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Estudo revela possível ligação entre bactéria intestinal na infância e aumento de câncer colorretal em jovens

O avanço da doença em faixas etárias mais jovens intriga especialistas, pois as principais causas conhecidas, como alimentação rica em ultraprocessados, álcool, tabagismo e sedentarismo, são associadas a fases posteriores da vida

12 jun 2025 - 15h04
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O câncer colorretal, historicamente mais comum após os 50 anos, tem se tornado cada vez mais frequente entre pessoas com menos de 40. Nos Estados Unidos, por exemplo, a taxa de incidência entre os 30 e 34 anos subiu 71% entre 1999 e 2020. O avanço da doença em faixas etárias mais jovens intriga especialistas, pois as principais causas conhecidas, como alimentação rica em ultraprocessados, álcool, tabagismo e sedentarismo, são associadas a fases posteriores da vida.

Foto: HCPA/Divulgação / Porto Alegre 24 horas

Um estudo publicado na revista Nature trouxe novas pistas sobre essa mudança no perfil dos pacientes. A pesquisa, que faz parte do projeto internacional Mutographs, identificou uma possível relação entre o desenvolvimento precoce do câncer de intestino e a exposição, durante a infância, à toxina colibactina, produzida pela bactéria Escherichia coli (E. coli) — agente comum de infecções intestinais infantis.

A colibactina deixa mutações específicas no DNA das células. De acordo com o estudo, essas alterações genéticas estavam três vezes mais presentes em pacientes com menos de 40 anos em comparação com aqueles com mais de 70. A hipótese dos pesquisadores é que, há cerca de duas décadas, cepas mais agressivas de E. coli tenham se tornado mais prevalentes, aumentando os riscos de infecções com potencial cancerígeno.

Entre os autores do artigo estão três pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS): Patrícia Ashton Prolla (Genética), Daniel Damin (Cirurgia) e Francine Hehn (Patologia). Eles integraram o grupo que analisou o genoma completo de 981 pacientes com câncer colorretal, de diversos países. Dessas amostras, 159 eram brasileiras.

A próxima fase do estudo investigará fatores geográficos que possam influenciar as mutações genéticas associadas ao câncer. Para isso, os cientistas vão analisar o DNA constitutivo, ou seja, o DNA herdado dos pais, presente em células não tumorais.

Segundo os pesquisadores, o estudo reforça a importância da detecção precoce do câncer colorretal. Atualmente, o rastreamento com colonoscopia é recomendado a partir dos 45 anos. O exame permite identificar pólipos, lesões que podem levar ao câncer caso não sejam removidas. Esses pólipos levam, em média, oito anos para evoluírem até um estágio invasivo, o que torna a prevenção eficaz e viável em comparação com outros tipos de câncer.

"Investir em rastreamento e prevenção do câncer de cólon pode gerar os maiores impactos em saúde pública no longo prazo", destaca Francine Hehn.

Além disso, cientistas do Reino Unido trabalham no desenvolvimento de um teste rápido para detectar colibactina nas fezes de crianças, o que poderá futuramente reduzir os casos precoces ao identificar riscos ainda na infância.

*Com a informação JU/UFRGS

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