Entenda por que adolescentes se afastam dos pais e como reconstruir a conexão
Mudanças cerebrais e busca por autonomia explicam comportamento; especialistas indicam escuta ativa e validação de sentimentos como caminhos
A transição para a adolescência costuma ser marcada por portas fechadas e distanciamento familiar. Enquanto os jovens passam por intensas transformações, muitos pais encontram dificuldades para manter o vínculo. Um levantamento do Pew Research Center revelou que 62% dos pais enfrentam desafios significativos ao lidar com filhos nessa fase.
O que diz a ciência sobre o comportamento
A adolescência é uma fase de mudanças rápidas. Segundo a neurocientista cognitiva Sarah-Jayne Blakemore, o desenvolvimento dos jovens é marcado por alterações no cérebro, incluindo uma "poda" do excesso de massa cinzenta. Nesse período, há uma crescente demanda por autonomia e privacidade.
Além disso, os parâmetros de avaliação mudam. Enquanto os pais avaliam as características dos filhos em relação a um adulto, os jovens passam a se comparar aos colegas. A razão neurológica exata pela qual os adolescentes tendem a escutar mais os amigos do que os pais [a confirmar com fonte do escopo apurado], mas a ciência aponta que o grupo tem um papel central: pesquisas demonstram que ter pelo menos uma amizade forte e saudável melhora a autoestima, diminui a ansiedade e garante bom desempenho escolar.
Onde a comunicação falha
Muitas vezes, o distanciamento ocorre por falhas na comunicação dentro de casa. A especialista em inteligência emocional Núria Santos explica que, na ausência de um espaço seguro onde o jovem possa expressar suas dores sem julgamento, a busca por escuta ocorre em outros ambientes.
Os pais também enfrentam barreiras emocionais para ouvir. O psicanalista Mário Corso aponta que escutar a fragilidade dos filhos pode ser um "abismo" para os adultos. Movidos pela angústia, muitos pais interrompem a fala do adolescente com respostas defensivas ou conselhos não solicitados, impedindo uma escuta verdadeira.
Essa dinâmica cria uma percepção distorcida. Um relatório do National Center for Health Statistics mostrou que os pais são quase três vezes mais propensos a acreditar que fornecem suporte emocional do que os próprios adolescentes a afirmarem que recebem esse apoio.
Como os pais podem se conectar
Para reconstruir a relação, especialistas recomendam mudanças práticas no dia a dia:
- Valide os sentimentos: Se o jovem comunica tristeza ou angústia, a primeira resposta não deve ser de correção, mas de acolhimento.
- Crie momentos sem telas: Refeições em família ou conversas antes de dormir ajudam a reconstruir a intimidade e o contato visual.
- Conheça o mundo do filho: A psiquiatra Danielle H. Admoni ressalta a importância de saber quem são os amigos do adolescente, seus esportes preferidos e como é o seu dia a dia.
- Pratique a escuta ativa: Ouça até o final, sem interrupções, e deixe para emitir opiniões apenas quando o jovem terminar de falar.
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