CEO da Nexus avalia que crise no STF aumentou a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro na eleição: 'Impacto não foi grande para nenhuma das campanhas'
Pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira, 14, mostra empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno
Avaliando o impacto da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) nos últimos dias, Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, afirmou ao Terra que os acontecimentos relativos à Corte não incidiram diretamente sobre as campanhas dos candidatos à Presidência.
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"O Lula ficar à frente após a crise do STF escalar é, na verdade, na minha visão, algo esperado porque, quando crises como essas surgem, há tanta profusão de notícias e de novidades que, chega uma hora, o eleitor comum tende a ouvir menos os ruídos e a seguir com sua decisão. A gente vê que o impacto não foi grande para nenhuma das campanhas. Ninguém perdeu voto demais falando, ninguém ganhou voto demais", analisou.
A nova rodada de pesquisa Nexus/BTG, publicada na segunda-feira, 14, mostra que o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 42% das intenções de voto no 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) tem 37%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para Tokarski, a crise na instituição reforçou a polarização, de modo que os eleitores de Lula e Flávio entendem que um dos lados está envolvido na crise da Corte, e vice-versa, o que estaria cristalizando ainda mais a disputa entre ambos.
“A gente tem um cenário cada vez mais polarizado entre Lula e Flávio Bolsonaro. Há duas semanas, quando o Augusto Cury (Avante) surgiu como uma novidade, ele tirou um pouco de votos do Lula e do Flávio, chamou a atenção do eleitorado, mas ele não conseguiu se manter. Ele tinha 11%, caiu para 9% na semana passada e agora caiu para 6%. Esse eleitor voltou para o Lula e para o Flávio”, apontou.
Em referência a Cury, o CEO avaliou que a “terceira via” acabou “desidratando” nas últimas pesquisas, o que dá margem para que Lula e Flávio cheguem tranquilamente ao 2º turno. Os candidatos ficaram empatados tecnicamente em uma simulação de 2º turno, após Lula oscilar um ponto para baixo e Flávio um ponto para cima.
“O Flávio manteve os mesmos 46% e o Lula foi a 47%, ou seja, também continua um empate técnico [em um possível 2º turno]. Mas o Lula deu uma reagida e cresceu um pouco mais no 1º turno. A gente tem um cenário provável de 1º turno com Lula e Flávio, pois Lula está muito distante de ganhar no 1º turno”, ressaltou.
As intenções de votos em Augusto Cury
O candidato Escritor Augusto Cury (Avante) surpreendeu em uma das pesquisas BTG/Nexus quando saltou de 2% para 11% nas intenções de votos para a presidência. Na pesquisa divulgada nesta segunda-feira, Cury ainda aparece em terceiro lugar nas intenções de voto para o 1º turno, com 6%.
No dia 8 de setembro, ele tinha 9% das intenções de votos. De acordo com Tokarski, o crescimento repentino se deu após o debate da Rede Bandeirantes, onde ele teve uma exposição maior e, consequentemente, uma repercussão de mais destaques nas mídias sociais.
"Ele foi muito falado nas redes sociais, foi muito buscado no Google, e isso gerou uma curiosidade no eleitoral, que começou a falar que poderia votar nele. Ele foi de 2% para 11% muito rapidamente. E não foi só na nossa pesquisa. Ele apareceu em outras pesquisas com 9% e 10% de votos também", explicou.
Para o CEO, passada a novidade de conhecer o candidato, o eleitor começa a pesquisar, de fato, quem é e o que está propondo. Ele exemplificou que, para o eleitor, é como se ele tivesse subido no "ônibus Cury" em uma parada e, duas paradas depois, desceu e voltou a pegar a linha do ônibus que já era usual.
"Ele caiu de 11% para 6% em duas semanas. Difícil dizer se vai continuar caindo, mas é possível. E o eleitor está cada vez mais decidido a votar em Lula ou em Flávio Bolsonaro. Quando a gente olha para a votação somada dos dois no 1º turno, dá 79%. Quase oito em cada dez já escolhem Lula ou Flávio. A terceira via está desidratando e o Cury é parte dessa terceira via. O eleitor já se tocou que a eleição vai ser entre Lula e Flávio."
A pesquisa BTG/Nexus ouviu, por telefone, 2.003 eleitores com 16 anos ou mais em todo o território nacional. O intervalo de confiança é de 95%. O levantamento, registrado no TSE sob o protocolo BR-04076/2026, foi realizado entre os dias 11 e 13 de setembro.
Nesse período, a crise entre ministros do STF escalou com guerra de decisões e aumento da pressão social para um fim dos embates. Além disso, após pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, o ministro André Mendonça, relator do inquérito que apura as fraudes cometidas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, determinou o levantamento do sigilo de todos os procedimentos relacionados às investigações.
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