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Irã: ONGs denunciam repressão dos protestos, aumento do número de mortos e sobrecarga de hospitais

Mais de 190 manifestantes já morreram nos maiores protestos contra o governo no Irã em três anos, informou a ONG Iran Human Rights neste domingo (11). Diante do agravamento da crise, organizações de direitos humanos estão denunciando a repressão violenta das manifestações e, por consequência, a sobrecarga dos hospitais locais.

11 jan 2026 - 16h54
(atualizado às 17h06)
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Os protestos no país começaram há duas semanas. Inicialmente motivados pelo aumento do custo de vida, evoluíram para um movimento contra o regime teocrático que governa o Irã desde a revolução de 1979.

Essas manifestações representam um dos maiores desafios ao governo do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, após a guerra de 12 dias de Israel contra a República Islâmica em junho, apoiada pelos Estados Unidos.

Diante dos recentes atos de protesto, os EUA se declararam "prontos para ajudar" a população iraniana. Em Jerusalém, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse: "Todos nós esperamos que a nação persa seja em breve libertada do jugo da tirania".

Em caso de um ataque norte-americano, "tanto o território ocupado quanto as instalações militares e navais dos Estados Unidos serão alvos legítimos", alertou o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, segundo a televisão estatal, IRIB.

Em entrevista transmitida neste domingo pela emissora, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que "o povo não deve permitir que vândalos perturbem a sociedade". Estas são suas primeiras declarações desde que os protestos contra o governo se intensificaram nos últimos três dias.

Apesar disso, a mobilização continua. Vídeos publicados nas redes sociais mostram multidões nas ruas durante novos protestos em diversas cidades, incluindo a capital, Teerã, e Mashhad, no leste.

As imagens vazaram apesar do bloqueio total da internet no país, que dificultou a comunicação com a comunidade internacional por meio de aplicativos de mensagens ou mesmo linhas telefônicas.

Hospitais sobrecarregados

O bloqueio da internet "já ultrapassou 60 horas (...) A medida de censura representa uma ameaça direta à segurança e ao bem-estar dos iranianos", afirmou neste domingo a Netblocks, uma organização de vigilância da segurança cibernética e da governança da internet.

A ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, estimou neste domingo ter "confirmado a morte de pelo menos 192 manifestantes" desde o início dos protestos. A organização não descarta a possibilidade de o número ser muito maior, pois o corte da internet impede a verificação.

O Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI), com sede nos Estados Unidos, afirma ter recebido "relatos de testemunhas oculares e informações confiáveis que indicam que centenas de manifestantes morreram no país durante o atual bloqueio da internet".

"Um massacre está acontecendo no Irã. O mundo precisa agir agora para evitar mais perdas de vidas", alertou. O CHRI acrescentou que os hospitais estão "sobrecarregados", os estoques de sangue estão se esgotando e muitos manifestantes foram baleados nos olhos.

ONU pede 'moderação' no uso da força

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou estar "chocado com os relatos de violência" contra manifestantes no Irã, e pediu às autoridades que "exerçam uma maior moderação" no uso da força.

"Todos os iranianos devem poder expressar suas queixas pacificamente e sem medo. Os direitos à liberdade de expressão, associação e reunião pacífica, consagrados no direito internacional, devem ser plenamente respeitados e protegidos", afirmou ele por meio de um comunicado divulgado por seu porta-voz.

Guterres também pediu às autoridades que "tomem medidas para garantir o acesso à informação no país, inclusive restabelecendo as comunicações".

Protestos pelo mundo

À medida que a mobilização no Irã aumenta, a comunidade internacional corresponde em apoio aos manifestantes. Neste domingo, atos foram registrados em Paris,na França, em Londres, na Inglaterra, e em Istambul, na Turquia.

Na capital inglesa, a manifestação se concentrou inicialmente em frente à embaixada iraniana, mas depois se dirigiu à residência oficial do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.

"Queremos revolução, mudar o regime", disse à AFP o manifestante, Afsi, de 38 anos, durante o ato em Londres.

Em Paris, cerca de 2 mil pessoas se reuniram em solidariedade ao Irã, portando a bandeira iraniana do período anterior à Revolução Islâmica de 1979. Além disso, eles cantavam "Não à República Islâmica terrorista".

Detenções 'significativas'

O chefe da polícia nacional, Ahmad Reza Radan, anunciou prisões "significativas" de figuras proeminentes dos protestos na noite de sábado (10). Ele não especificou o número de presos nem revelou suas identidades.

O chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, distinguiu as mobilizações entre atos contra as dificuldades econômicas, que ele chamou de "completamente compreensíveis", e "tumultos", que descreveu como "muito semelhantes aos métodos de grupos terroristas", informou a agência de notícias Tasnim.

Teerã está praticamente paralisada, observou um jornalista da AFP. O preço da carne quase dobrou desde o início dos protestos e, embora algumas lojas estejam abertas, muitas outras fecharam.

Reza Pahlavi, filho exilado do xá (monarca) deposto, que desempenhou um papel fundamental na organização dos protestos, convocou mais manifestações neste domingo. "Não saiam das ruas. Meu coração está com vocês. Sei que em breve estarei ao vosso lado", afirmou.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, pediu à União Europeia que designe a Guarda Revolucionária do Irã como uma "organização terrorista".

O papa Leão XIV, por sua vez, também abordou a situação do Irã neste domingo e fez um apelo ao diálogo e à paz.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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