Eugênio Bucci: "Se não houver espaço para bons projetos na TV pública, algo não vai bem com a democracia"
Para Bucci, em uma emissora pública, o governo entra como apoiador, mas não como editor. "Não é ele que dá o rumo editorial e nem pode ser", afirma. Confira a entrevista completa, concedida a José Roberto Maluf
15 jan
2026
- 18h46
(atualizado às 18h49)
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Eugênio Bucci é o convidado do programa Perfil Poder, apresentado pelo jornalista José Roberto Maluf.
Eugênio Bucci
Jornalista, escritor e professor titular da Escola de Comunicações e Artes da USP, Eugênio Bucci consolidou-se como um dos nomes mais influentes na análise do jornalismo de qualidade no Brasil. Nesta entrevista, ele revisitou sua trajetória, que transita entre a direção de redações consagradas, a gestão da comunicação pública e o rigor acadêmico.Sua juventude na universidade coincidiu com o período final da ditadura militar. Bucci recorda ter participado ativamente do movimento estudantil, época em que, sem saber, foi monitorado pelo SNI (Serviço Nacional de Informações). Anos depois, ele teve acesso a documentos que continham a transcrição literal de suas falas em assembleias, prática de espionagem comum naquele regime.Das redações à Radiobras
A carreira de Bucci na imprensa é vasta. Ele acumulou passagens por veículos como a Editora Brasiliense, antes de seguir para uma longa trajetória na Editora Abril. Lá, dirigiu revistas como a Superinteressante e a Quatro Rodas.Além disso, foi
colunista da Veja e de diversos jornais, como O Estado de S. Paulo, onde escreve há cerca de 18 anos.Em 2003, assumiu a presidência da Radiobras no primeiro governo Lula, permanecendo no cargo por pouco mais de quatro anos. Durante sua gestão, foram formuladas as bases para a criação da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), processo que unificou as rádios e as TVs federais, como a TV Nacional de Brasília e a TVE do Rio de Janeiro.Defensor da TV Pública
Um dos pontos centrais da atuação de Bucci é a defesa de uma comunicação pública independente. Ele estabelece uma distinção clara entre a TV Estatal (focada em prestar contas do governo, como A Voz do Brasil) e a TV Pública (voltada para o cidadão e com autonomia editorial)."Em uma emissora pública, o governo entra como apoiador, mas não entra como editor. Não é ele que dá o rumo editorial e nem pode ser".Por fim, ele critica a estrutura atual da EBC por ainda ser excessivamente vinculada ao Palácio do Planalto, defendendo que a verdadeira TV pública não deve ser "chefiada nem pelo mercado nem pelo governo".