Jovens do Partiu Futuro Reconstrução participam de viagem cultural às Missões Jesuíticas no RS
Grupo conheceu as ruínas de São Miguel Arcanjo durante atividade educativa que integra a formação do programa
Um grupo de 230 jovens da segunda edição do Partiu Futuro Reconstrução realizou, nesta segunda-feira (18), uma viagem cultural ao Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões (RS), e uma imersão na cultura missioneira. Os participantes eram das cidades de Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo e foram selecionados a partir de critérios de desempenho, engajamento e frequência no programa.
Durante a programação, a comitiva assistiu a uma palestra da professora universitária, historiadora e pesquisadora Nadir Damiani, referência na história das Reduções Jesuítico-Guarani e na temática missioneira no Rio Grande do Sul. Docente da URI Santo Ângelo e fundadora do Instituto Histórico e Geográfico de Santo Ângelo (IHGSA), ela abordou o contexto histórico das Missões Jesuíticas e a formação cultural do Estado. O roteiro incluiu um espetáculo artístico e de som e luz ligado à temática missioneira.
Além da palestra, os jovens fizeram visita guiada ao sítio arqueológico e ao Museu das Missões, conhecendo de perto um dos mais importantes locais históricos e culturais do Brasil, reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade. A experiência ocorre em um momento simbólico: maio marca as celebrações dos 400 anos das Missões Jesuíticas no Rio Grande do Sul.
Durante a visita, os jovens puderam explorar as ruínas da antiga redução de São Miguel Arcanjo, incluindo a imponente fachada da catedral, que ainda preserva cerca de 30 metros de altura e impressiona pela grandiosidade arquitetônica. O sítio também reúne vestígios do colégio, da casa dos padres, do cemitério e de outros espaços que integravam a antiga comunidade missioneira.
A iniciativa busca proporcionar contato direto com a história e a cultura missioneira, ampliando o conhecimento sobre um período fundamental da formação do território gaúcho. O legado das Missões Jesuíticas está ligado à convivência entre povos indígenas guaranis e missionários europeus, processo que influenciou profundamente a identidade cultural do Estado. Os jovens também tiveram contato com os guaranis e puderam conhecer os seus artesanatos.
"Foi incrível ter a oportunidade de conhecer mais sobre os povos antigos do Rio Grande do Sul por meio do Programa Partiu Futuro Reconstrução", salienta Laura Taline Pereira Ferreira, de 20 anos, de Canoas.
"Foi uma experiência muito importante para conhecer mais sobre a cultura do nosso Estado e a história dos nossos antepassados", destaca Daniel Bagolin Lopes, de 16 anos, de Canoas.
O titular da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social (Sedes), Gustavo Saldanha, afirmou que oportunizar que esses jovens conheçam de perto a história das Missões é também investir em formação, pertencimento e cidadania. "As Ruínas de São Miguel carregam parte importante da construção cultural do Rio Grande do Sul e proporcionar essa experiência aos participantes do programa amplia horizontes, fortalece vínculos e mostra que o acesso à cultura e ao conhecimento também transforma trajetórias. Queremos que cada jovem volte dessa viagem não apenas com novas memórias, mas com a compreensão do seu papel na construção do futuro do nosso Estado", comentou.
O trabalho desenvolvido pelos jesuítas nas reduções envolvia catequização, educação, ensino de ofícios e organização coletiva das comunidades, promovendo intensa troca cultural com os povos guaranis. Dessa experiência surgiram os chamados Sete Povos das Missões — São Nicolau, São Luiz Gonzaga, São Miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São João Batista, São Borja e Santo Ângelo Custódio — considerados parte essencial do patrimônio histórico gaúcho.
Um novo grupo dos polos de Bom Princípio, Feliz, Montenegro, Pelotas, Rio Grande, São Jerônimo, São José do Norte, São Lourenço do Sul, Taquara e Triunfo participará da viagem cultural em 26 de maio, ampliando a ação educativa promovida pelo Partiu Futuro Reconstrução. A iniciativa reforça o compromisso do programa com uma formação que vai além da qualificação profissional, promovendo acesso à cultura e valorização da história do Rio Grande do Sul.
Sobre o Programa Partiu Futuro Reconstrução
Ao todo, 2.785 jovens de 75 municípios gaúchos integram a segunda edição do Programa Partiu Futuro Reconstrução. O programa é realizado pelo governo do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social (Sedes).
A iniciativa é voltada a jovens com idade entre 14 e 22 anos, egressos ou matriculados na rede pública de ensino, inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) e que foram impactados pelas enchentes de maio de 2024 ou residem em municípios integrados ao Programa RS Seguro. O contrato tem duração de um ano e prevê carga horária total de 1.040 horas.
Os participantes recebem bolsa-auxílio de R$ 894,52 para uma jornada de 20 horas semanais, vale-alimentação de R$ 550 e vale-transporte, quando necessário. Também contam com registro na carteira de trabalho e acesso a todos os direitos garantidos por lei, como FGTS, INSS, férias e 13º salário.
O Partiu Futuro integra o Plano Rio Grande, ação liderada pelo governador Eduardo Leite e criada para proteger a população, reconstruir o Rio Grande do Sul e torná-lo ainda mais forte e resiliente, preparado para o futuro.
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