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Candidatos de direita começam a mirar em Flávio Bolsonaro de olho no 2º turno da eleição

Políticos tentam conquistar eleitores do mesmo campo político e questionam atuação, propostas e capacidade eleitoral do senador

31 jul 2026 - 04h58
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Flávio Bolsonaro se torna alvo de candidatos de direita
Flávio Bolsonaro se torna alvo de candidatos de direita
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

Líder entre os candidatos de direita e atrás apenas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas de intenção de voto, Flávio Bolsonaro (PL) passou a ser alvo cada vez mais frequente dos adversários que disputam o mesmo campo político. Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) têm elevado o tom das críticas ao senador, em movimentos que também refletem a disputa por uma eventual vaga no segundo turno da eleição presidencial de 2026.

As ofensivas ocorrem enquanto os três candidatos buscam ampliar seu espaço entre eleitores alinhados à direita e, ao mesmo tempo, se apresentar como alternativas ao nome escolhido pelo PL para a sucessão de Lula. As críticas vão de questionamentos sobre a atuação de Flávio nos Estados Unidos e sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro a ataques sobre sua capacidade de apresentar propostas e construir uma candidatura própria.

Caiado intensifica ataques a Flávio

Ronaldo Caiado foi um dos que mais endureceram o discurso contra o candidato do PL. Durante a convenção que oficializou sua candidatura, em 26 de julho, chamou Flávio, sem citar seu nome, de “candidato kinder ovo, uma surpresinha todo dia”, em referência a revelações envolvendo o senador, entre elas o pedido de R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, a foto ao lado de “Sicário” e a divulgação, pelo Metrópoles, de notas fiscais do escritório de Flávio para empresa ligada ao ex-banqueiro.

Na sequência, Caiado voltou a fazer referência ao adversário e o chamou de “frango de granja”. “Você já viu frango de granja? É aquele candidato que na vida não tem como explicar. Qualquer coisa fala assim: ‘chama o papai [Jair Bolsonaro], vou ler uma carta dele’. Come a raçãozinha, toma água com antibiótico e fica na sombra", disse ele.

Nesta quarta-feira, 29, o ex-governador de Goiás criticou a convenção do PL, que contou com a presença do presidente da Argentina, Javier Milei, e a exibição de um vídeo produzido por inteligência artificial com Jair Bolsonaro. Para Caiado, Flávio acabou ofuscado no próprio evento.

Caiado acusa Lula e Flávio de 'agressões' e 'roubarem com mão direita e esquerda' em evento partidário:

“Foi ali um evento, uma convenção em que o candidato perdeu para um argentino e perdeu para um avatar. Ali não tinha presença do candidato, não tinha proposta. E o pior, desce um nível tão rasteiro de agressão. De repente, ao invés de nós discutirmos temas nacionais, nós estamos discutindo o problema de agressão aos Estados Unidos, com a Argentina”, afirmou em Brasília.

O presidente do PSD e candidato a vice na chapa, Gilberto Kassab, também criticou o evento e disse que Flávio “não quer discutir o Brasil”. “A convenção fugiu dos objetivos que a sociedade brasileira espera. Ela esperava lá a apresentação de um candidato com propostas. Ele traz um presidente de outro país, um país que tem relações importantes com o Brasil, para fazer um bate-boca com o atual governo, que cai na armadilha e também baixa o nível”, afirmou.

Caiado ainda atacou a atuação de Flávio nos Estados Unidos após Donald Trump confirmar uma nova taxação sobre produtos brasileiros. O senador havia participado de uma audiência do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), na qual defendeu que o Brasil não fosse taxado porque a medida prejudicaria as eleições.

Para Caiado, a declaração foi "inaceitável" e demonstrou preocupação com interesses eleitorais. "Com todo respeito a ele, o Flávio, em se colocar em uma sessão nos Estados Unidos, em dizer que adie a tarifação a partir da eleição. É inaceitável isso", disse durante evento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em Brasília. As críticas fazem parte da tentativa de Caiado de disputar diretamente o eleitorado de Flávio e ampliar suas chances de chegar ao segundo turno.

Zema critica Flávio, mas já havia declarado apoio no 2º turno

A relação entre Romeu Zema e Flávio Bolsonaro também passou por momentos de aproximação e confronto. O ex-governador de Minas Gerais chegou a ser cotado para ocupar a vice na chapa do senador e, no fim de abril, afirmou que apoiaria Flávio em um eventual segundo turno. "Eu falo que eu estou junto para poder tirar o PT de lá", disse à época.

