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Guilherme Mazieiro

Na mira da PF, Bolsonaro pede que autoridades “esfriem e diminuam pressão”

Ex-presidente tem depoimento marcado na Polícia Federal nesta quinta, 22, e convocou manifestação popular para domingo, 25.

21 fev 2024 - 10h23
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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Foto: Poder360

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu nesta quarta, 21, que “autoridades” “esfriem e diminuam a pressão”. A fala aconteceu durante uma entrevista à rádio CBN de Recife enquanto respondia sobre o que o motivou a organizar um ato político no dia 25, na Avenida Paulista, em São Paulo, e se temia ser preso.

“Eu apelo a todas as autoridades, vamos esfriar. Vamos diminuir essa pressão. No momento, nem cidadão eu sou, porque estou sem direitos políticos. Vocês estão com a força, com o poder. Me aponte, nos quatro anos do meu governo, se persegui alguém. Se persegui um filho do Lula, ou quem quer que seja de esquerda. Se determinei que a Polícia Federal abrisse inquérito contra quem quer que fosse?”, declarou Bolsonaro sem especificar quem seriam as autoridades e a qual pressão se referia.

Bolsonaro foi chamado para prestar depoimento à Polícia Federal nesta quinta, 22. A defesa do ex-presidente havia enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma manifestação pedindo que ele não prestasse depoimento, por não ter acesso integral aos materiais da investigação. O ministro responsável pelo caso, Alexandre de Moraes, negou o pedido e ordenou que ele vá ao depoimento, justificando que há acesso aos autos, menos à delação do ex-ajudante de ordens, Mauro Cid, que é utilizada para desdobramentos das investigações. Com isso, a expectativa é de que Bolsonaro se mantenha em silêncio.

O ex-presidente e os principais aliados e ministros do seu governo estão na mira da Polícia Federal em pelo menos 7 investigações que vão do “gabinete do ódio”, ao caso das joias sauditas e tentativa de golpe de Estado. No início deste mês, ex-ministros e militares aliados a Bolsonaro foram alvos de mandados de busca e apreensão. Naquela ocasião, por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, o ex-mandatário teve que entregar seu passaporte.

“[O ato é] para mostrarmos para o Brasil e para o mundo uma fotografia de verde e amarelo do candidato que foi derrotado em 2022. E nesse momento, além da fotografia, eu me defenderia dessas acusações sobre esse golpe constitucional de Estado de sítio, que não foi dado o primeiro passo sequer sobre Estado de sítio”, disse Bolsonaro.

O ex-presidente afirmou que no domingo vai repetir esta justificativa em sua defesa de maneira “mais pausada, com menos coisas”.

“Eu não persegui ninguém. Por que essa perseguição em cima de mim? Por que a gente ficou com capital político, num momento de crise, guerra e pandemia, nós passamos por isso”, disse o ex-mandatário.

Questionado se o 8 de janeiro foi criação da esquerda, Bolsonaro lembrou frases do ministro da Defesa de Lula, José Múcio Monteiro, e do ex-ministro Aldo Rebelo que relativizaram a tentativa de golpe. 

“Quando se fala em golpe, até o Múcio falou, Aldo Rebelo falou e entre tantas outras pessoas de esquerda ou do próprio governo. [Para dar um] golpe tem que ter armas, conspiração, tanque na rua, uma autoridade, uma personalidade conduzindo. Nada disso teve, que loucura é essa, falar em golpe em 8 de janeiro?”, disse.

Fonte: Guilherme Mazieiro Guilherme Mazieiro é repórter e cobre política em Brasília (DF). Já trabalhou nas redações de O Estado de S. Paulo, EPTV/Globo Campinas, UOL e The Intercept Brasil. Formado em jornalismo na Puc-Campinas, com especialização em Gestão Pública e Governo na Unicamp. As opiniões do colunista não representam a visão do Terra. 
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