Sem vice definido, Novo oficializa Zema como candidato à Presidência
Ex-governador foi oficializado pelo Novo nesta segunda, em Brasília, mas ainda busca um vice e tenta ganhar espaço na disputa
A candidatura do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, à Presidência da República foi oficializada pelo Novo nesta segunda-feira, 27, em Brasília. Sem um vice definido, o partido lança o mineiro em uma disputa desafiadora: além de não contar com o apoio de grandes legendas, ele aparece distante dos líderes nas pesquisas de intenção de voto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
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A convenção nacional do Novo teve a presença do presidente da legenda, Eduardo Ribeiro, e marcou o primeiro discurso de Zema como candidato oficial ao Planalto. Durante o evento, o ex-governador de Minas Gerais agradeceu aos integrantes do partido e afirmou reunir as credenciais necessárias para disputar a Presidência da República.
"Agradecer todos do Partido Novo aqui pela presença e também por endossarem unanimamente meu nome agora a pouco na convenção como pré-candidato e candidato à presidência da República e, como já foi dito aqui, eu me considero com todas as credenciais. Modesta parte até mais do que os meus concorrentes", disse.
Após agradecer a confiança do partido, Zema afirmou que tem o compromisso de apresentar aos brasileiros um projeto de país baseado em responsabilidade fiscal, combate à corrupção, geração de empregos e fortalecimento da economia. "O Brasil não aguenta mais quatro anos de Lula. Se tem alguém que sabe como derrotar o PT, sou eu. Sou o mais qualificado para fazer o Brasil prosperar novamente, assim como fiz em Minas", acrescentou.
Ao defender sua candidatura, Zema ressaltou a experiência como empresário antes de entrar na política e afirmou ser o único candidato à Presidência que conhece o "Brasil real". O ex-governador também citou o processo movido contra ele pelo ministro do STF Gilmar Mendes. Nos últimos meses, o candidato do Novo passou a intensificar as críticas ao Supremo, inclusive com publicações nas redes sociais, após relacionar integrantes da Corte ao caso que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Em outro trecho do discurso, ao apresentar propostas para a área de segurança pública, o candidato defendeu medidas mais rígidas contra organizações criminosas. Entre as propostas citadas, está o enquadramento de facções como organizações terroristas, medida que, segundo ele, já deveria ter sido adotada pelo país. Zema também afirmou que pretende construir um "superpresídio" em uma área remota do Brasil, "de preferência no meio da Amazônia", para concentrar líderes de facções criminosas.
Já o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, afirmou que Zema demonstrou coragem ao disputar a Presidência e resgatou a gestão do ex-governador em Minas Gerais ao fazer críticas ao Partido dos Trabalhadores no estado. "Se tem algo, talvez o maior legado que o Zema tenha deixado em Minas Gerais, e que é o que nós vamos buscar mostrar para o brasileiro, que é capaz de fazer no Brasil, é que uma boa gestão com pessoas decentes, qualificadas, competentes, íntegras e corajosas enterra o PT, como nós enterramos o PT em Minas Gerais, nós vamos enterrar o PT", afirmou Ribeiro.
Empresário e sua trajetória política
Empresário antes de ingressar na política, Zema foi governador de Minas Gerais entre 2019 e março de 2026, quando deixou o cargo para disputar a Presidência da República. Nascido em Araxá (MG), o candidato tem 61 anos e é formado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
A relação de Zema com a família Bolsonaro vem de anos anteriores. Em 2022, ele declarou apoio a Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial. Mais recentemente, passou a fazer críticas a Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Planalto e filho do ex-presidente, por causa das relações do senador com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado em um esquema de fraude bilionária. Zema também negou que seria vice em uma eventual chapa com Flávio.
Sobre a composição da chapa presidencial, o candidato afirmou nesta segunda-feira que o Novo ainda não escolheu um nome para a vaga de vice e que a definição ocorrerá até o prazo final estabelecido pela legislação eleitoral, em 5 de agosto. Segundo Zema, o partido busca um nome com "ficha limpa" e que esteja comprometido com a proposta de não ceder a pressões políticas. Ele disse ainda que há negociações com pessoas de fora da legenda, mas não descartou uma chapa formada apenas por integrantes do Novo.
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