Com nova restrição em SP, escolas particulares pedem que pais mantenham crianças em casa

Colégios priorizam atendimento presencial de alunos mais novos e devem reduzir porcentual de estudantes

4 mar 2021
22h15
atualizado às 22h25
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Colégios particulares de São Paulo pedem que pais mantenham os filhos em ensino remoto, se for possível, e priorizam atendimento presencial de crianças da educação infantil ou em fase de alfabetização. Consideradas serviços essenciais, as unidades podem funcionar com 35% da capacidade, mas parte delas já planeja reduzir ainda mais esse porcentual nas próximas duas semanas para contribuir com a diminuição da circulação do vírus.

Um comunicado enviado às famílias pelo Colégio Santa Cruz, na zona oeste de São Paulo, indica a necessidade de reduzir a frequência de estudantes e de educadores diante do colapso do sistema de saúde. "Pedimos às famílias que, em um compromisso solidário com a cidade de São Paulo, não tragam seus filhos ao colégio nestas duas semanas, exceto em caso de extrema necessidade."

As aulas serão oferecidas em modelo virtual para todos os estudantes. E os alunos que precisam ir à escola terão apoio de educadores de plantão, com frequência reduzida. O colégio afirma ter observado "aumento preocupante" de casos de familiares contaminados ou suspeitos de contaminação, tanto de alunos como de educadores, "o que traz apreensão crescente sobre a disseminação do vírus em nossa comunidade".

Pais de alunos de 3 e 4 anos criticaram, em uma carta à escola, a orientação do Santa Cruz porque, segundo eles, não há aula em modelo virtual para crianças tão pequenas. Na região central de São Paulo, o Colégio Equipe decidiu suspender temporariamente o atendimento presencial a partir de segunda-feira, 8.

"Entendemos que essa é, nesse momento, a forma de contribuir com as medidas sanitárias e de preservar as condições de saúde da nossa comunidade", informou o Equipe. Antes da decisão, um grupo de 150 pais de alunos da escola havia enviado um comunicado ao colégio manifestando apoio à suspensão temporária das atividades presenciais, para preservar a saúde de professores e funcionários.

Já o Colégio Humboldt, na zona sul, vai cumprir o porcentual máximo de 35% da capacidade, mas incentivar aqueles que se sentirem confortáveis com as aulas online a ficarem em casa. "Além disso, estamos estudando a possibilidade de limitar o ensino médio à modalidade EAD, considerando que alunos mais velhos se adaptam melhor ao sistema remoto e também têm uma taxa de transmissão do vírus maior que alunos mais novos", informou o diretor-executivo, Fábio Martinez.

Na zona leste, o Colégio Mary Ward pediu que os pais mantenham os estudantes em ensino remoto quando possível e permanecerá aberto para atendimento dos alunos que não consigam atender a esta solicitação. Para a educação infantil, o 1º e o 2º ano do fundamental - fase de alfabetização - o colégio recomendou o atendimento presencial, "uma vez que a modalidade de ensino remoto não contempla as experiências lúdicas e de aprendizagem aplicadas no cotidiano dessa fase escolar".

Os colégios preveem redução natural da demanda pelo ensino presencial nas próximas duas semanas, após o anúncio do governador João Doria (PSDB), que colocou todo o Estado na fase vermelha do plano de flexibilização da quarentena, a mais restritiva. No Santa Maria, na zona sul, por exemplo, após a declaração do governador, houve aumento da adesão ao ensino remoto.

No 2.º ano do ensino fundamental, o número de crianças no modelo virtual passou de 3 para 17. E o 3.º ano, que tinha 8 crianças no online passou a ter 23. O Colégio Cantareira, na zona norte, estima redução de 10% na frequência de estudantes - a unidade enviou enquete aos pais para que indiquem a real necessidade de mandar os filhos para a escola nas próximas semanas. O Franciscano Pio XII, na zona sul, também reforçou aos pais a recomendação de que, se possível, as famílias mantenham os alunos nas aulas remotas.

No Colégio Oswald de Andrade, na zona oeste, a ampliação de um dia semanal para algumas turmas foi adiada e o colégio orientou que fiquem em casa os alunos que tiverem condições de acompanhar as aulas online. A escola informou que vai reduzir o número de funcionários presencialmente e a alternar a presença entre professores e auxiliares.

A redução do fluxo de alunos é uma orientação do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp) para as escolas. O Sieeesp se comprometeu com o governo estadual a colaborar para manter escolas abertas com segurança e, segundo o presidente, Benjamin Ribeiro, deve ser dada prioridade a crianças menores de 9 anos. Segundo a Associação Brasileira de Escolas Particulares (Abepar), escolas devem cortar atividades presenciais secundárias nas próximas semanas.

Conforme informou o secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, escolas públicas e privadas devem dar prioridade aos alunos mais vulneráveis, o que podem ser estudantes com deficiências ou dificuldades de aprendizagem, com problemas emocionais, alimentares, sem conexão de internet em casa para ensino remoto. Pais que trabalham nos serviços essenciais também devem ser atendidos. Rossieli citou ainda prioridade para crianças da educação infantil, de 4 e 5 anos, e para aquelas que estão nos primeiros anos do fundamental, em fase de alfabetização.

Especialistas têm apontado os riscos do longo período de afastamento das escolas, como déficit de aprendizagem e prejuízos socioemocionais, sobretudo para os mais vulneráveis. Pesquisas também já mostraram que os colégios não são espaços de grande transmissão do novo coronavírus.

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Estadão
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