SP: professores pedem negociações; protesto será na Paulista
O sindicato dos professores da rede estadual paulista de ensino, a Apeoesp, deverá realizar nova assembleia nesta quarta-feira, 31 de março, às 14h, na Avenida Paulista - Vão Livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo). Os docentes pedem abertura das negociações. A categoria reivindica reajuste salarial imediato de 34,3%, incorporação de todas as gratificações, plano de carreiras e concurso público.
Segundo o boletim do sindicato, a falta de diálogo é o motivo da manutenção da paralisação. "A greve da categoria continua, diante da intransigência e desrespeito do governo Serra que não apresenta qualquer contraproposta à categoria", diz o sindicato.
De acordo com comunicado da associação, o protesto marca também o "bota-fora" do governador José Serra (PSDB). A atividade que marcará a saída do governador deverá ocorrer às 12h. Juntamente com outros setores do funcionalismo estadual, os professores farão, antes do início da assembleia, um almoço de "gala" com o valor do vale-refeição pago pelo governo.
A greve dos professores da rede estadual de São Paulo foi aprovada em assembleia no dia 5 de março. Em nota divulgada logo após o inicio da paralisação, a secretaria de educação afirmou que os grevistas terão desconto salarial relativo às faltas. Além disso, perderão participação no Bônus por resultados, que paga anualmente até 2,9 salários para as equipes escolares que superarem suas metas e, também, no Programa de Valorização pelo Mérito, que permite aumentos salariais de 25%.
Manifestação
Na última sexta-feira, os professores fizeram uma manifestação nos arredores do Palácio dos Bandeirantes. O protesto terminou em confronto com os policiais militares. De acordo com a PM, 19 pessoas ficaram feridas. Um participante do protesto foi preso.
Segundo a polícia, os manifestantes teriam jogado pedras contra a PM que revidou com a Tropa de Choque. Nove policiais e dez manifestantes ficaram feridos. Os enfrentamentos teriam cessado por volta das 19h. De acordo com uma integrantes do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeosp), a confusão começou quando os manifestantes tentaram marchar em direção ao Palácio do Governo, o que gerou a reação da polícia.
"A polícia revidou com bombas, gás lacrimogêneo e balas de borracha", disse uma manifestante que não quis se identificar. De acordo com a testemunha, um professor teria sofrido uma parada cardíaca e foi socorrido pelos policiais. A manifestação reuniu, segundo cálculos da Polícia Militar, 5 mil professores. O Apeoesp estimou a presença de 20 mil pessoas.
Antes dos atritos com a polícia, um grupo de professores conseguiu entrar no palácio e foi recebido por representantes da Casa Civil. De acordo com os docentes, a posição do governo é negociar apenas com o fim da paralisação.