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Governo suspende pesca da tainha e gera onda de protestos no litoral catarinense

Governo Federal interrompe atividade após país atingir 90% da cota nacional; Estado promete recorrer à Justiça e pescadores organizam mobilizações no litoral.

8 jun 2026 - 19h09
(atualizado às 19h12)
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A suspensão da pesca da tainha na modalidade de arrasto de praia, determinada pelo Ministério da Pesca e Aquicultura após o Brasil atingir 90% da cota nacional autorizada para a safra de 2026, provocou forte repercussão em Santa Catarina e dividiu opiniões entre pescadores e internautas.

A medida entrou em vigor neste domingo (7) e tem caráter preventivo para evitar que o limite de captura de 8.168 toneladas seja ultrapassado. Conforme determinação do governo federal, as embarcações que ainda estavam no mar tiveram prazo de 24 horas para realizar o desembarque do pescado.

A decisão gerou reação imediata entre pescadores artesanais do litoral catarinense. Nas redes sociais, muitos classificaram a suspensão como um ataque à tradição pesqueira do Estado. "Encerrar a pesca artesanal da tainha em Santa Catarina é uma discriminação com o nosso povo e uma afronta à nossa tradição", escreveu um internauta.

A Prefeitura de Itapema divulgou nota oficial manifestando preocupação com os impactos da medida sobre as comunidades pesqueiras e destacou a importância econômica da safra para centenas de famílias. O Governo de Santa Catarina também se mobilizou. O governador Jorginho Mello autorizou o ingresso de ação judicial para tentar reverter a suspensão da pesca artesanal da tainha.

Neste ano, a safra catarinense durou apenas 38 dias. Tradicionalmente, a temporada começa em maio e se estende até o final de julho.

A suspensão ocorre em um momento em que diversas comunidades registravam capturas expressivas do pescado. Antes da interrupção da atividade, pescadores relatavam dificuldades para comercializar a grande quantidade de tainhas capturadas, alegando falta de compradores para absorver a produção.

Nas redes sociais, entretanto, a maioria das manifestações tem apoiado a decisão do governo federal após o atingimento da cota nacional. Muitos usuários criticam o descarte de peixes e defendem que parte dos pescadores deveria reduzir os preços para ampliar o acesso da população ao produto.

O debate também se estende aos consumidores. Em restaurantes do litoral catarinense, pratos à base de tainha costumam custar em média R$ 90, valor considerado elevado por parte da população.

A repercussão da medida levou à mobilização de lideranças pesqueiras da região da Foz do Rio Itajaí. Nesta segunda-feira (8), representantes de ranchos de pesca e secretários municipais da área se reuniram em Bombinhas para discutir os impactos da suspensão e possíveis ações para tentar reverter a decisão.

Enquanto isso, pescadores de diversas cidades catarinenses seguem organizando manifestações e cobrando uma solução que permita a retomada da atividade durante o restante da temporada.

Porto Alegre 24 horas
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