Coronavírus: reitores e secretários de educação dizem que aulas a distância são inviáveis

Ministro da Educação disse que universidades e escolas devem ter plano de aulas remotas, com 'email, Youtube, Skype e internet'

11 mar 2020
20h40
atualizado às 20h52
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SÃO PAULO - Reitores de universidades e secretários de educação disseram ser pouco viável que as instituições de ensino do País consigam oferecer aulas a distância caso seja necessário suspender as atividades letivas presencialmente por causa do avanço do coronavírus. Nesta quarta-feira, 11, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse que as unidades devem ter um plano de aulas remota.

"Você manda as aulas para os alunos, disponibiliza o email, Youtube, Skype, internet para evitar aglomeração e transmissão mais aguda do coronavírus", disse Weintraub, em vídeo publicado no Twitter poucas horas depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar que a rápida expansão do coronavírus pelo mundo já se configura como uma pandemia.

O Estado apurou que a solução apresentada pelo ministro para o caso de suspensão das aulas é inviável tanto nas escolas como nas universidades. Nos colégios pela falta de internet e de computadores nas próprias unidades, o que impede que os professores possam montar as atividades a distância. Além da indisponibilidade de aparelhos eletrônicos na casa dos estudantes da rede pública para que possam acompanhar as aulas virtualmente.

Para os secretários, a solução mostra desconhecimento da realidade dos estudantes e da infraestrutura das escolas.

O ministro da Educação, Abraham Weintraub
O ministro da Educação, Abraham Weintraub
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil / Estadão

Nas universidades, a proposta também é considerada inviável já que muitas atividades de pesquisa e a maioria das aulas não poder ser substituída pelo formato virtual.

A opção considerada mais eficaz, caso seja necessário suspender as aulas, seria a alteração do calendário escolar, com a reposição das atividades em outro momento. "Se for para resguardar a saúde dos estudantes, suspendemos as aulas e depois repomos. Até porque, como estamos vendo na China e na Coreia do Sul, a doença tem um ciclo. Ela atinge um pico e depois começa a cair. Tenho certeza que vai acontecer o mesmo aqui e logo voltamos à normalidade", disse Luiz Miguel Garcia, presidente da União dos Dirigentes Municipais de Ensino (Undime).

Decisão conjunta

O anúncio do ministro surpreendeu os dirigentes já que as reuniões que têm ocorrido no Ministério da Educação (MEC), sob orientação do Ministério da Saúde, apontam para outras orientações. Uma reunião nesta quarta-feira definiu que deverá ser montado um comitê com representantes do MEC, Undime (entidade que reúne secretários municipais de educação), Consed (de secretários estaduais), Andifes (de reitores de universidades federais) e Conif (institutos federias) para decidir as melhores providências a serem tomadas.

A principal pauta do comitê foi como será feita a reposição das aulas, caso o Ministério da Saúde recomende a paralisação. O grupo deve elaborar uma portaria com recomendações e procedimentos a serem adotados pelas instituições de ensino de todo o País.

"Temos uma preocupação institucional porque é uma situação muito atípica com a qual nunca lidamos. Vamos analisar em conjunto para encontrar a melhor solução e colaborar com as autoridades sanitárias, seguindo todas as recomendações", disse João Carlos Salles, presidente da Andifes e reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

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Estadão
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