PUBLICIDADE

Flávio diz que não conhece auditor do TCU, e que presidente ouve os filhos para decisões no cargo

'Óbvio que eu tenho acesso ao presidente todos os dias', diz senador ao comentar suspeita de gabinete paralelo ao Ministério da Saúde, investigado em CPI

9 jun 2021 21h17
ver comentários
Publicidade

O senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) afirmou nesta quarta-feira que não conhece o auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) responsável pelo relatório não oficial que apontou, sem evidências, supernotificação de mortes de covid-19. "Se passar do meu lado eu não sei quem é", respondeu Flávio, questionado sobre o assunto em Washington, capital dos Estados Unidos.

Ao comentar a proximidade da família Bolsonaro com o auditor do TCU, Flávio criticou a CPI da Covid e a acusação de que o pai contou com um gabinete paralelo ao Ministério da Saúde para definir as políticas de saúde durante a pandemia. Ele admitiu, no entanto, que o presidente ouve os filhos para a tomada de decisões, além de pessoas de fora do governo. "Deixa eu falar um pouquinho disso aí porque tem uma modinha nessa CPI maluca, que está acabando com a imagem do Senado, colocando a própria opinião pública contra o Senado, de uma espécie de gabinete paralelo", disse Flávio.

"Sou senador da República, sou filho do presidente. Óbvio que eu tenho acesso ao presidente todos os dias. Ele é uma pessoa adulta. Ele ouve um filho, ouve o outro e a decisão final é dele. Ele é o presidente das República, ele foi eleito para isso", completou o senador. Segundo ele, o pai dá "demonstrações" de ser um "grande democrata" ao consultar diversas pessoas "seja do governo, seja de fora do governo" para tomar decisões.

A existência de um gabinete paralelo ao Ministério da Saúde para aconselhamento de Bolsonaro durante a pandemia é objeto de investigação na CPI da Covid.

Auditor

Conforme informou o Estadão, o auditor Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques é amigo do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), irmão de Flávio. O pai de Alexandre é o coronel Ricardo Silva Marques - formado na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), na mesma turma de Bolsonaro, em 1977 -, que hoje ocupa um cargo de diretor da Petrobrás.

"Não sei quem é essa pessoa. Pelo menos não me lembro quem é essa pessoa, de nome assim eu não estou lembrado", disse Flávio. O senador integra comitiva do governo brasileiro nos Estados Unidos para reuniões sobre a tecnologia 5G. O grupo, liderado pelo ministro das Comunicações, Fábio Faria, foi composto por dois parlamentares aliados de Bolsonaro: Flávio e o líder do centrão, senador Ciro Nogueira (PP-PI), ambos suplentes na Comissão de Relações Exteriores.

Estadão
Publicidade
Publicidade