Fed divulga ata em meio a debate entre analistas sobre se Warsh irá reduzi-la
A ata da primeira reunião de política monetária do Federal Reserve presidida por Kevin Warsh, a ser divulgada nesta quarta-feira, poderá oferecer uma visão mais clara da "briga de família" que, segundo o novo líder do banco central dos Estados Unidos, ocorreu ao longo de dois dias no mês passado, quando as autoridades decidiram manter a taxa de juros inalterada e enfatizaram seu compromisso com o controle da inflação.
Entre as maiores incertezas em torno da divulgação da ata da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) realizada entre 16 e 17 de junho, está a questão de saber se Warsh a reformulará da mesma forma que fez com o comunicado divulgado após o encontro, do qual foram removidas todas as orientações futuras e reduzidas as descrições das condições econômicas atuais.
As autoridades do Fed presentes na reunião concordaram por unanimidade em manter a taxa de referência na faixa de 3,50% a 3,75%. Enquanto isso, as previsões atualizadas apresentadas por todos, exceto Warsh, mostraram um comitê que se afastou dos cortes nos juros que havia projetado anteriormente e que agora estava dividido entre aqueles que consideram que manter os juros é o melhor caminho neste ano e aqueles que veem a necessidade de aumentá-los pelo menos uma vez diante da inflação impulsionada pela guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.
A inflação está cerca do dobro da meta de 2% do Fed, enquanto o mercado de trabalho parece ter se estabilizado após uma tendência de enfraquecimento durante a maior parte do ano passado.
Warsh foi nomeado pelo presidente Donald Trump, que deseja juros mais baixos e repreendeu o ex-chair Jerome Powell por não ter feito isso com rapidez suficiente. Mas Warsh adotou um tom hawkish durante sua primeira coletiva de imprensa — enfatizando repetidamente o mandato do Fed de controle da inflação, ao mesmo tempo em que mal mencionou sua meta de pleno emprego. Os investidores agora esperam pelo menos um aumento dos juros este ano.
O novo chair prometeu grandes reformas para o banco central e, após a reunião, anunciou a formação de cinco grupos de trabalho para revisar a forma como o Fed conduz suas atividades, abrangendo tudo, desde sua estratégia de comunicação até os dados que utiliza para avaliar a economia.
Com as mudanças no comunicado de política monetária, as atas podem ganhar ainda mais peso para ajudar investidores e analistas a compreender o raciocínio do Fed — a menos que o Fomc, sob a liderança de Warsh, reduza o nível de detalhes fornecidos sobre os argumentos e os dados econômicos apresentados na reunião.
Ao descrever as diferentes visões expressas na reunião e o número de autoridades do Fed que concordam ou discordam, as atas podem fazer com que diferentes decisões sobre a taxa de juros pareçam mais ou menos prováveis no futuro, ou até mesmo começar a preparar o terreno para eventuais mudanças na política monetária.
Isso pode se aproximar do tipo de orientação futura que Warsh deseja evitar, fato que leva alguns analistas a esperar que a ata seja mais curta e provavelmente mais austera em termos das informações fornecidas.
"Warsh evitou explicitamente dar orientações sobre a política monetária no comunicado e na coletiva de imprensa, então parece improvável que ele permita tal orientação por meio da ata", disse Steve Englander, chefe de estratégia macroeconômica para a América do Norte do Standard Chartered.
"Sua imagem de uma 'briga de família' para caracterizar uma discussão vigorosa sobre a política monetária também pode carregar a conotação de sigilo que costuma estar associada a brigas de família."
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