EUA atingem alvos no Irã horas antes das eleições de meio de mandato
Horas antes das eleições de meio de mandato nos EUA, forças americanas atacaram a ilha iraniana de Qeshm, no estratégico Estreito de Ormuz. A ação militar, descrita como limitada e defensiva, ocorre em meio ao desgaste eleitoral de Donald Trump devido ao impacto econômico da guerra. A investida contrasta com recentes sinais de avanço diplomático, com o Irã condicionando a rápida reabertura do estreito ao fim de sanções e bloqueios, enquanto ameaça com retaliações se o conflito escalar.
Autoridades americanas descreveram os ataques à ilha de Qeshm como de natureza limitada e defensiva. Guerra impopular contra o Irã e o impacto dela nos preços são problema para Trump e republicanos.Os Estados Unidos atacaram nesta terça-feira (03/11) a ilha iraniana de Qeshm, segundo autoridades do governo americano.
Os ataques ocorreram pouco antes do início das eleições de meio de mandato nos EUA, consideradas como um "plebiscito" sobre o governo do presidente Donald Trump, que enfrenta baixos índices de popularidade.
Trump havia afirmado que os EUA não lançariam ataques ao Irã antes das eleições de meio de mandato. A guerra impopular contra o Irã e o impacto dela nos preços têm representado um ponto de vulnerabilidade para o Partido Republicano, que busca manter o controle do Congresso.
A ilha de Qeshm se encontra numa localização estratégica no Estreito de Ormuz, uma via de navegação essencial para o escoamento da produção de petróleo e gás natural do Oriente Médio que se tornou um ponto central do conflito entre os EUA e o Irã, desestabilizando os mercados globais.
Autoridades americanas não identificadas, citadas pelos jornais americanos The Wall Street Journal (WSJ) e The New York Times, pela emissora CNN e por agências de notícias, descreveram os ataques como de natureza limitada e defensiva. O WSJ afirmou que esta foi apenas a mais recente de várias operações militares dos EUA na região não reconhecidas oficialmente.
Segundo o jornal, os ataques não foram anunciados publicamente para evitar a impressão de que Washington teria intenções de retomar operações de combate em larga escala.
A mídia estatal iraniana relatou que explosões foram ouvidas nas ilhas de Qeshm e Hengam, no Estreito de Ormuz, e na região continental próxima de Bandar Abbas. Alguns moradores afirmaram ter visto duas aeronaves sobrevoando a região.
Segundo informações divulgadas pelas agências de notícias Reuters e Associated Press, os ataques americanos teriam atingido instalações de mísseis utilizados contra alvos americanos na região.
Sinais contraditórios de Washington
Os EUA e Israel iniciaram o conflito com o Irã em fevereiro, com uma onda massiva de ataques ao território iraniano.
Os ataques desta terça-feira ocorreram horas depois de Trump sinalizar um possível acordo de paz com Teerã. "O Irã quer um acordo, o mais rápido possível", escreveu o republicano em sua rede social, a Truth Social.
Trump, no entanto, afirmou à emissora americana Fox News - horas antes da abertura dos locais de votação - que os EUA ainda poderiam "ter de atacar a Montanha da Picareta", se referindo a uma instalação subterrânea fortificada no centro do Irã. O local está sob suspeita de abrigar atividades nucleares, embora Teerã negue a existência de uma instalação desse tipo.
O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, declarou que tanto ele quanto Trump estavam otimistas quanto à possibilidade de se chegar a um acordo. "Certamente fizemos algum progresso. Veremos se conseguimos avançar ainda mais", disse Vance nesta segunda-feira.
Na semana passada, o portal de notícias Axios relatou que Vance enviou uma carta ao chefe de segurança nacional do Irã, Mohsen Rezaei, sobre uma possível retomada das negociações, no que teria sido o contato de mais alto nível entre os dois países em meses.
O primeiro vice-presidente do Irã, Mohammad Reza Aref, afirmou que as mensagens recebidas de Washington representam "um reconhecimento da nossa vitória".
Irã tem plano de reabertura em dois dias
O ministro do Exterior do Irã, Abbas Araghchi, confirmou que negociações indiretas com os Estados Unidos estão em curso. "Dada a sensibilidade e a gravidade da situação atual, as consultas e deliberações estão sendo muito intensas", declarou.
Nesta terça-feira, Mohammad Bagher Ghalibaf, o principal negociador de Teerã nas conversas com os EUA, afirmou que o Irã, embora esteja preparado para a guerra, apresentou uma "resposta racional" a Washington. "Agora, cabe aos Estados Unidos evitar a guerra", pontuou.
Uma autoridade iraniana de alto escalão declarou que o Irã estaria pronto para reabrir o Estreito de Ormuz num prazo de dois dias, mas apenas se Washington concordar com uma lista de exigências apresentada por Teerã.
Os preços do petróleo despencaram mais de 7% nesta segunda-feira, impulsionados pelo otimismo quanto a um possível fim do conflito, que já dura oito meses.
Teerã rejeita novas concessões
Em setembro, o Irã propôs um plano de sete dias para a reabertura do estreito, que incluía demandas como o encerramento da guerra em todas as frentes, o descongelamento de ativos iranianos, a suspensão das sanções ao petróleo e o fim do bloqueio aos portos iranianos.
"A possibilidade de implementar esse plano em dois dias é mais um indicativo da boa-fé do Irã", disse Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério iraniano do Exterior.
Em entrevista à emissora Al Jazeera, divulgada neste domingo, Araghchi afirmou que os EUA devem aceitar uma nova rota, acordada entre o Irã e Omã, para o tráfego marítimo através do estreito.
Ele acrescentou que Washington também deve remover as sanções impostas recentemente e reduzir o contingente de tropas americanas na região.
Autoridades iranianas alertaram repetidamente que haverá retaliações de grande escala caso os EUA retomem a guerra.
rc/as (AFP, ots)
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