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vc repórter: há 150 anos, Abraham Lincoln era eleito

11 mai 2010 17h56
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Em 2010, comemora-se o sesquicentenário da eleição do primeiro presidente republicano dos Estados Unidos da América, Abraham Lincoln. Há 150 anos, em 1860, com 40% dos votos da população norte-americana, ele foi eleito, tendo presidido o país durante a Guerra da Secessão, que durou de 1861 a 1865. No mesmo ano do fim da guerra, ele foi assassinado com um tiro na nuca. Poucas noites antes, o presidente narrara a um grupo de amigos o sonho que tivera com a sua morte.

Em 1863, o presidente decretou o fim da escravidão nos estados confederados, com a Proclamação da Emancipação. Oito meses após sua morte, com a aprovação da Décima Terceira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, a escravidão foi abolida.

Abraham Lincoln nasceu em Kentucky, norte dos EUA, em 12 de fevereiro de 1809. Filho de agricultor de ascendência inglesa, cresceu num ambiente descrito por ele próprio como selvagem. Enquanto trabalhava como lenhador, peão e barqueiro, estudava sozinho manuais jurídicos, até que passou em exame para advogado em 1836.

À época, Lincoln era deputado estadual de Illinois, o que exerceu de 1834 a 1840. Em 1847, se tornou deputado federal, tendo ocupado este cargo por dois anos. Neste período, apresentou lei para abolição da escravatura, que não foi aprovada. Em 1856, entrou no Partido Republicano, e ficou famoso pelo seu discurso Uma Casa Dividida - "casa dividida não se pode manter" -, insistindo na matéria da liberdade de brancos e negros.

Em 1860, com o Partido Democrata dividido na eleição, 40% dos votos foram suficientes para Lincoln tornar-se o 16º presidente dos Estados Unidos, e o primeiro republicano. Destes votos, nenhum foi feito no Sul, região do país onde ficava a maior parte remanescente dos estados escravagistas. Sua posse foi no dia 14 de março de 1861.

A Guerra da Secessão eclodiu em 12 de abril de 1861, entre o Sul escravagista e o Norte livre. Em meio à guerra, durante a qual Lincoln preservou a união do país, inclusive permitindo que os 40 estados escravagistas permanecessem nessa condição, ele foi reeleito em 1864. Em 1863, dois anos antes do fim da guerra, o presidente aboliu a escravatura, ato que só foi efetivado com o fim da guerra e a derrota dos sulistas.

Lincoln era também um escritor - fazia-o diariamente. Em discurso na inauguração do cemitério de Getysburg, construído em virtude da Guerra Civil americana para honrar seus mortos, falou por dois minutos - o fotógrafo não teve nem tempo de armar a máquina. Disse pouco mais de 200 palavras, entre elas uma de suas frases mais célebres, quando definiu democracia: "O governo é do povo, pelo povo e para o povo." Seus escritos estão em oito volumes e inclusive na Internet.

Edmund Wilson, jornalista e crítico literário, afirmou que, "único entre os presidentes americanos, é possível imaginar Lincoln, nascido em circunstâncias diferentes, tornar-se escritor renomado e não apenas no campo político." E Jacques Barzun, crítico de arte e ensaísta, apontou Lincoln como "artista, criador de um estilo único na prosa em inglês".

Assassinato

Em 14 de abril de 1865, numa noite de Sexta-Feira Santa, Lincoln assistia a uma comédia no Teatro Ford, em Washington, quando foi atingido na nuca por um tiro de pistola. Ele foi levado a uma casa vizinha, mas morreu na manhã seguinte. O assassino foi identificado na hora, mas fugiu, tendo sido capturado 12 dias depois em uma propriedade rural na Virgínia, no sudeste do país.

John Wilkes Booth, o assassino, tinha 26 anos e pertencia à famosa família de autores de teatro. Era bonito, sedutor e ator de teatro muito bem pago, encenando principalmente papéis de Shakespeare. Quando foi localizado pela polícia, teria resistido à voz de prisão, e foi morto com um tiro de espingarda. Outros cinco homens que sabiam da sua intenção de assassinar o presidente e não o impediram foram presos e enforcados. Ele acreditava estar agindo em benefício ao Sul do País.

Algumas noites antes de sua morte, Abraham Lincoln sonhou com seu assassinato. Segundo as anotações do chefe de polícia Ward Hill Lamon, que estava presente quando o presidente relatou seu sonho a amigos na Casa Branca, Lincoln deitara-se muito tarde naquela noite. Assim que adormeceu, levantou-se, no sonho, tendo sido acordado pelo barulho de soluços tristes. Sentia-se envolvido pela morte e não via ninguém na casa, ia de quarto em quarto e só os soluços o acompanhavam.

Chegando à Sala Oriental, viu um catafalco onde jazia um cadáver com vestimentas funerárias e pessoas em volta, pesarosas, entre elas um índio com o rosto coberto por um lenço. Quando Lincoln perguntou a um dos soldados que guardava o corpo quem havia morrido, este respondeu: "o presidente. Foi morto por um assassino".

A internauta Maya Lopes, de Porto Alegre (RS), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

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