Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

"No Salão da Rue des Moulins": entenda a obra de Toulouse-Lautrec

Traços rápidos e retrato sem glamour caracterizam obra que busca representar o artificialismo de uma época impregnada de tédio

14 fev 2023 - 18h38
Compartilhar
Exibir comentários

Com cara de tédio, certo ar resignado e felicidade limítrofe, as prostitutas aguardam seus clientes na tela "No Salão da Rue des Moulins" de 1894. O retrato é mais psicológico do que fiel à aparência desse mundo. Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901) fez questão de despir a boemia de todo traço de glamour, preferindo uma radiografia publicitária à afetação.

"No Salão da Rue des Moulins" (1894), de Henri de Toulouse-Lautrec.
"No Salão da Rue des Moulins" (1894), de Henri de Toulouse-Lautrec.
Foto: Wikimedia Commons/Reprodução / Guia do Estudante

Contemporâneo de Edgard Degas e suas bailarinas, o artista também viveu nos estertores do impressionismo. Toulouse-Lautrec afirmou-se como pioneiro dos affiches, os manifestos publicitários que ilustravam a boemia para atiçar a cupidez do observador.

Por causa de uma doença degenerativa, o artista nunca se recuperou da fratura das pernas que sofrera na adolescência: só a parte de cima de seu corpo se desenvolveu, enquanto os membros inferiores ficaram atrofiados. Foi a arte que o levou para mais perto do mundo da luxúria da qual ele parecia ser excluído.

Ao passar a maior parte do tempo em prostíbulos, acabou sendo incorporado à rotina das damas da noite. Chegou a morar em salões como esse que retratou, tornando-se confidente das modelos e retratista de suas relações íntimas. Sua preferida era Rosa la Rouge, a ruiva de quem teria contraído a sífilis que, com as complicações do alcoolismo, o mataria. Não causa surpresa, portanto, que sejam quase todas ruivas as meninas do salão da rue des Moulins.

+ Entenda os movimentos literários e artísticos com 'Meia-Noite em Paris'

Sua arte é menos pintura do que reportagem: a imagem não é uma coisa imóvel, mas um tema rítmico que se transmite ao espectador. Talvez por isso, a obra gráfica de Toulouse-Lautrec encontre correspondente literário fácil nos romances de Guy de Maupassant (1850-1893) e sua Paris burguesa, corroída de falsidades e, ao mesmo tempo, deslumbrante: a metrópole dos cabarés, dos shows de variedades, dos bordéis.

Em Toulouse-Lautrec se conhece o primeiro exemplo de artista para quem uma obra não tinha valor em si, mas em seu conjunto, em toda a série ininterrupta de pinturas, gravuras, desenhos e cadernos de esboço. Na técnica, essa ideia se traduz no traço rápido que substitui a pincelada impressionista.

Mesmo quando usa tinta, como em "No Salão da Rue des Moulins", consegue transformar as densas manchas de cor dos impressionistas em traços de colorido forte e individuado, como observou, ele também, nas gravuras japonesas que inundavam a Europa naquela época.

No Salão da Rue des Moulins, Henri de Toulouse-Lautrec

Técnica - Giz preto e óleo sobre tela

Tamanho - 115,5 x 132,5 cm

Local - Museu Touluse-Lautrec, Albi (França)

Esse texto faz parte do especial "100 Obras Essenciais da Pintura Mundial", publicado em 2008 pela revista Bravo!

Guia do Estudante
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade