Ministro quer 'Lava Jato da Educação', mas não dá detalhes

Vélez Rodríguez diz ter encontrado indícios de corrupção em programas tocados por sua pasta

15 fev 2019
00h28
atualizado às 08h00
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BRASÍLIA - O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira, 14, que uma investigação interna sobre atos das gestões anteriores encontrou indícios de corrupção e desvios que poderão dar origem à "Lava Jato da Educação". A afirmação foi feita durante a assinatura de um protocolo de intenções com outros órgãos de governo que vão apurar esses supostos desvios. A pasta não deu, porém, detalhes sobre quais suspeitas foram encontradas.

Estavam presentes na reunião outros membros da equipe de Jair Bolsonaro: os ministros da Justiça, Sergio Moro, da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, e da Advocacia Geral da União (AGU), André Mendonça. Também participou o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo.

O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez
O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez
Foto: Ernesto Rodrigues / Agência Brasil

Segundo o MEC, Vélez apresentou exemplos "emblemáticos" de favorecimentos indevidos no Programa Universidade para Todos (ProUni), de bolsas em faculdades privadas, e desvios no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), de bolsas para cursos técnicos. As duas iniciativas foram criadas em governos petistas.

Um comunicado da pasta também aponta a suspeita de concessão ilegal de bolsas de ensino a distância, sem especificar em quais programas, e irregularidades em universidades federais, sem dizer de qual natureza. O Estado procurou a assessoria de imprensa de Vélez e solicitou detalhes sobre esses casos. A pasta informou que os dados objeto da investigação são sigilosos.

O pente-fino sobre gestões anteriores é uma das prioridades do ministro da Educação em seus primeiros 100 dias à frente da pasta. O acordo não constava no plano de metas divulgado em janeiro pelo governo - o único item apresentado pelo MEC era a promessa de lançar um programa voltado para a alfabetização, que até agora não teve nenhuma proposta apresentada.

O MEC pretende enviar os documentos para que os ministérios possam "aprofundar investigações, instaurar inquéritos e propor medidas judiciais cabíveis." "Queremos apurar todos os desvios praticados por pessoas que usaram o MEC e as suas autarquias como instrumentos para desvios", afirmou Vélez.

O Estado não localizou os últimos ex-ministros das gestão Dilma Rousseff (Aloizio Mercadante) e Michel Temer (Rossieli Soares) para comentar a iniciativa de Vélez Rodriguez.

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Estadão

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