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Lula promete avançar 40 anos em 4 e diz que não terá tempo de brigar com Alckmin

O ex-presidente também observou que as pessoas terão de se acostumar com o fato de que, agora, ele chama o vice da chapa de 'companheiro'

28 abr 2022 23h50
| atualizado em 29/4/2022 às 08h29
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08/10/2021
REUTERS/Ueslei Marcelino
08/10/2021 REUTERS/Ueslei Marcelino
Foto: Reuters

Em ato político do PSB nesta quinta-feira, 28, em Brasília, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu entregar avanços de "40 anos em 4", caso seja eleito para o Palácio do Planalto. Foi uma referência ao Plano de Metas do ex-presidente Juscelino Kubitschek, que tinha como mote "50 anos em 5".

Lula afirmou que Jair Bolsonaro é o presidente "mais capacho" do Congresso que o País já teve e chamou o "orçamento secreto" de "podridão". Por meio do esquema, revelado pelo Estadão no ano passado, o governo distribui verbas a aliados, sem transparência, em troca de apoio parlamentar.

Ao lado do ex-governador Geraldo Alckmin, Lula também disse que, num eventual novo mandato, "não terá tempo de brigar" com ele. Alckmin vai concorrer como vice na chapa.

Lula também disse que Bolsonaro não é religioso e, em tom irônico, afirmou que ele tomou banho no Rio Pinheiros, e não no Rio Jordão, em Israel. "Nós nunca vimos esse homem (Bolsonaro) visitar uma família que teve gente que morreu de covid. Esse homem nunca chorou. Ele negou a vacina o tempo inteiro. Ainda abusa da vontade do povo brasileiro, e é mentiroso, porque ele fala que é evangélico. Olha a cara dele. Ele não crê em Deus", afirmou o petista. "Esse cidadão, efetivamente, acho que não foi tomar banho no Rio Jordão. Ele se banhou no Rio Pinheiros mesmo", ironizou, numa referência ao rio de São Paulo que é altamente poluído. Em 2016, Bolsonaro foi batizado no Jordão, em Israel.

Ao definir o chefe do Executivo como "capacho" do Congresso, Lula afirmou que Bolsonaro não respeita as instituições. "Eu tenho fé em Deus que a gente vai fazer um orçamento participativo, para a gente acabar com essa podridão desse tal de orçamento secreto", insistiu. "Na verdade, hoje, os ministros, para pedir dinheiro, não ligam mais para o presidente, não ligam mais para o Ministério do Planejamento. Ligam para o presidente da Câmara, que vai liberando as emendas."

No Congresso da Autorreforma do PSB, Lula também observou que as pessoas terão de se acostumar com o fato de que, agora, ele chama Alckmin de "companheiro". "Nós temos um compromisso. Nem você vai ter tempo de brigar comigo, nem eu vou ter tempo de brigar com você, porque nós vamos ter de dedicar todo o nosso tempo a brigar com quem precisar brigar para recuperar a dignidade e a qualidade de vida do povo brasileiro", disse o petista a Alckmin.

O ex-presidente prometeu reduzir a inflação, aumentar o salário mínimo, valorizar os pequenos agricultores e incentivar o empreendedorismo. "Nós vamos ter quatro anos. Vamos ter que fazer em quatro anos o que seria necessário fazer em 40. Vamos pegar as nossas experiências, porque nós já governamos", disse Lula. Depois, virando-se para o vice de sua chapa, que foi 33 anos do PSDB, acrescentou: "Você (Alckmin) já governou um Estado importante como São Paulo e eu já governei este País."

Alckmin, por sua vez, afirmou que está unido com Lula "por um dever", ouviu o Hino da Internacional Socialista, característico da esquerda, e elevou o tom das críticas ao presidente Jair Bolsonaro (PL). O ex-governador começou seu discurso com a saudação "Companheiras e companheiros", usada pelos petistas.

"Nós nos defrontamos em eleições, disputamos o mesmo cargo, o fizemos dentro da regra democrática. Hoje, estamos unidos por um dever", justificou Alckmin, ao citar sua aliança com o ex-presidente. O lançamento oficial da chapa Lula-Alckmin ao Palácio do Planalto está marcado para 7 de maio.

Ao criticar as motociatas de Bolsonaro e o negacionismo do governo na pandemia de covid-19, Alckmin disse que Lula e ele têm o dever de vencer a eleição. "O Brasil vive um momento triste. Desemprego, carestia, tomate vendido por grama, 116% de aumento, sofrimento da população, morte", elencou o ex-governador. "Governo negacionista, negando a vacina. É inaceitável que tenhamos um governo que não respeita a vida."

No mês passado, quando se filiou ao PSB após passar 33 anos no PSDB, Alckmin usou a defesa da democracia como argumento para justificar a aliança com Lula. Antigo adversário do PT, o ex-tucano vestiu o figurino de candidato a vice na chapa que disputará o Palácio do Planalto. Na ocasião, disse que não se faz política olhando pelo retrovisor e definiu Lula como quem melhor representa a "esperança do povo brasileiro" nos dias de hoje.

Estadão
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