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Hamnet e o Silêncio de Chloé Zhao: Quando o Mito de Shakespeare Pousa no Chão

Enquanto Paul Mescal entrega um Shakespeare humano, Buckley oferece algo inusual; seu rosto é um mapa de silêncios que dita o ritmo da obra

19 fev 2026 - 09h02
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Como homem e pesquisador, escrevo sobre Hamnet a partir de uma posição de escuta. O filme é um ecossistema de sensibilidade feminina: nasce do romance de Maggie O'Farrell, ganha corpo no roteiro coescrito por ela e Chloé Zhao, e encontra alma na interpretação de Jessie Buckley.

Hamnet
Hamnet
Foto: Divulgação / Perfil Brasil

Enquanto Paul Mescal entrega um Shakespeare humano, Buckley oferece algo inusual; seu rosto é um mapa de silêncios que dita o ritmo da obra.

A direção de Zhao traz uma camada antropológica que o cinema ocidental raramente alcança ao tratar de seus próprios mitos. " Zhao é uma voz do Sul Global — uma cineasta chinesa que mantém uma estranheza saudável em relação ao cânone europeu."

Em Hamnet, ela retira o Bardo do trono de mármore e o faz pisar no barro de Stratford-upon-Avon. O William de Mescal não é o gênio da língua, mas um homem pedestre em formação.

Sem atropelar a fluidez, a película expõe os atritos sociais da época: a rigidez patriarcal e o choque entre a cosmovisão de Agnes — conectada à terra — e a religiosidade dogmática que enxerga o saber ancestral como bruxaria.

Agnes opera além do que o espaço social permitia.

Há um parentesco espiritual entre a jornada de Fern, em Nomadland, e a vida de Agnes Hathaway.

Em ambos, Zhao foge do ritmo frenético do consumo algorítmico. Sua câmera busca a pausa e o respiro. O jovem Aran Murphy, como Hamnet, equilibra a fragilidade da infância com o peso simbólico de seu nome.

" É uma imagem que convida ao repouso do olhar, uma resistência necessária em uma era de estímulos do TikTok."

Hamnet é um sopro de paz para quem busca uma experiência artística que exige nossa presença inteira. A cena final é uma aula de síntese: onde o luto e a criação se fundem definitivamente.

*Por Alexandre Gossn - Pesquisador em autoritarismos contemporâneos no Instituto de Investigação Interdisciplinar e Doutorando pela Universidade de Coimbra, Mestre em Direito e Advogado, autor de Fascismo Pandêmico, Chapados de Cloroquina, Santo Adamastor e outros.

Perfil Brasil
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