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Lula ganha apoio formal de Tebet e FHC e amplia leque de alianças para 2º turno

5 out 2022 - 20h50
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Depois de dois dias de negociações nos bastidores, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oficializou nesta quarta-feira um grupo de apoios que amplia o seu leque de alianças para enfrentar o candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto.

Depois de receber na terça-feira o apoio do PDT e, mesmo sem empolgação, do candidato presidencial do partido, Ciro Gomes, Lula recebeu em seu palanque nesta quarta-feira a candidata do MDB, Simone Tebet --terceira colocada no primeiro turno--, além do apoio explícito do presidente de honra do PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e do economista Pérsio Arida.

Tebet, ao anunciar seu apoio, disse que, apesar das críticas que fez durante a campanha, vê em Lula um compromisso com a democracia que Bolsonaro não tem. Lula e Tebet tiveram um almoço privado na casa da ex-deputada Marta Suplicy, onde conversaram sobre as condições para adesão da senadora. Tebet pediu a inclusão de cinco pontos de seu programa de governo no programa de Lula, o que foi prontamente aceito pelo petista.

"Eu acho que a Simone fez uma coisa muito digna. Ela quer que parte do programa que ela defendia seja incluído no nosso programa. As reivindicações delas são totalmente possíveis de serem cumpridas", disse Lula em entrevista ao final de um evento com governadores e senadores aliados.

O ex-presidente disse ainda que quer Tebet viajando com ele, uma vez que há candidaturas de governadores do MDB no segundo turno em alguns Estados que eles podem trabalhar juntos.

Já FHC, aos 91 anos, fez a declaração de apoio via redes sociais. "Neste segundo turno voto por uma história de luta pela democracia e inclusão social. Voto em Luiz Inácio Lula da Silva", escreveu FHC em uma postagem com duas fotos antigas com Lula. Em um segundo post, acrescentou: "A luta contra a ditadura contou com a coragem de muitos brasileiros", acompanhada de outra foto com Lula, na década de 1970.

Em um evento em que reuniu algumas dezenas de senadores e governadores de diversas matizes ideológicas que o apoiam, Lula se disse emocionado com o apoio do líder tucano.

"Eu fiquei muito feliz com as fotografias que o Fernando Henrique colocou da nossa relação", disse, afirmando que quer ir com seu vice, o ex-tucano Geraldo Alckmin, visitá-lo, sem fotos ou imagens, mas como visita de amigo, "já que o tempo passa rápido demais".

SENADORES E GOVERNADORES

No final da tarde, Lula reuniu cerca de 40 senadores e governadores, eleitos ou já no cargo, que declararam apoio à sua candidatura e ofereceram sugestões. O grupo inclui petistas e outros nomes de esquerda, emedebistas que já o apoiavam explicitamente no primeiro turno, nomes do PSD e outros.

Um dos destaques do encontro foi o governador do Pará, Helder Barbalho que, por conta de uma ampla aliança estadual no primeiro turno, havia evitado o apoio explícito, mas agora, reeleito, abraçou a candidatura de Lula.

Já a senadora Kátia Abreu (PP), ex-ministra de Agricultura no governo Dilma, também se uniu ao grupo e quer ser mais uma ponte com o agronegócio. Ela disse que tenta desfazer as questões ideológicas que hoje cercam o apoio do agro a Bolsonaro e, apesar de admitir que é difícil, diz que não se pode perder a esperança com nenhum voto.

"Todos os votos são importantes e o agro é importantíssimo", defendeu.

A sequência de apoios ao ex-presidente conseguiu dominar as redes sociais nesta quarta. De acordo com o especialista em redes sociais Pedro Barciela, os apoios declarados a Lula por Tebet, Ciro, PDT, FHC, Pérsio Arida e o governador Helder Barbalho (PA) superaram em mais de duas vezes as menções nas redes sociais aos apoios obtidos por Bolsonaro nos dois últimos dias, com picos na tarde desta quarta.

Em entrevista a jornalistas, Lula afirmou que vai intensificar as agendas de viagem nesse segundo turno, inclusive para o Sul e Sudeste, onde crê que é possível conseguir mais votos. O ex-presidente foi derrotado por Bolsonaro em todos os Estados do Sul e só ganhou em Minas Gerais no Sudeste.

"Minha ideia é ir a todos os Estados que tiver candidatura a governador, em todos eu pretendo ir ajudar. E em Estados que não temos mas são importantes eu quero ir também porque quero ganhar do Bolsonaro", afirmou.

O resultado da primeira pesquisa Ipec do segundo turno (51% a 43% para Lula), divulgado durante a reunião, animou os presentes no encontro e foi motivo de comemoração.

Apesar das dúvidas lançadas pelo fato dos levantamentos não terem conseguido captar no primeiro turno um aumento nos índices de Bolsonaro, que terminou apenas 5 pontos percentuais atrás de Lula --a expectativa era algo em torno de 10 pontos-, a avaliação é que o resultado do levantamento confirma a hipótese de um adiantamento de voto útil no atual presidente para evitar que Lula vencesse no primeiro turno, mas que essa onda parou.

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