Professora é indiciada por maus-tratos após deslocar braço de bebe de 1 ano em creche no RS
Após a escola saber da situação, a professora foi demitida por justa causa
Professora de São Leopoldo foi indiciada por maus-tratos e lesão corporal após deslocar o braço de um bebê em creche, com câmeras evidenciando conduta agressiva; ela foi demitida e o caso segue investigado.
A Polícia Civil indiciou, nesta terça-feira, 30, a professora que deslocou o antebraço de uma criança de um ano e seis meses em uma creche de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, por maus-tratos e lesão corporal. Câmeras registraram o momento em que a mulher de 50 anos puxou a criança, causando a lesão.
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O caso aconteceu no dia 20 de agosto, na escola Estação da Criança, que é privada mas conveniada à prefeitura. Os pais relataram às autoridades que quando foram buscar o filho na instituição, perceberam que ele estava choroso e com dor. A criança passou por uma avaliação médica, no qual o traumatologista constatou o deslocamento do antebraço direito.
A lesão não seria decorrente de um tombo acidental, mas sim de uma "puxada provocada". Durante as investigações, o laudo pericial do Instituto Geral de Perícias (IGP) confirmou o diagnóstico médico. Ao saber do caso, a profissional foi mandada embora da instituição.
As imagens de câmeras de monitoramento também foram analisadas pela equipe de investigação do 1º DP da cidade. Elas revelaram “um padrão de conduta inadequada e agressiva por parte da professora”. O Terra teve acesso a uma delas, no qual a mulher de 50 anos, que não teve o nome revelado, aparece puxando, empurrando e jogando as crianças com certa agressividade.
Além disso, também foram encontrados múltiplos registros de ocorrência feitos por pais de outras crianças. Os depoimentos dos pais apontaram que os filhos apresentaram mudanças de comportamento, ficando mais chorosas, agressivas e reagindo negativamente a repreensões em casa. Alguns deles até demonstravam medo da professora e se recusavam a cumprimentá-la.
“A professora, em seu depoimento, optou por permanecer em silêncio, resguardando seu direito de manifestar-se somente em juízo”, destacou o delegado André Serrão Izidio da Silva.
Diante de todas as evidências levantadas pelas autoridades, ela foi indiciada pelo crime de lesão corporal majorada e maus-tratos. O caso foi encaminhado para o Ministério Público (MP), que deve decidir se apresentará a denúncia à Justiça. Caso seja aceita, a mulher responderá formalmente pelos dois crimes.
Em nota divulgada em 29 de agosto, a Escola de Educação Infantil Estação da Criança manifestou repúdio ao episódio e afirmou que o comportamento da professora é incompatível com os princípios da instituição. Ela foi desligada do local (Confira a nota na íntegra abaixo).
O Terra solicitou um posicionamento da Prefeitura de São Leopoldo, mas não teve retorno até o momento. O espaço permanece aberto para manifestações.
Escola Estadão da Criança
"A Escola de Educação Infantil Estação da Criança, por intermédio de sua Direção, vem a público manifestar repúdio veemente ao episódio recentemente ocorrido em suas dependências, no qual restou constatada conduta de maus-tratos praticada por uma docente contra uma criança de 1 (um) ano e 6 (seis) meses de idade.
Cumpre destacar que tal ato é absolutamente incompatível com os princípios éticos, pedagógicos e de proteção integral que regem esta instituição, configurando grave violação aos direitos da criança, em especial aqueles assegurados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA (Lei nº 8.069/90), bem como pela Constituição Federal, que garante prioridade absoluta à dignidade, ao respeito e à integridade física e psicológica da infância.
Diante da gravidade do ocorrido, a Escola adotou imediatamente as seguintes providências:
- Demissão do profissional por justa causa
- Comunicação formal às autoridades competentes, para apuração dos fatos na esfera legal;
- Atendimento e apoio integral à criança e à sua família;
- Reforço das medidas internas de prevenção, fiscalização e monitoramento, a fim de resguardar o ambiente seguro e acolhedor que é dever desta instituição garantir.
Reafirmamos, perante toda a comunidade escolar e a sociedade em geral, que não compactuamos nem compactuaremos com qualquer forma de violência, negligência ou desrespeito no âmbito escolar. Nossa atuação permanecerá pautada no compromisso inabalável com a proteção da infância, a ética educacional e a integridade das nossas crianças”.