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Gladbeck 1988: quando a imprensa alemã foi notícia

16 ago 2018 - 13h54
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Dois assaltantes, um ônibus, a fuga através da Alemanha. Ao final, dois reféns mortos. O drama de assalto foi, ao mesmo tempo, um sensacional clímax para o jornalismo alemão e seu momento mais obscuro desde a 2ª Guerra.Dia 16 de agosto de 1988: drama de reféns na cidadezinha de Gladbeck, na região alemã da Vestfália. Dieter Degowski e Hans-Jürgen Rösner, na época com 32 e 31 anos respectivamente, assaltam um banco e escapam levando dois reféns. Eles jamais poderiam imaginar que o crime entraria para a história da televisão: pela primeira vez, os telespectadores alemães veriam uma caçada policial transcorrer diante de seus olhos.

Dieter Degowski (em pé), um dos assaltantes no ônibus sequestrado
Dieter Degowski (em pé), um dos assaltantes no ônibus sequestrado
Foto: DW / Deutsche Welle

Desta vez os jornalistas, que normalmente ficam de lado e observam, estavam em meio aos acontecimentos, até mesmo obstruindo o trabalho da polícia e conduzindo entrevistas com os sequestradores. O semanário americano Newsweek chegou a se referir ao episódio como "Hans and Dieter Show": uma verdadeira estreia na mídia da Alemanha.

Ao fim da perseguição em que Degowski e Rösner atravessaram grande parte do país num ônibus roubado e chegaram até a Holanda, e que envolveu um total de 32 reféns, os fotojornalistas haviam tido todo o tempo do mundo para fazer imagens do ônibus e dos passageiros.

Os repórteres lutavam pela melhor posição de onde registrar os eventos. Radialistas deixaram os próprios assaltantes darem sua versão de como a situação evoluíra, ao ponto de um deles dizer: "A partir daqui, eu só quero falar através da mídia."

A nação alemã - ou pelo menos aqueles com acesso a rádio ou TV - pôde acompanhar todo o desenrolar ao vivo. Uma sensação de emoção e fascinação, horror e perplexidade era palpável em todo o país.

Não bastou que se tirassem fotografias icônicas dos reféns sendo entrevistados com armas no pescoço: o repórter Udo Röbel chegou a entrar no carro da fuga para orientar os sequestradores pelas ruas de Colônia, que eles aparentemente não conheciam bem.

Após o caso, o profissional foi severamente criticado por suas ações, chegando a responder a acusações de cumplicidade. Isso não o impediu de, dez anos mais tarde, tornar-se o editor-chefe do Bild, o tabloide de maior tiragem da Alemanha.

Após dois dias, o drama finalmente chegou ao fim com um saldo de três mortos - inclusive uma refém que fora fotografada com um revólver no pescoço.

A imprensa foi responsável pelo fim desastroso? Segundo o psicólogo de mídia Jo Groebel, os jornalistas que cobriram o caso não só satisfizeram o desejo dos sequestradores de reconhecimento e atenção, como também "incitaram" os criminosos a se afirmarem em sua brutal megalomania.

Michael Konken, presidente da DJV, o maior sindicato da classe na Alemanha, se refere ao drama de Gladbeck como "a hora mais escura do jornalismo alemão, desde o fim da Segunda Guerra Mundial". Em reação, o conselho nacional de imprensa expediu uma série de reprimendas e estabeleceu controles mais estritos para a cobertura de casos do gênero.

Também nos próprios meios midiáticos travou-se um debate ético, com diversos jornais concluindo que tal tipo de cobertura "não devia nunca mais acontecer". Atualmente é ilegal qualquer veículo de mídia realizar entrevistas com sequestradores enquanto o crime está ocorrendo.

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