Nos meses seguintes, porém, Zema elevou o tom contra o candidato do PL, principalmente após a divulgação de áudios e mensagens em que Flávio pede dinheiro a Vorcaro. O mineiro classificou a atitude como "imperdoável".

Em vídeo publicado nas redes sociais, afirmou: "Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa". Zema também disse que "é preciso ter credibilidade para mudar o Brasil".

Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e candidato do Novo à Presidência da República
Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e candidato do Novo à Presidência da República
Foto: Wilton Junior/ Estadão / Estadão

Em junho, o ex-governador voltou ao tema e afirmou que "nunca foi próximo" de Flávio. "Nós nunca fomos próximos. Estive mais próximo do Bolsonaro, porque fui governador enquanto [ele era] presidente. Foi um presidente que levou coisas boas para os mineiros e com o senador não tive muito contato. Tive agora no começo do ano em alguns momentos e não concordo com quem lida com esse banqueiro [Daniel Vorcaro], talvez o maior banqueiro bandido da história. Não posso aplaudir ninguém que se aproximou desse banqueiro", disse em entrevista.

Apesar das críticas, Zema evitou transformar Flávio no principal alvo durante a convenção do Novo que oficializou sua candidatura. O ex-governador concentrou o discurso em ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao PT e em propostas como a criação de um superpresídio na Amazônia.

Renan questiona candidatura do senador

Renan Santos também tem adotado uma postura mais dura em relação a Flávio. Após o senador levantar dúvidas sobre as urnas eletrônicas brasileiras com base em documentos da CIA divulgados pelo governo dos Estados Unidos, Renan afirmou que ele fez o Brasil passar “vergonha internacionalmente”. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou as alegações apresentadas por Flávio.

O candidato do Missão ainda questionou se o senador estaria prejudicando a própria campanha: “O que ele [Flávio Bolsonaro] ganha fazendo isso? Será que ele quer tirar a candidatura dele? Será que, no fundo, ele está se autossabotando, imaginando que ele tem outros problemas que podem levar a não ganhar a eleição?”.

Renan Santos também tornou Flávio um dos grandes alvos de suas críticas
Renan Santos também tornou Flávio um dos grandes alvos de suas críticas
Foto: Divulgação/Partido Missão / Estadão

Em outra ocasião, Renan chamou Flávio de "criminoso" e afirmou que o senador não teria condições de derrotar Lula. Para ele, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro nunca teria demonstrado interesse em construir uma candidatura própria. "Flávio nunca quis ser presidente. Flávio sempre esteve lá em Brasília para fazer negócios. O lance do Flávio é ficar rico e comprar imóveis", afirmou.

Renan também criticou Flávio no contexto da taxação imposta pelos Estados Unidos ao Brasil. "Enquanto ele finge que se importa e faz compras na Disney, após seu irmão pedir para os EUA nos taxar, eu e meu partido reduzimos o IPVA na CCJ do Congresso. Simplesmente não há como comparar", declarou em nota divulgada por sua assessoria.

Aliados reagem com apelo à união da direita

Diante dos ataques vindos de candidatos do próprio campo político, a convenção nacional do PL que oficializou Flávio foi marcada por discursos em defesa da "união" da direita. Realizado em 25 de julho, no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, em São Paulo, o evento reuniu lideranças como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o deputado estadual André do Prado (PL), candidato ao Senado.

Nunes afirmou que a confirmação da candidatura de Flávio dá início à “onda azul que vai salvar o país” e pediu que as disputas internas fossem deixadas de lado. "A gente tem tudo para ganhar essa eleição. A gente precisa de união, o time é esse, está montado. A gente unido, sem errar, todo mundo caminhando para a mesma direção", afirmou. "Aí vem um cara falar que é mais de direita que o outro. Parem de divisão, está decidido. Nós precisarmos estar todos unidos e todos juntos”, pediu.

A estratégia de Flávio para os debates também leva em conta o risco de se tornar o principal alvo dos adversários. O senador sinalizou que pretende participar apenas dos debates televisivos que tenham Lula entre os participantes. A avaliação de sua equipe é que, sem o presidente no palco, Flávio poderia concentrar os ataques dos demais concorrentes ao Palácio do Planalto, justamente em um momento em que adversários de direita passaram a mirar com mais frequência o candidato do PL.

Fonte: Portal Terra
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