Lula questiona vazamentos seletivos do Caso Master e reconhece necessidade de Moraes ser investigado
Presidente afirmou que qualquer pessoa deve ser investigada diante de eventual equívoco
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira, 10, que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve ser investigado caso haja algum equívoco a ser apurado. Em entrevista ao SBT Brasil, o petista também criticou o que classificou como "vazamentos seletivos" de informações sobre o Caso Master e disse que a divulgação de dados durante o período eleitoral pode prejudicar a credibilidade das instituições.
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Questionado diretamente sobre se Moraes deveria ser investigado diante da crise envolvendo o STF, Lula defendeu que não haja exceções. "Todo mundo tem que ser investigado, do presidente da República ao mais simples catador de papel. [...] Qualquer equívoco tem que ser investigado", afirmou.
Na avaliação do presidente, uma eventual apuração envolvendo integrantes da Suprema Corte não deveria interferir no processo eleitoral. Lula, porém, criticou a divulgação de informações de forma seletiva. "quando chega a época política, as pessoas começam a fazer determinados tipos de vazamentos seletivos que tem um viés político e isso causa prejuízo à política e causa prejuízo inclusive à credibilidade da instituição", disse.
Lula relata reunião com Vorcaro
Durante a entrevista, Lula também comentou uma reunião que teve com Daniel Vorcaro. Segundo o presidente, o empresário procurou o governo para pedir ajuda sob a alegação de que seu banco estaria sendo "perseguido".
Lula afirmou que aquele foi o único encontro que teve com Vorcaro e disse que informou ao empresário que o Banco Master seria submetido aos mesmos procedimentos aplicados aos demais bancos.
Presidente defende diretor-geral da PF
Lula também saiu em defesa do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em meio às discussões sobre a atuação da corporação no caso.
"O Andrei é um policial federal muito competente, tem mais de 30 anos de carreira. É um companheiro que possivelmente fez a maior busca e apreensão da história do crime organizado no país. É um companheiro que fiscalizou o Banco Master e que prendeu o Vorcaro", afirmou.
Questionado sobre sua relação com Rodrigues, Lula afirmou que existe proximidade entre o governo e o diretor-geral por ele ser um funcionário do Estado, mas negou que isso impeça uma eventual responsabilização.
"O Andrei é da minha total confiança [...] Se por acaso cometeu um erro, que ele seja julgado", declarou.
Dívida pública
Lula também foi questionado sobre pretende equilibrar as contas públicas e reduzir a dívida do país, um dos principais pontos levantados em entrevistas aos candidatos. Lula criticou o mercado financeiro e afirmou que o governo deve priorizar investimentos considerados capazes de ampliar o patrimônio nacional.
"A Faria Lima só chora. Não conhece a palavra ‘social’ ou 'inclusão'", afirmou.
"A gente só gasta o que a gente tem, e se a gente tiver que fazer uma dívida, a gente faz uma dívida para aumentar o patrimônio. E investir na educação é investir no aumento do patrimônio", disse.
Entrevista com candidatos
Ao final, Lula extrapolou o tempo previsto de 30 minutos ao comentar sobre segurança pública. Foi preciso interferênia direta das entrevistadoras. A entrevista de Lula ao SBT Brasil foi realizada no Palácio da Alvorada e conduzida pelas jornalistas Basília Rodrigues e Marina Demori.
A entrevista faz parte da série Entrevista SBT Brasil - candidatos à Presidência. Além de Lula, o SBT prevê entrevistas com Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).
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