PUBLICIDADE

Guilherme Mazieiro

Ministério da Defesa usava “nomes fictícios” em reuniões com hacker para discutir invasão nas urnas, diz Deglatti

Hacker diz que "ideia do ministro da Defesa" era mostrar que urnas eram vulneráveis e técnicos usavam nomes falsos como "carro" e "caminhão"

17 ago 2023 - 12h06
Compartilhar
Exibir comentários
Walter Delgatti presta depoimento à CPMI nesta quinta, 17, em Brasília
Walter Delgatti presta depoimento à CPMI nesta quinta, 17, em Brasília
Foto: Veja

Preso por invadir sistemas da Justiça, Walter Delgatti, conhecido como “hacker da Vaza Jato”, disse que o ex-ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, tinha a “ideia” de mostrar que as urnas não eram seguras no relatório feito por militares sobre o sistema de votação. Em depoimento nesta quinta, 17, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro, Delgatti disse que fez cinco reuniões com as equipes do Ministério da Defesa para discutir o relatório, nas quais técnicos de tecnologia da informação da pasta 

Delgatti afirmou que, a pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi ao encontro dos militares para orientar na elaboração do relatório que questionava a confiança nas urnas junto ao Tribunal Superior Eleitoral. 

“Tudo que consta no relatório. A ideia do ministro [general do Exército Paulo Sérgio Nogueira] era que eu mostrasse que não é segura, que é vulnerável a urna. O relatório foi feito nesse sentido, de não comprovar a lisura. [Comprovar] a fragilidade”, disse Delgatti.

Ao ser questionado pelo deputado Duarte Jr (PSB-MA) sobre os caminhos que o ex-ministro da Defesa deu para que ele fraudasse as eleições, Delgatti afirmou que  teve cinco encontros no Ministério da Defesa, sendo quatro com o general Paulo Sérgio Nogueira.

Nos encontro, relatou, os chefes de tecnologia da informação do ministério “usavam nomes fictícios, um era ‘carro’, outro era ‘caminhão’, outro era ‘ônibus’, ‘trem’. Não tive acesso aos nomes”. Segundo Delgatti, os encontros aconteceram dentro do ministério da Defesa.

À época, duas semanas após o segundo turno, em 11 de novembro de 2022, o ministério da Defesa informou que “o acurado trabalho da equipe de técnicos militares na fiscalização do sistema eletrônico de votação, embora não tenha apontado, também não excluiu a possibilidade da existência de fraude ou inconsistência nas urnas eletrônicas e no processo eleitoral de 2022”. É a este relatório que Delgatti se refere e diz que orientou junto ao general.

A coluna pediu manifestação do Ministério da Defesa, mas ainda não houve retorno. A defesa do ex-ministro Paulo Sérgio Nogueira não foi localizada, o espaço está aberto à manifestação.

Fonte: Guilherme Mazieiro Guilherme Mazieiro é repórter e cobre política em Brasília (DF). Já trabalhou nas redações de O Estado de S. Paulo, EPTV/Globo Campinas, UOL e The Intercept Brasil. Formado em jornalismo na Puc-Campinas, com especialização em Gestão Pública e Governo na Unicamp. As opiniões do colunista não representam a visão do Terra. 
Compartilhar
Publicidade
Seu Terra












Publicidade