Maduro convoca alistamento de milícia e reservistas para enfrentar as 'ameaças' dos EUA
Na Venezuela, o presidente Nicolás Maduro anunciou nesta quinta-feira, 21, que milicianos, reservistas e "todo o povo" devem participar de um processo de alistamento no fim de semana. O objetivo, segundo ele, é preparar a defesa do país diante das "ameaças" vindas dos Estados Unidos.
A convocação acontece em um momento de tensão crescente. A Casa Branca aumentou para 50 milhões de dólares (cerca de 274 milhões de reais) a recompensa por informações que possam levar à captura de Maduro. Além disso, militares norte-americanos foram mobilizados para uma operação antinarcóticos no mar do Caribe, área estratégica próxima ao território venezuelano.
Como será o alistamento?
Durante uma cerimônia de condecoração, o presidente declarou: "Considerei necessário e oportuno que no sábado e no domingo tenhamos esta grande jornada de alistamento (…) para dizer ao imperialismo: Basta de tuas ameaças! A Venezuela te rejeita, a Venezuela quer paz!".
Segundo ele, as inscrições ocorrerão em sedes de quartéis, praças públicas centrais e nas chamadas "bases populares de defesa integral". Maduro já havia informado no início da semana que pretende ativar um plano especial para alcançar a marca de 4,5 milhões de milicianos em todo o território nacional.
O presidente também disse que se reunirá com "todo o sistema defensivo nacional" para revisar estratégias e ajustar planos. Essa mobilização integra a estrutura criada por Caracas para demonstrar força diante das pressões externas.
Reação dos Estados Unidos
De acordo com uma fonte ligada à operação antinarcóticos, três navios de guerra foram enviados para a região do Caribe. A imprensa americana informou ainda que Washington avaliava a possibilidade de enviar cerca de 4 mil fuzileiros navais.
O governo dos Estados Unidos não reconhece as duas últimas reeleições de Maduro. Washington também acusa o presidente venezuelano de chefiar o chamado Cartel de los Soles, classificado como organização criminosa pelas autoridades norte-americanas.
A disputa entre Caracas e Washington tem elevado o clima de tensão militar na região, colocando a Venezuela sob permanente estado de alerta.