado Islâmico em uma operação realizada com apoio dos Estados Unidos. Donald Trump anunciou, na sexta-feira, em sua rede social Truth, que "o terrorista mais ativo do mundo" havia sido executado. Esta é a segunda vez, em cinco meses, que o presidente americano realiza uma intervenção militar na Nigéria, onde denuncia perseguições a cristãos.
A operação teve como alvo Abu-Bilal al-Minuki, descrito pelo presidente dos EUA como o segundo líder do Estado Islâmico (ISIS) no mundo. "Esta noite, sob minhas ordens, as bravas forças americanas e as forças armadas nigerianas executaram com perfeição uma missão meticulosamente planejada e altamente complexa para eliminar o terrorista mais ativo do mundo no campo de batalha", declarou Donald Trump em sua rede social Truth.
"Ele não aterrorizará mais a população africana nem contribuirá para o planejamento de operações contra americanos", acrescentou. Segundo Trump, a morte do jihadista provocou uma redução "significativa" nas capacidades operacionais do ISIS.
Abu-Bilal al-Minuki havia sido alvo de sanções dos Estados Unidos em 2023 por seus vínculos com o grupo. Washington afirmou, na época, que ele, também conhecido como Abu Bakr al-Minuki, nasceu em 1982 e era natural do estado de Borno, no nordeste da Nigéria, região fortemente exposta à ameaça jihadista. Ele era o principal responsável pela divisão do Estado Islâmico na região do Lago Chade.
Um relatório do Conselho de Segurança da ONU, publicado em fevereiro, indicou que Abu-Bilal al-Minuki pode ter se tornado comandante provincial do Estado Islâmico após a morte de Abu Khadija, em março de 2025, no Iraque.
"Ele pensou que poderia se esconder na África, mas Abu-Bilal al-Minuki não sabia que tínhamos fontes que nos mantinham informados sobre tudo o que ele estava fazendo", declarou o presidente dos Estados Unidos.
Perseguição de cristãos
Com o aumento de ataques mortais e sequestros em massa nos últimos meses, Trump afirma que cristãos na Nigéria estão sendo "perseguidos" e são vítimas de "genocídio" cometido por "terroristas". A alegação, no entanto, é rejeitada por Abuja e pela maioria dos especialistas, que afirmam que a violência no país atinge cristãos e muçulmanos de forma indiscriminada.
As forças armadas dos EUA, em coordenação com as autoridades nigerianas, realizaram ataques aéreos em 25 de dezembro, no estado de Sokoto (noroeste), visando, segundo Washington, jihadistas ligados ao Estado Islâmico. O Pentágono também ampliou o compartilhamento de inteligência, acelerou a venda de armas e enviou 200 soldados para treinar as forças nigerianas.
Grupos jihadistas afiliados ao Estado Islâmico atuam no vizinho Níger, bem como em Burkina Faso e Mali, onde mantêm uma sangrenta insurgência contra os governos locais. Desde seu enfraquecimento no Iraque e na Síria, em 2017, a organização transferiu grande parte de suas atividades para o continente africano.
Acredita-se que seu líder, Abdul Qadir Mumin, originário da Somália, esteja escondido na região montanhosa de Puntland, que se tornou um centro de financiamento das operações do Estado Islâmico. Essa é também a área onde os Estados Unidos realizaram uma série de ataques aéreos em 2025.
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