Saiba como identificar os sinais de bullying em crianças
Especialista ressalta alertas muitas vezes sutis entre crianças de 5 a 10 anos e reforça a importância do diálogo
O bullying em crianças de 5 a 10 anos, muitas vezes subestimado como 'brincadeiras', pode ter impactos emocionais profundos e difíceis de identificar devido à fase de desenvolvimento linguístico e emocional. A psicóloga Luisa Brazão destaca sinais de alerta, como mudanças no comportamento, e reforça o papel da família e adultos no suporte emocional e na mediação de conflitos.
O bullying entre adolescentes costuma ser o foco principal das discussões sobre convivência escolar, mas há um grupo que muitas vezes passa despercebido: as crianças entre 5 e 10 anos. Nesta faixa etária, os conflitos podem parecer "brincadeiras de criança", mas o impacto emocional pode ser profundo - e difícil de identificar.
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Segundo a psicóloga Luisa Brazão, especialista em crianças e adolescentes, o bullying durante este período tem características distintas. “Se diferencia devido ao repertório de comunicação da criança, à complexidade da estrutura linguística ou à força física, também à complexidade de relações interpessoais”, explica.
Enquanto adolescentes tendem a verbalizar melhor as situações, crianças pequenas podem apenas demonstrar incômodo ou tristeza sem conseguir nomear o que sentem.
“Um adolescente pode entender a situação e esboçar de forma clara e desenvolvida, uma criança pode perceber que algo aconteceu, que se sentiu mal, que não quer que aconteça novamente, mas ter dificuldade de elaborar tudo isso, exigindo que o adulto perceba mais seus comportamentos e falas, que pergunte para ter mais clareza do que está acontecendo”, pontua.
Entre os sinais de alerta, estão mudanças no comportamento e recusas aparentemente sem motivos. “Pode-se perceber falas como ‘não quero ir’ ao ambiente onde pode encontrar o agressor. A criança pode chorar, ficar com medo de tudo, ficar isolado ou ter falas sobre a situação da forma que consegue”, ressalta a psicóloga.
Identificar o problema pode ser mais difícil justamente porque as crianças nesta faixa etária estão em fase de desenvolvimento emocional e linguístico. “A forma como relatam pode não ser tão clara e às vezes confusa”. Ela alerta que a própria vítima pode continuar se aproximando do agressor por não compreender completamente a dinâmica.
Para exemplificar, Brazão descreve: “Uma criança de 8 anos, chamada Ana, está sofrendo bullying social, sendo excluída por outra, chamada Maria, e Maria pede para que as colegas não sejam amigas da Ana, mas isso não é sempre porque, às vezes, elas precisam de Ana para algo, seja uma matéria ou ter o número de pessoas necessário para brincar. Mas entender tudo isso é muito complexo, e Ana considera todas como amigas, mesmo que, várias vezes, já ouviu falas ruins.”
O apoio da família é essencial. “Dando amparo emocional, fazendo ela se sentir segura e dando modelos de como lidar com situações de conflitos com outras crianças”, explica a psicóloga, que também defende que o cuidado deve se estender à criança que comete o bullying, oferecendo suporte para desenvolver novas habilidades sociais e emocionais.
O impacto do bullying pode variar com o tempo, a intensidade e a forma como o caso é tratado. “Podendo as consequências serem passageiras e leves ou com maior permanência e maior seriedade.”
Já os responsáveis pelas crianças que praticam bullying devem estar atentos: “O adolescente consegue camuflar melhor seus comportamentos agressivos dos adultos, já a criança ainda faz muito isso em público sendo mais fácil de identificar durante o acontecimento”, destaca Brazão.
A psicóloga recomenda que se observe não apenas o comportamento em si, mas o motivo por trás dele: “Compreendendo a função facilita para ensinar outras formas de agir que sejam adequadas, treinando novas habilidades de como se comportar.”
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