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Greve contra reforma trabalhista paralisa Portugal

3 jun 2026 - 12h41
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Transportes, hospitais, escolas e coleta de lixos são afetados. Cerca de 65% dos voos foram cancelados, inclusive para o Brasil.Uma greve geral paralisa nesta quarta-feira (03/06) diversos setores em Portugal, incluindo transportes, hospitais, escolas e coleta de lixo. Os trabalhadores protestam contra a reforma trabalhista promovida pelo governo de centro-direita, que, argumentam, aumenta a insegurança laboral.

Greve geral em Portugal levou ao cancelamento de dezenas de voos no Aeroporto de Lisboa
Greve geral em Portugal levou ao cancelamento de dezenas de voos no Aeroporto de Lisboa
Foto: DW / Deutsche Welle

Diversos setores operam apenas serviços mínimos nas 24 horas de greve. Ônibus, trens e aeroportos são afetados em grande parte do país.

Em Lisboa, todas as estações de metrô foram fechadas, com apenas alguns ônibus funcionando. Na estação ferroviária de Santa Apolónia, o painel mostrava uma longa lista de trens cancelados.

Voos cancelados

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos de Portugal (Sitava), cerca de 65% dos voos programados foram cancelados.

No Aeroporto de Lisboa, o maior do país, dezenas de voos deixaram de decolar para destinos dentro e fora da Europa, incluindo Boston, Toronto, Frankfurt e Londres.

A brasileira Nathiely Araújo, de 29 anos, "tentou de tudo", mas não conseguiu desviar dos impactos da greve. Ela teria que esperar 17 horas adicionais pelo seu voo de volta para casa.

"Organizei toda a minha viagem e comprei as passagens há muitos meses", comentou, acrescentando que soube da greve geral três dias antes, por um e-mail de sua companhia aérea.

A TAP informou que manteria o serviço mínimo, operando 79 voos durante a greve. Houve cancelamentos de voos para o Brasil da Latam, e a Azul fez ajustes na escala.

Segunda greve em seis meses

A greve foi convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional (CGTP-IN). Entidades sindicais consideram que a reforma desregulamenta jornadas de trabalho, amplia contratos precários, facilita demissões e ataca direitos de maternidade e paternidade.

Esta é a segunda greve geral no país em seis meses, ambas convocadas contra a mesma proposta do governo. O projeto foi apresentado em meados de 2025 e, no mês passado, aprovado pelo Conselho de Ministros.

A paralisação anterior, realizada em dezembro, foi a primeira paralisação em Portugal em 12 anos. À época, a greve tinha também o apoio da União Geral de Trabalhadores (UGT), que, ao lado da CGTP-IN, está entre as duas grandes representações de trabalhadores do país.

Meses de negociações entre o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, e as organizações terminaram sem acordo. O texto aprovado sofreria pequenos ajustes em relação à versão inicial.

Para valer, a reforma precisaria ainda do apoio de parte da oposição, já que o governo de Montenegro não tem maioria absoluta. Tanto os socialistas quanto a ultradireita já expressaram relutância.

ht/md (EFE, AFP, Agência Brasil)

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