Estudante que tirou nota 1.000 na redação do Enem é aprovado em Direito na UFPE: 'Tremi de felicidade'
Wellington Ribeiro Neto passou na universidade com a nota do Enem, pelo Sisu 2026; jovem dedica vaga aos familiares e amigos
Estudante de Recife, Wellington Ribeiro Neto, conquistou nota mil na redação do Enem 2025 e foi aprovado em Direito na UFPE, destacando apoio familiar, esforço nos estudos e desejo de seguir carreira acadêmica e ajudar outros jovens.
Após conquistar a nota mil na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025, o estudante Wellington Ribeiro Neto tem mais um motivo para comemorar: o jovem de 19 anos foi aprovado no curso de Direito na Universidade Federal do Pernambuco (UFPE), pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que divulgou o resultado nesta quinta-feira, 29.
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"É uma realização imensa. Também nunca mais precisar fazer o Enem, superar esses objetivos, realmente entrar na faculdade dos sonhos", celebrou Wellington em entrevista ao Terra.
Morador de Recife, no Pernambuco, o estudante contou que acessou o resultado de madrugada, logo após ser liberado. "Foi igual a nota mil, eu fiquei esperando, na ansiedade. Foi 2h30 da madrugada. Quando eu vi, comecei a tremer de felicidade", lembra. "Mas, dessa vez, não acordei ninguém de casa, não. Deixei a galera dormir e falei de manhã", brinca o jovem, se referindo ao fato de ter acordado toda a família de madrugada quando saíram as notas do Enem para contar sobre a nota máxima na redação.
"Todo mundo ficou muito feliz. É um avião muito grande. A gente sabe que é difícil para os familiares ver a gente sofrendo, lutando por esses objetivos e me acolheram muito. É uma conquista de todo mundo", destacou Wellington. Ele também dedicou a vaga no ensino superior aos familiares, amigos e, em especial, a avó materna que cuidou muito dele quando era criança.
O mais novo calouro da UFPE vai estudar no período noturno e afirma que tem o objetivo de se tornar professor universitário. "Acho que vou gostar muito do Direito Constitucional e quero fazer mestrado e doutorado para ser professor."
Wellington ainda pretende ajudar outros estudantes a se prepararem para a redação do Enem. "Já estou fazendo materiais gratuitos, disponibilizando. Também quero fazer parte de um projeto social da universidade, que é uma trilha de redação gratuita, para outras pessoas que não têm acesso no Brasil. Quero fazer parte disso porque eu iria querer se fosse comigo."
Nota mil do Enem 2025
Há duas semanas, quando foi divulgado o resultado do Enem 2025, o Terra contou a história de Wellington. O estudante conquistou o 1.000 na redação que teve como tema as "perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira". "Eu não conseguia acreditar", disse Wellington na época sobre o momento que viu a pontuação máxima.
O jovem acessou a nota por volta de 00h50, pouco tempo depois do resultado ser liberado, e correu para avisar a família. Com a surpresa, eles viraram a noite sem dormir. Wellington também atualizou várias vezes a Página do Participante para ver se a nota realmente estava certa.
"Demorou muito para cair a ficha. Todo mundo estava dormindo em casa, resolvi acordar eles. Meu pai, minha mãe e minha irmã. A gente ficou conversando, tentando cair a ficha. Sempre foi o meu objetivo, mas, por mais que a gente lute para isso, a gente não sabe se vai acontecer. Foi uma sensação muito boa", recordou na ocasião.
O mil veio na quarta tentativa
Essa foi a quarta vez que o estudante prestou o Enem, e Wellington já sabia que ia tentar passar em Direito na UFPE. Nas outras edições do exame, ele tirou 880 e duas vezes 920 na redação.
Wellington começou a se preparar para o vestibular desde o primeiro ano do ensino médio, em 2022, quando estudava em uma escola particular da região, e contou com o apoio do Curso Fernanda Pessoa, de forma online. Ele afirma que sempre foi apaixonado por ler e aprendeu a gostar de escrever, mas tinha dificuldades em gramática, o que descontava pontos da sua redação. Por isso, no ano passado, seu foco foi estudar gramática e fortalecer seus argumentos para usar no desenvolvimento do texto.
No primeiro semestre de 2025, o estudante concentrou seus esforços na parte teórica e em desenvolver o repertório, já no segundo semestre foi quando passou a colocar isso em prática. "A partir de junho, eu comecei a fazer uma redação por semana. Já a partir de setembro, eu fazia duas por semana. Não é fácil escrever, demanda tempo, mas me ajudou muito também nessa questão do tempo para escrever uma redação", explica. Depois disso, todas as redações eram corrigidas pelos corretores do curso e, após a devolutiva, ele observava o que precisava ajustar no texto.
Repertório usado no texto
Para escrever a redação do Enem 2025, sobre as "perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira", o jovem usou como repertório na introdução o conto Feliz Aniversário, de Clarice Lispector, e, ao longo do desenvolvimento do texto, a Lei dos Sexagenários, de 1885, e o sociólogo Ruy Braga.
Wellington acredita que tentar sempre aumentar seus conhecimentos e referências culturais para usar no repertório foi um diferencial para a redação. "Cada vez mais construir uma argumentação mais sólida e também trabalhar na questão gramatical, de me atentar a concordância, a acentuação, a vírgula", destaca.
Orgulhosa com a conquista do aluno, a professora Fernanda Pessoa também atribui a nota mil dele e de outros alunos que estudaram no curso ao fato deles respeitarem o processo. "Eles começam a gostar de aprender. Eu acho que, quando você gosta de aprender e entende que é a única coisa que ninguém nunca vai tirar de você, a nota alta é consequência e ela vem em qualquer lugar", afirma a professora. "É um trabalho meu, um trabalho dele, feito com muito respeito, levado a sério", completa.
Apoio da família
O estudante ainda afirma que o apoio do pai, da mãe e da irmã foi outro ponto que fez toda a diferença no processo de estudos. "Foi essencial. Se a gente não tem uma base familiar estruturada, fica muito difícil. Para mim, foi um privilégio eles sempre estarem me apoiando, independente de tudo."
Emocionado, o pai dele, Wellington Ribeiro Júnior, de 39 anos, conta que está muito orgulhoso com o resultado do filho no Enem. "É o mérito dele, que estudou bastante. Abdicou de muita coisa. Enfiou a cara realmente no livro. Eu saía para o trabalho, ele já estava estudando. Voltava do trabalho, ele estava estudando. Às vezes eu acordava de madrugada, ele também estava estudando", lembra.
A irmã dele, Bruna Ribeiro, de 17 anos, terminou o ensino médio no ano passado e diz que o irmão é inspiração para ela continuar nos estudos: "Fiquei tão feliz e tão emocionada. Foi uma trajetória muito difícil, mas foi uma trajetória muito bonita também, porque eu acompanhei ele no começo, começando a estudar redação, e eu via um desejo muito grande de avançar. Quando ele veio com essa notícia, não fiquei surpresa porque eu sabia da capacidade dele. Muito feliz de ter uma pessoa ao meu lado que possa me inspirar a me dedicar cada vez mais aos estudos".
