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Com 1.413 dias, governo Meloni se torna o mais longevo da República Italiana

Primeira mulher a governar o país superou recorde de Silvio Berlusconi

4 set 2026 - 07h43
(atualizado às 07h53)
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Resumo
Ao atingir 1.413 dias contínuos no poder, a gestão de Giorgia Meloni se tornou a mais longeva da história republicana italiana, superando Silvio Berlusconi. Respaldada por sólida maioria parlamentar, a premiê de direita celebra a estabilidade política, o endurecimento de regras migratórias na UE e a geração de empregos. A oposição, contudo, critica o fraco crescimento econômico e a inércia em reformas, marco reforçado pela recente rejeição popular à sua reforma do Judiciário em referendo.

O governo da premiê Giorgia Meloni tornou-se nesta sexta-feira (4) o mais longevo da história da República da Itália, completando 1.413 dias no poder, um a mais que a segunda gestão de Silvio Berlusconi, que durou de 11 de junho de 2001 a 23 de abril de 2005.

Giorgia Meloni governa a Itália desde 22 de outubro de 2022
Giorgia Meloni governa a Itália desde 22 de outubro de 2022
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Meloni, líder do partido de direita Irmãos da Itália (FdI), é a primeira mulher a chefiar o Executivo do país e está no poder desde 22 de outubro de 2022, após a vitória de sua coalizão nas eleições daquele ano.

"Hoje, nosso governo se torna o mais longevo da história da República Italiana. É um fato que acolho com gratidão e forte senso de responsabilidade. Porque estabilidade não é um recorde a exibir: é uma condição que permite a uma nação planejar, tomar decisões, cumprir compromissos e impor respeito", escreveu a premiê nas redes sociais.

A longevidade é incomum na história da Itália, marcada por gestões frágeis e crises frequentes ? são 68 governos e 31 premiês em 80 anos de República. Meloni, no entanto, conta com uma maioria segura tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, o que permitiu que ela governasse com relativa estabilidade desde que assumiu o Palácio Chigi.

A premiê, que decidiu celebrar o marco com uma festa para milhares de apoiadores em Bari, no sul do país, atribuiu a essa solidez política algumas "conquistas" no cenário internacional, como o endurecimento das políticas de refúgio da União Europeia, um antigo cavalo de batalha da direita italiana.

Ela também destacou a criação de mais de 1 milhão de postos de trabalho em quatro anos, além da redução do imposto de renda para cidadãos de baixa e média remuneração. A gestão prudente das contas públicas também é apontada como responsável pela queda dos juros dos títulos italianos.

"Nos últimos anos, trabalhamos para reduzir o desemprego, apoiar famílias e empresas, reforçar a segurança, administrar as finanças públicas com responsabilidade e restaurar a influência e a credibilidade da Itália no cenário internacional. Alcançamos resultados, mas sabemos bem o quanto ainda resta a fazer", afirmou Meloni.

A oposição, porém, avalia que os últimos quatro anos foram desperdiçados. Os partidos de centro-esquerda apontam o baixo crescimento econômico, o aumento da carga tributária geral ? apesar da redução do imposto de renda ?, a queda nos gastos com saúde em proporção ao PIB e o fracasso na entrega de reformas estruturais.

"São quatro anos de nada, de inércia. O governo pode se autocelebrar, mas que o faça sozinho. Pode estourar garrafas de espumante com fundos de investimento, bancos e empresas de energia, mas os italianos não têm nada para festejar", declarou nesta sexta o ex-premiê Giuseppe Conte, líder do populista Movimento 5 Estrelas (M5S).

A maior derrota de Meloni desde que assumiu o cargo foi a rejeição, em referendo realizado em março passado, da reforma constitucional que pretendia reformular o sistema Judiciário. A proposta, bandeira central do Executivo, foi derrotada nas urnas e representou um duro golpe político para a coalizão, mas a premiê decidiu continuar no cargo até o fim da legislatura, previsto para 2027.

Quando se leva em conta todos os governos de um mesmo primeiro-ministro, Meloni ainda é a sétima com mais tempo no poder, ranking liderado por Berlusconi, que ocupou o Palácio Chigi por 3.339 dias.

O finado líder conservador é seguido por Giulio Andreotti (2.678), Alcide De Gasperi (2.591), Aldo Moro (2.279), Amintore Fanfani (1.659) e Romano Prodi (1.608).

Ansa - Brasil
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