Com 4,8 pontos, ensino médio de Goiás é primeiro lugar no Ideb

Entre os fatores apontados por gestores para o resultado estão o aumento de duas aulas de português e matemática por semana na grade das escolas estaduais

16 set 2020
05h10
atualizado às 11h00
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GOIÂNIA - O Ensino Médio de Goiás teve a melhor média no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2019 com 4,8 pontos, maior que a média nacional de 4,2. Entre os fatores apontados por gestores para o resultado estão o aumento de duas aulas de português e matemática por semana na grade das escolas estaduais, matérias que fazem parte do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), antiga Prova Brasil, que por sua vez compõe o cálculo do Ideb.

A estudante da terceira série do Ensino Médio, Amanda Karoline de Oliveira Matos, de 18 anos, do colégio estadual Dom Fernando I, em Goiânia, conta que passou a gostar mais de matemática depois que começou a ter mais atividades relacionadas. Além de cinco aulas seguidas da matéria durante a semana, havia uma sexta de matemática básica e atividades extracurriculares.

"Antes do ano passado, eu achava que matemática era uma coisa totalmente absurda de aprender, que só superdotado conseguia ser bom, mas o professor trouxe uma perspectiva totalmente diferente, da lógica, e não só da inteligência", relata a estudante que quer cursar Engenharia Mecânica ou Matemática na universidade.

A secretária estadual de Educação de Goiás, Fátima Gavioli, reconhece que o aumento das aulas de português e matemática colaborou para o primeiro lugar no índice nacional. Ela também cita outros fatores como o nivelamento entre os estudantes, com aulas no contraturno e aulas remotas pelo programa Goiás Bem No Enem.

É a terceira vez que Goiás alcança o primeiro lugar no Ideb. As anteriores foram em 2013 e 2017, com as médias de 3,8 e 4,3, respectivamente. Na gestão de Marconi Perillo (PSDB), o Estado ficou conhecido nacionalmente por causa do aumento no número das escolas cívico-militares, administradas pela Polícia Militar.

Ao ser questionada se as escolas militares são determinantes para o primeiro lugar no Ideb, Fátima Gavioli defendeu que elas se somam a outros fatores. "[As militares] não são determinantes, apenas somam aos demais colégios e lógico, tem uma média muito boa, e isso faz com que Goiás se destaque", disse a titular da pasta estadual.

Em seu discurso durante cerimônia na tarde de terça-feira, 15, sobre o resultado do Ideb, a secretária citou os nomes dos colégios militares, de educação integral, quilombolas, indígenas e regulares como colaboradores do resultado alcançado.

Durante o evento, realizado de forma presencial para a imprensa, mas transmitida on-line, o governador Ronaldo Caiado (DEM) declarou que pretende fazer repasses do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para os municípios de acordo com o desempenho na Educação. A medida está sendo estudada e segue como exemplo o modelo de Sobral, no Ceará, segundo Fátima Gavioli.

Aulas e pandemia

O Centro de Operações de Emergência (COE) de Goiás de combate à covid-19 definiu critérios baseados em hospitalização e curva de óbitos para o retorno das aulas presenciais. O Estado só deve voltar com as atividades escolares quando a ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) for igual ou menor que 75% e quando o número de óbitos diários pelo novo coronavírus cair pelo menos 15% durante quatro semanas seguidas.

No mês de março, Caiado chegou a romper com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por causa de divergências na condução da crise da pandemia. O governador goiano defendeu medidas de distanciamento social, às quais o presidente é contrário. No entanto, ambos reataram e Caiado segue sendo um dos principais apoiadores da gestão bolsonarista.

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Estadão
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