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EUA revogam vistos de 27 autoridades da América Latina

28 set 2026 - 18h36
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Resumo
O governo dos EUA revogou os vistos de 27 autoridades e aliados políticos da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, acusados de corrupção, narcotráfico e atentados à democracia. Integrando a estratégia regional do bloco Escudo das Américas sob a gestão Donald Trump, a medida atinge em maioria cidadãos bolivianos, incluindo o procurador-geral Roger Mariaca, além de magistrados e parlamentares de outros países, funcionando como instrumento de pressão e combate ao crime organizado no hemisfério.

Ssanções atingem integrantes do Judiciário, do Ministério Público e aliados políticos em quatro países. Washington diz que a medida faz parte da estratégia regional contra crime organizado e corrupção.O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revogou os vistos de 27 autoridades, ex-autoridades e familiares de países da América Latina acusados de corrupção, narcotráfico e de atuar contra governos democraticamente eleitos, informou nesta segunda-feira (28/09) o Departamento de Estado.

Decisão foi tomada no âmbito da força-tarefa de Trump, "Escudo das Américas"
Decisão foi tomada no âmbito da força-tarefa de Trump, "Escudo das Américas"
Foto: DW / Deutsche Welle

Os alvos da medida são cidadãos da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. Segundo Washington, as restrições integram uma estratégia mais ampla de combate à corrupção, ao narcotráfico e ao crime organizado na região. Autoridades brasileiras não foram afetadas.

Em comunicado, o Departamento de Estado afirmou que as revogações buscam "cumprir os compromissos de defender a governança democrática em nosso hemisfério contra a corrupção e o narcotráfico".

"Minar um governo democraticamente eleito representa uma ameaça à segurança e ao Estado de Direito nas Américas e não será tolerado", acrescentou o órgão.

Bolívia concentra maior número de atingidos

A Bolívia concentra a maior parte dos nomes atingidos. Entre eles estão o procurador-geral Roger Mariaca, o ex-ministro da Justiça Iván Manolo Lima, o magistrado constitucional Israel Ramiro Campero e o empresário Marcelo Claure. Também foram sancionados o promotor Martín Daniel Irusta, a juíza anticorrupção e de combate à violência contra a mulher Albania Chane Caballero, o promotor de Santa Cruz Alberto Zeballos e o coronel da polícia Frans William Cabrera.

A lista inclui ainda mais de 20 procuradores, juízes e autoridades bolivianas. Parte deles teve vistos já existentes revogados, enquanto outros foram declarados inelegíveis para obter o documento futuramente.

No caso de Mariaca, o governo americano afirma que a sanção foi aplicada com base na legislação de segurança nacional dos EUA devido à sua suposta participação em casos graves de corrupção. Segundo documentos divulgados por Washington, ele também é acusado de utilizar o cargo para solicitar e receber propinas ligadas ao narcotráfico e de ajudar criminosos a escapar da Justiça.

"O comportamento de Mariaca coloca em risco os esforços do presidente Trump para combater o narcoterrorismo, ao mesmo tempo em que enfraquece as instituições democráticas que a Bolívia, como participante do programa Escudo, busca fortalecer", afirmou o Departamento de Estado.

Mariaca, eleito para um mandato de seis anos pelo Congresso boliviano em 2024, tem sido alvo de críticas pela condução de investigações relacionadas ao tráfico de drogas. Antes de assumir o cargo, liderava promotores na região de Santa Cruz quando o suposto traficante uruguaio Sebastián Marset, atualmente sob custódia nos Estados Unidos, escapou de uma operação policial em 2023.

Nos Estados Unidos, autoridades vinculam o procurador a obstáculos nos esforços regionais de combate ao narcotráfico. Mariaca não comentou publicamente as acusações até o momento.

Colômbia, Peru e Equador também foram alvo

A medida também atinge dois colombianos: o empresário Euclides Antonio Torres e a senadora Martha Isabel Peralta, presidente do Movimento Alternativo Indígena e Social (MAIS), partido integrante da coalizão Pacto Histórico, vinculada ao governo do ex-presidente de esquerda Gustavo Petro.

No Peru, a sanção foi aplicada ao juiz Juan Carlos Núñez. O Departamento de Estado também informou que dois cidadãos do Equador e seus familiares foram atingidos pelas restrições, mas não divulgou seus nomes.

O anúncio ocorre após visitas do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, à Colômbia, ao Equador e ao Peru neste mês. Durante a viagem, Rubio manifestou apoio às iniciativas desses governos para combater o narcotráfico, o tráfico de pessoas e outras atividades do crime organizado.

Nos últimos meses, o governo Trump tem utilizado restrições de visto como instrumento de pressão diplomática, inclusive contra autoridades brasileiras, além de ferramenta de combate à corrupção e à imigração irregular. Segundo o Departamento de Estado, as medidas fazem parte dos esforços do bloco "Escudo das Américas", criado neste ano por Washington para fortalecer a cooperação regional em segurança.

"A mensagem do presidente Trump e do secretário Marco Rubio é clara: funcionários corruptos e os criminosos que eles protegem não são bem-vindos nos Estados Unidos", concluiu o comunicado.

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