Reitor da UFMG: redação com miojo só aparece porque Enem é democrático

O reitor justificou a decisão da UFMG de adotar o Enem em substituição ao vestibular tradicional. Para ele, o exame nacional é mais democrático

21 mar 2013
16h09
atualizado às 16h45
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Na mesma semana em que a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), um gigante com quase 50 mil alunos, anunciou a decisão de acabar com o tradicional vestibular para adotar a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como única forma de ingresso para seus alunos, mais uma polêmica sobre a prova do Ministério da Educação veio à tona, desta vez questionando a correção das redações. Textos que citam receita de macarrão instantâneo e até o hino do Palmeiras receberam pelo menos 500 pontos como nota – em uma escala de 0 até 1 mil.

Para o reitor da última universidade a aderir ao Enem, essas novas denúncias só aparecem porque o exame nacional é democrático. "Os vestibulares eram todos fechados. Eu por exemplo fazia o meu vestibular e não dava conhecimento para ninguém por que (o candidato) tirou aquela nota. Eu não abria a prova. Agora o Enem é muito democrático, abriu tudo, e por causa disso esses episódios, tipo do cara que contou a receita da espaguete, aparecem", disse Clélio Campolina ao Terra em entrevista por telefone.

Campolina ainda disse que a UFMG nunca questionou o exame, apesar de terem ocorrido algumas falhas de segurança, como o vazamento de cadernos e de questões em anos anteriores, porque sempre ficou comprovada a qualidade da prova. "Se houve problema, a gente não pode negar o exame porque ele é uma necessidade. Nós temos que corrigir os problemas e aperfeiçoar", justificou. Para o reitor, as redações divulgadas pela mídia são "falhas isoladas".

"É correção de cinco milhões de provas, aí você pega uma excepcionalidade e transforma em regra? Isso não pode", afirmou o reitor. Questionado se concordava com as notas recebidas pelos alunos, inclusive nas provas com erros de ortografia que tiveram a pontuação máxima, Cepolina afirmou que conversou com linguistas e que é preciso avaliar cada caso. "Se houve mesmo mau uso, isso precisa ser coibido e melhorado".

Com a decisão anunciada esta semana, a UFMG se soma a outras grandes universidades – como a Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) – que decidiram acabar com os seus vestibulares para adotar o Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

Polêmicas na redação
Imagens publicadas por um estudante do interior de São Paulo no Facebook mostram que ele tirou 500 pontos na redação do Enem - em uma escala que vai de zero a 1 mil - mesmo depois de ter incluído trechos do hino do Palmeiras entre os parágrafos sobre a imigração no Brasil. 

Segundo reportagem do jornal O Globo, outro estudante recebeu 560 pontos depois de ter inserido um parágrafo com a receita para fazer miojo. Em outros casos, candidatos tiraram a nota máxima mesmo com textos com erros de ortografia. A forma de correção da redação do Enem já foi motivo de centenas de ações judiciais nos últimos anos de estudantes que se sentiam injustiçados com a nota recebida.

De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), as redações receberam as devidas notas, já que não fugiram do tema proposto em sua totalidade e não apresentaram palavras ofensivas.

As redações dos candidatos só foram divulgadas porque a partir da última edição do exame, todos os candidatos passaram a ter acesso à correção dos textos no portal do Ministério da Educação. No entanto, a correção tem apenas caráter pedagógico, de aprendizado, e os estudantes não podem entrar na Justiça para questionar a nota recebida. 

Fonte: Terra
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