Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Abkházia avança em projeto de construir bases de uma nação

31 jul 2011 - 08h58
(atualizado às 09h03)
Compartilhar
Solly Boussidan
Direto de Sukhumi

A Abkházia é um minúsculo território, com pouco mais de 8 mil km² (o mesmo tamanho da região metropolitana de São Paulo), espremido ao sul da Rússia, entre as montanhas do Cáucaso e o Mar Negro, é a causa de um dos mais sangrentos conflitos ainda sem resolução dos últimos 20 anos.

Abkházia tem uma das maiores proporções de gêmeos do planeta
Abkházia tem uma das maiores proporções de gêmeos do planeta
Foto: Solly Boussidan / Especial para Terra

O território passou por diversos momentos de independência e autonomia ao longo dos últimos dois mil anos, mas foi também incorporado ao Império Russo e à Geórgia em outros momentos. Durante os anos da União Soviética (URSS), a Abkházia era uma República Autônoma da Geórgia (o que equivale a uma província ou estado).

Os abkházios, no entanto, sempre se consideraram mais próximos dos russos que dos georgianos. Os anos de convívio forçado estremeceram ainda mais as relações - os abkházios se consideravam cidadãos de segunda classe frente aos georgianos, sendo impedidos de estudar sua língua nativa e enfrentando restrições para avançar nos postos de trabalho -, além de ver um grande número de georgianos adquirindo imóveis e relocando-se para seu território graças a generosas políticas de "urbanização" do governo da Geórgia.

Com a desintegração da URSS, os abkházios travaram entre 1992 e 1993 uma sangrenta guerra de independência e se recusaram a formar uma federação com a Geórgia. O resultado: massacres e limpezas étnicas, cometidos dos dois lados, que deixaram mais de 8 mil mortos oficiais, cerca de 250 mil refugiados e um território esparsamente povoado e empobrecido.

A tensão levou a novos embates em 1998, que terminaram graças a um cessar-fogo patrocinado pela Rússia e pela Comunidade de Estados Independentes (CEI). A situação perdurou por dez anos sem enfrentamentos formais, com a Abkházia sendo reconhecida mundialmente como parte integrante da Geórgia.

Uma nova guerra em 2008, desta vez em pela disputa por um outro território georgiano, a Ossétia do Sul - que se declarou independente e afrontou os interesses russos no Cáucaso -, foi o pivô da declaração unilateral de independência da Abkházia, o término do cessar-fogo de 1998 e, finalmente, o reconhecimento do território como país por cinco outros estados: Rússia, Venezuela, Nicarágua, Nauru e Vanuatu. A ONU e os demais países do mundo continuam considerando a Abkházia como parte integral da Geórgia.

Com uma população etnicamente diferente dos georgianos e ligada aos povos do Cáucaso russo, os abkházios dependem atualmente da Rússia para sua sobrevivência - o único acesso ao exterior é via Rússia -, já que não há aeroportos no território. Como os passaportes abkházios não são reconhecidos no resto do mundo, a Rússia emite o documento para os cidadãos locais, a moeda corrente é o rublo russo e o território usa o mesmo prefixo telefônico internacional do poderoso e gigantesco vizinho.

Ainda assim, os abkházios mantêm vivas língua, tradições, culinária e hábitos únicos. O povo é hospitaleiro e acostumado a lidar com estrangeiros - fruto dos anos da URSS, quando a Abkházia era considerada a riviera do Cáucaso. Paisagens montanhosas, belas praias com clima e vegetação subtropicais são os exóticos atrativos do território. Os prédios grandiosos das décadas de 60 e 70, praticamente abandonados, dão mostra do passado dourado do local. A sensação de se caminhar pelas ruas da Abkházia é de se ter voltado meio século ao passado. Os grandes bulevares com palmeiras estão quase sempre desertos - resultado ainda do grande número de pessoas que fugiu do território durante as guerras.

As marcas dos tempos de glória e do abandono também convivem com fachadas marcadas por balas e bombas, que a população, amplamente secular, mas dividida entre cristãos ortodoxos e muçulmanos, parece simplesmente ignorar em sua tarefa cotidiana de construir um país.

Fonte: Especial para Terra
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra