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Protestos no Irã deixam mais de 5 mil mortos, diz agência

18 jan 2026 - 13h46
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Cifra inclui 500 integrantes das forças de segurança, diz oficial iraniano. Porta-voz do Judiciário indica que alguns manifestantes podem ser executados. Trump ameaçou intervir.

Conflitos com policiais agravam manifestações no Irã
Conflitos com policiais agravam manifestações no Irã
Foto: DW / Deutsche Welle

Pelo menos 5 mil pessoas morreram até o momento nos protestos no Irã, incluindo cerca de 500 integrantes das forças de segurança. As informações foram divulgadas pela agência de notícias Reuters, com base em números oficiais citados por uma autoridade iraniana. O oficial acusou "terroristas e manifestantes armados" de matarem "iranianos inocentes".

O grupo de direitos humanos HRANA, sediado nos Estados Unidos, afirmou no sábado que o número de mortos havia chegado a 3.308. Mas há ainda outros 4.382 casos sob análise, o que pode elevar a contagem final. A organização disse ainda ter confirmado mais de 24 mil prisões.

Uma reportagem do jornal britânico The Sunday Times calcula uma cifra ainda maior. Ouvindo funcionários de postos de emergência e clínicas de saúde no Irã, o jornal compilou ao menos 16,5 mil mortos desde o final de dezembro.

Já a autoridade iraniana ouvida pela Reuters afirmou que o número de mortes verificadas dificilmente "aumentará drasticamente". O oficial pediu para não ser identificado.

A obtenção de informações a partir do Irã tem sido dificultada por apagões de internet, que foram parcialmente suspensos por algumas horas no início do sábado. No entanto, o grupo de monitoramento da internet NetBlocks disse que o bloqueio parece ter sido reimposto posteriormente.

Cresce tensão com EUA

Motivados por uma crise econômica, protestos começaram em todo o país em 28 de dezembro e, ao longo de duas semanas, se transformaram em manifestações generalizadas pedindo o fim do regime dos aiatolás. Trata-se da mais letal onda de agitação pública desde a Revolução Islâmica de 1979.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem ameaçado repetidamente intervir caso manifestantes continuem sendo mortos nas ruas ou sejam executados. Em uma postagem nas redes sociais na sexta-feira, porém, ele agradeceu a Teerã por cancelar a execução programada de 800 pessoas. Já no sábado, afirmou ao portal Politico que "é hora de procurar uma nova liderança no Irã".

Também no sábado, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, culpou Trump pelas mortes que ele teria causado ao Irã ao apoiar os manifestantes.

"Não vamos arrastar o país para a guerra, mas não deixaremos criminosos internos ou internacionais impunes", disse Khamenei. Ele reconheceu que os atos levaram à morte de "milhares de pessoas", as quais atribuiu a "terroristas e desordeiros" ligados aos Estados Unidos e a Israel.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, por sua vez, alertou que qualquer ataque a Ali Khamenei significaria uma declaração de guerra.

"Um ataque ao grande líder do nosso país equivale a uma guerra em larga escala com a nação iraniana", disse Pezeshkian em uma publicação na rede social X, em aparente resposta a Trump.

Judiciário pode retomar execuções

Neste domingo, o porta-voz do Judiciário iraniano indicou que o país pode retomar a execução de manifestantes. "Uma série de ações foi identificada como Mohareb, o que está entre as punições islâmicas mais severas", disse Asghar Jahangir em entrevista coletiva.

Mohareb, um termo jurídico islâmico que significa travar "guerra contra Deus", é punível com a morte segundo a lei iraniana.

As execuções se somariam às mortes que ocorrem nas ruas. Um morador de Teerã disse ter testemunhado a polícia de choque atirando diretamente contra um grupo de manifestantes, em sua maioria jovens homens e mulheres. Vídeos que circulam nas redes sociais, alguns verificados pela Reuters, mostram forças de segurança reprimindo violentamente manifestações em todo o país.

Segundo o oficial iraniano, os confrontos mais intensos ocorrem em áreas curdas iranianas, no noroeste do país, onde há a atuação de forças separatistas.

Três fontes disseram à Reuters em 14 de janeiro que grupos separatistas curdos armados tentaram cruzar a fronteira do Iraque para o Irã, em um sinal de que entidades estrangeiras poderiam estar tentando se aproveitar da instabilidade.

"Sou contra este regime e participei de protestos, mas testemunhei alguns indivíduos armados disfarçados de manifestantes atirando contra civis. Eles não eram manifestantes comuns, carregavam armas e facas", disse à Reuters, sob condição de anonimato, um iraniano em uma cidade do noroeste.

gq (Reuters, OTS)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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