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Guilherme Mazieiro

CPMI do 8/1 mira ex-ministros militares de Bolsonaro; veja planos para reta final

Governistas querem avançar sobre a autoria intelectual, o papel dos militares e financiadores dos ataques; relatório será votado em 19/10

25 set 2023 - 12h33
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Augusto Heleno, chefe do GSI durante o governo Bolsonaro, dará depoimento à CPMI do 8 de Janeiro.
Augusto Heleno, chefe do GSI durante o governo Bolsonaro, dará depoimento à CPMI do 8 de Janeiro.
Foto: Dida Sampaio/Estadão / Estadão

Faltando menos de um mês para terminar, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga os atos golpistas de 8 de janeiro centra esforços para ouvir ex-ministros militares de Jair Bolsonaro (PL). Os parlamentares querem colher depoimentos dos generais da reserva e ex-ministros Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Braga Netto (que passou pela Casa Civil, Defesa) para avançar nas apurações sobre a autoria intelectual, o papel dos militares e financiadores dos ataques.

Nesta terça, 26, seria ouvido Braga Netto (PL), candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro e um dos principais conselheiros do governo passado. Mas sua ida foi trocada pela de Heleno. Os membros governistas veem Braga Netto como o grande articulador político de Bolsonaro e aguardam acesso à delação premiada do tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid. 

A base do governo acredita que no acordo que Cid fez com a Justiça encontrará informações sobre reuniões e episódios que possam dar mais munição para questionar Braga Netto sobre a autoria intelectual. O acordo firmado neste mês ainda não foi disponibilizado à CPMI.

O calendário da comissão prevê mais cinco datas para depoimentos, sendo que a última é dia 10 de outubro. As outras duas sessões serão para leitura e votação do relatório da senadora Eliziane Gama (PSD-MA), respectivamente, nos dias 17 e 19 de outubro.

Além de Heleno, está previsto o depoimento do terceiro condenado pela tentativa de explodir uma bomba no Aeroporto Internacional de Brasília, Alan Diego dos Santos, para quinta, 28.

Na noite desta segunda, 25, os membros devem se reunir para ajustar quem será ouvido nas datas restantes. Há apenas mais três sessões disponíveis para depoimentos (dias 3, 5 e 10 de outubro), em duas dessas datas devem ir Braga Netto e Cid, que fez delação premiada e deve falar sobre o acordo.

Os governistas discutem também a convocação dos seguintes nomes:

  • Jair Bolsonaro
  • o ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier (que, segundo delação de Cid, teria colocado tropas à disposição de Bolsonaro para o plano golpista)
  • Filipe Martins (ex-assessor para Assuntos Internacionais, que segundo delação de Cid, teria apresentado uma minuta golpista a Bolsonaro)
  • O ex-ministro da Defesa e general Paulo Sérgio Nogueira (que recebeu o hacker para discutir urnas)
  • O empresário Meyer Nigri (investigado por mensagem golpista)
  • Henrique Laureano (garimpeiro, que segundo a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), estaria relacionado ao caso das pedras preciosas entregues a Bolsonaro)

Há ainda expectativa sobre a possibilidade de uma delação premiada de Wellington Macedo, outro condenado pela bomba no Aeroporto de Brasília. Ele foi à CPMI na semana passada e não respondeu aos questionamentos. A defesa de Macedo,  no entanto, avalia a proposta feita pela relatora Eliziane Gama de delatar à comissão a possível participação de parlamentares como mobilizadores, articuladores e financiadores dos ataques.

"A CPMI dos atos golpistas de 8 de janeiro chega na reta final com Jair Messias Bolsonaro como o principal mandante e interessado no golpe de Estado, arrastado ainda mais para o centro das investigações graças aos conteúdos encontrados no celular de Mauro Cid e à delação que o ex-ajudante de ordens prestou na Polícia Federal", disse à coluna o deputado Rogério Correia (PT-MG).

O deputado disse ainda que o colegiado quer entender como mandantes dos ataques teriam utilizado a máquina pública "para golpear nossas instituições e descredibilizar o sistema eleitoral".

Fonte: Guilherme Mazieiro Guilherme Mazieiro é repórter e cobre política em Brasília (DF). Já trabalhou nas redações de O Estado de S. Paulo, EPTV/Globo Campinas, UOL e The Intercept Brasil. Formado em jornalismo na Puc-Campinas, com especialização em Gestão Pública e Governo na Unicamp. As opiniões do colunista não representam a visão do Terra. 
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