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John Hume, líder católico da Irlanda do Norte e Nobel da Paz, morre aos 83 anos

3 ago 2020
09h43
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John Hume, líder católico-romano da Irlanda do Norte que foi um importante arquiteto do acordo da Sexta-feira Santa e que venceu o Prêmio Nobel da Paz pelo papel que teve no fim de 30 anos de violência sectária, morreu, nesta segunda-feira, aos 83 anos, afirmou seu partido SDLP.

John Hume em Belfast em fevereiro de 2004
04/02/2004 REUTERS/Paul McErlane
John Hume em Belfast em fevereiro de 2004 04/02/2004 REUTERS/Paul McErlane
Foto: Reuters

Hume, veterano defensor dos direitos civis, considerado responsável por iniciar as negociações de paz em uma região britânica abalada pelo derramamento de sangue do começo da década de 1990, dividiu o Nobel da Paz com o então primeiro-ministro da Irlanda do Norte, David Trimble, do Partido Protestante Unionista do Ulster.

Ele morreu em uma casa de repouso em Londodnerry, onde nasceu, nas primeiras horas da manhã de domingo, segundo sua família.

"John Hume foi um gigante político; um visionário que se recusou a acreditar que o futuro tinha que ser igual ao passado. Sua contribuição para a paz na Irlanda do Norte foi épica", afirmou, em comunicado, o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, que governava o país à época do acordo da Sexta-feira Santa.

Em 1968, Hume se juntou ao movimento para proteger os direitos civis da minoria de pró-irlandeses católico-romanos da Irlanda do Norte, lutando contra a discriminação da maioria pró-britânica protestante em várias, de moradia à educação.

Como líder do moderado Partido Trabalhista Social-Democrata (SDLP), Hume foi um importante defensor do pacifismo, em meio a conflitos entre nacionalistas irlandeses que queriam uma Irlanda unificada e forças pró-Reino Unido, incluindo o Exército Britânico, que desejava manter o status britânico da região.

Até 1998, mais de 3.600 pessoas haviam morrido.

"Desde o começo dos conflitos, John pedia que as pessoas buscassem seus objetivos de maneira pacífica e foi um crítico constante daqueles que não percebiam a importância da paz", afirmou Trimble à rádio BBC de Ulster, nesta segunda-feira, saudando a "grande contribuição" de Hume para o processo de paz.

Um momento marcante aconteceu em 1993, quando Hume participou de discussões com Gerry Adams, que era naquela época líder do partido Sinn Fein, braço político do grupo de guerrilha Exército Republicano Irlandês (IRA).

As conversas ajudaram a pavimentar o caminho para uma iniciativa conjunta entre os governos britânico e irlandês que gerou o processo de paz e a trégua com o IRA em 1994 e, no fim, levou ao crucial acordo da Sexta-feira Santa, quatro anos depois.

"Enquanto os outros estavam presos a rituais políticos de condenação, John Hume teve a coragem de assumir riscos reais pela paz", disse Adams, em um comunicado. "Enquanto outros falavam incessantemente sobre a paz, John encarou o desafio e ajudou a fazer a paz acontecer."

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