Crescimento de Renan, Caiado e Zema faz aliados de Flávio apelarem por ‘união na direita’
Discurso de união marcou evento que lançou Flávio ao Planalto, mas adversários do mesmo campo político seguem na corrida presidencial
A convenção nacional do Partido Liberal (PL), que confirmou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República, foi marcada por discursos em defesa da "união" do campo da direita. Realizado no último sábado, 25, no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, em São Paulo, o encontro teve discursos de lideranças políticas paulistas, como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), e o deputado estadual André do Prado (PL), candidato ao Senado, que defenderam a união da direita em torno do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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Durante seus pronunciamentos, os participantes defenderam a união do campo político para eleger Flávio e ampliar a presença da direita em cargos eletivos pelo país. Nunes e Prado também fizeram críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e citaram a importância de conquistar maioria no Senado.
O apelo por uma convergência da direita ocorre em meio a uma disputa interna pela liderança desse eleitorado. Além de Flávio Bolsonaro, outros nomes do mesmo campo político estão na corrida presidencial, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato da esquerda, permaneça à frente nas pesquisas de intenção de voto, esses nomes passaram a aparecer com mais intenções de votos nos levantamentos recentes.
A pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira, 27, mostra uma oscilação no cenário da direita: enquanto Flávio Bolsonaro apresentou recuo, outros nomes registraram avanço nas intenções de voto. Na simulação de primeiro turno, o presidente Lula aparece com 42%, ante 40% na pesquisa anterior, enquanto Flávio oscilou para baixo para 33%, contra 34% no levantamento passado. Ronaldo Caiado registra 6%, seguido por Renan Santos, com 5%, e Romeu Zema, com 3%. No levantamento divulgado em 13 de julho, Caiado aparecia com 5%, empatado tecnicamente com Renan Santos e Romeu Zema, que registravam 4% cada.
Além disso, o levantamento aponta que Caiado ganhou espaço em um eventual segundo turno e aparece em empate técnico com o presidente Lula. Nesse cenário, Lula soma 45% das intenções de voto, contra 43% do ex-governador de Goiás. Os eleitores que declararam voto branco, nulo ou que não escolheriam nenhum dos candidatos representam 10%, enquanto 2% não souberam responder.
Na pesquisa Datafolha divulgada em 24 de julho com relação ao primeiro turno, Caiado oscilou de 3% para 4% nas intenções de voto em relação ao levantamento anterior, enquanto Zema passou de 2% para 3%. Renan Santos manteve 3%. Nesse mesmo cenário, Lula liderava com 40%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 32%.
Pedidos por união em torno de Flávio
Em seu discurso no evento do PL, Ricardo Nunes afirmou que a confirmação da candidatura de Flávio Bolsonaro representa um momento histórico e dá início à “onda azul que vai salvar o país”. A expressão faz referência ao termo utilizado pelo presidente da Argentina, Javier Milei, para simbolizar o avanço da direita em diferentes países da América Latina. O argentino esteve presente na convenção do PL.
Defendendo a união do campo político, o prefeito de São Paulo afirmou que o grupo tem condições de vencer a eleição e pediu que sejam evitadas disputas internas entre nomes da direita. "A gente tem tudo para ganhar essa eleição. A gente precisa de união, o time é esse, está montado. A gente unido, sem errar, todo mundo caminhando para a mesma direção", afirmou o prefeito de São Paulo. "Aí vem um cara falar que é mais de direita que o outro. Parem de divisão, está decidido. Nós precisarmos estar todos unidos e todos juntos”, pediu.
Também presente no evento, Milei foi responsável pelo discurso mais longo da convenção. O presidente argentino fez críticas ao governo Lula, associou governos de esquerda ao socialismo e pediu votos para Flávio Bolsonaro. Durante a fala, atacou ainda o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a quem chamou de "lixo careca".
Apesar do discurso por união, Flávio chegou à convenção em um cenário de incerteza sobre apoios. Com PP, Republicanos e União Brasil indicando neutralidade na corrida presidencial deste ano, o senador não conta, até o momento, com coligações partidárias, palanques regionais consolidados ou um vice definido. Além disso, Michelle Bolsonaro não participou presencialmente do evento: a ex-primeira-dama enviou um vídeo exibido aos presentes, no qual citou Flávio apenas uma vez durante uma fala de cerca de quatro minutos.
Disputa por espaço na direita
Enquanto o PL busca consolidar a candidatura de Flávio, outros nomes da direita sinalizam que a disputa pelo espaço político segue aberta. Ao ser oficializado candidato pelo PSD, Ronaldo Caiado deixou claro que o senador será um dos principais alvos de suas críticas caso avance para um eventual segundo turno. No domingo, 26, ao ser questionado sobre a hipótese de Flávio ser o único representante da direita na eleição, o ex-governador de Goiás fez críticas ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
"Sobre o que é o representante da centro-direta no Brasil, é o significado de princípios. Quem rouba com a mão esquerda ou quem rouba com a mão direita é ladrão. Rouba, não é representante do povo", afirmou Caiado. "Qual a diferença que tem? Você não vai colocar alguém [na Presidência] que tenha tanto que explicar da sua vida que não tenha tempo de defender o seu interesse da população."
Na sequência, sem citar o senador nominalmente, Caiado afirmou que o Brasil não precisa de um candidato com “surpresas” frequentes, em referência às suspeitas envolvendo o Banco Master. "O pessoal mais jovem me disse: ‘é o candidato Kinder Ovo, uma surpresinha todo dia’. Não adianta." Kinder Ovo é um doce voltado ao público infantil que traz um brinquedo surpresa dentro.
Diferentemente de Caiado, Romeu Zema não fez críticas a Flávio Bolsonaro durante a convenção do Novo que oficializou sua candidatura à Presidência. O ex-governador de Minas Gerais, no entanto, já havia elevado o tom contra o senador em declarações anteriores e descartado a possibilidade de compor uma chapa como vice, hipótese que chegou a ser considerada nas articulações da direita. Ao manter a própria candidatura, Zema passou a disputar o mesmo eleitorado de Flávio na corrida presidencial.


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