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Moraes envia a Fachin pedido de investigação contra Mendonça

Documento levado ao presidente do STF questiona a atuação de Mendonça nos casos Banco Master e INSS

4 set 2026 - 07h40
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Resumo
O ministro Alexandre de Moraes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a abertura de investigação contra André Mendonça por suposto abuso de autoridade, improbidade e parcialidade em apurações ligadas ao Banco Master e ao INSS. A petição questiona a condução direta de atos investigativos e a quebra de custódia de provas por Mendonça, ocorrendo após a divulgação de mensagens entre Moraes e um ex-controlador do banco. Fachin deu cinco dias para manifestação dos envolvidos e da PGR.

Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou nesta quinta-feira (3) ao presidente da Corte, Edson Fachin, um pedido para que seja aberta investigação diante de possíveis irregularidades atribuídas ao ministro André Mendonça.

Alexandre de Moraes aponta possíveis irregularidades na atuação de André Mendonça nos casos Banco Master e INSS
Alexandre de Moraes aponta possíveis irregularidades na atuação de André Mendonça nos casos Banco Master e INSS
Foto: Luiz Silveira/STF / Perfil Brasil

A petição, feita âmbito do inquérito das Fake News, aponta indícios de de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento político. Os questionamentos estão relacionados à atuação de Mendonça na relatoria de investigações envolvendo o Banco Master e o INSS.

Quais são os questionamentos apresentados por Moraes?

De acordo com o ministro, Mendonça teria ultrapassado os limites da função ao participar da condução de apurações da Polícia Federal. O documento também menciona conduta irregular em negociações sobre acordos de colaboração premiada e eventual direcionamento de medidas contra determinados investigados. Entre os nomes citados estão o próprio Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Além disso, na avaliação apresentada ao STF, relatórios da PF indicariam que algumas providências ocorreram "com flagrante perda de imparcialidade". Moraes sustenta que a conduta teria aproximado Mendonça de uma posição investigativa, em vez de restringi-lo à supervisão judicial dos procedimentos.

Documento questiona acesso a materiais da investigação

Outro ponto levantado envolve a forma como Mendonça teria requisitado documentos e outros elementos das apurações. O despacho reproduz uma avaliação atribuída à Polícia Federal: "Conforme destacado pela Polícia Federal, 'o formato exigido é, em si, indicativo: destina-se a consulta e análise de teor', permitindo ao Ministro relator selecionar, suprimir ou manipular documentação em flagrante quebra da cadeia de custódia", diz o texto.

Moraes também afirma que o ministro teria conversado com advogados de possíveis colaboradores e discutido benefícios que, segundo a petição, não teriam previsão legal. A petição cita ainda documentos de inteligência da Polícia Federal que analisam o tempo de tramitação de procedimentos envolvendo autoridades com perfis políticos distintos.

Um dos relatórios menciona uma possível "assimetria por espectro político". O próprio material da PF, porém, apresenta ressalvas sobre a conclusão. "A dispersão é expressiva e sugere correlação entre tempo de apreciação e perfil do investigado. A série, contudo, é pequena e não controlada... O dado, no estado atual, é indiciário", afirma o documento.

Ademais, Moraes contesta uma diligência realizada contra ele. Conforme o trecho citado no despacho, Mendonça teria determinado "de ofício" uma medida investigativa sem seguir os procedimentos adequados e sem comunicar previamente a Procuradoria-Geral da República.

Pedido ocorre após divulgação de relatório sobre Moraes

Moraes apresentou a iniciativa dois dias depois de Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal. O documento revelou mensagens e contatos entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

A Procuradoria-Geral da República, entretanto, defendeu a nulidade da investigação que Mendonça determinou e que levou à identificação da relação entre os dois. Com o novo pedido, Fachin passou a analisar questionamentos apresentados por ambos os ministros em episódios relacionados às investigações.

Após receber a petição, o presidente pediu esclarecimentos a Moraes, Mendonça, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O presidente do STF fixou prazo de cinco dias para que os envolvidos enviem as manifestações. Fachin deverá considerar os documentos antes de definir os próximos passos do caso. Até o momento, André Medonça ainda não se manifestou.

Perfil Brasil
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