Valores, mente e corpo fortes guiam Thomas Case como CEO aos 85 anos
Fundador da Pés Sem Dor, o executivo mantém espírito desbravador e defende ambição como potencializador de bons resultados
Engenheiro mecânico de formação e empreendedor por ambição. Esse é Thomas Case, de 85 anos, fundador da Catho, vendida por ele em 2006, e da Pés Sem Dor, empresa de palmilhas ortopédicas na qual é CEO.
O cargo de liderança, porém, veio muito antes, aos 38 anos de idade, quando chegou ao Brasil para presidir uma companhia. Desde aquela época, mantém um espírito desbravador, buscando sempre ir além de onde está. Tanto que, para ele, a ambição é algo "maravilhoso", porque motiva às realizações.
"Eu tenho uma enorme ambição para a empresa. Todos os dias são novos desafios, novas oportunidades e pressão por resultados", diz.
E não há idade ou argumentos quando o que pauta a empresa são os dez valores estabelecidos por ele, que incluem "cumprir sempre a palavra", "ser eternamente insatisfeito com os resultados" e "competir agressivamente, sempre de 'olho' na concorrência".
São princípios constantemente comunicados às equipes e às pessoas que vão até a sala do empresário, onde a filosofia organizacional está estampada na parede atrás da mesa dele.
Thomas Case diz fazer reuniões diárias com os executivos das áreas de marketing e vendas, buscando entender o que foi realizado no dia e o que será feito no dia seguinte. Para ele, é fácil se relacionar com as diferentes gerações e os distintos perfis profissionais.
"Eu pratico gerenciamento consultivo, sempre escuto, quero saber e procuro entender o que a pessoa está fazendo na linha de frente", conta. Se há ceticismo quanto às impressões e conclusões dos gerentes, ele se posiciona e mostra o caminho que julga ideal. Com isso, incentiva a criatividade para encontrar melhores soluções.
"O que é relevante é o resultado. Faz ou não faz, contribui ou não contribui. É isso que quero saber, é isso que estou avaliando sempre", diz o empresário, que se pauta pela lógica, não pela emoção, para tomar decisões. "Não importa se eu, pessoalmente, não gosto de alguém. Nunca mando embora porque não gosto, é sempre pela racionalidade."
E foi pela razão que, no desafio da pandemia, Case decidiu demitir 95 pessoas. "Não é gostoso, não é simpático mandar embora, mas eu pensei na sobrevivência da empresa." Outra medida foi reduzir o salário dos executivos. Para lidar com situações assim, ele afirma que a maturidade lhe trouxe mais sabedoria para tratar com as pessoas.
Uma vez que idade não é impeditivo para o empresário, ele adota algumas estratégias na vida pessoal para lidar com o dia a dia intenso do trabalho. Há 47 anos, faz exercício físico todos os dias de manhã: meia hora de musculação e 45 minutos a uma hora de hidroginástica. É nesse momento que começa a planejar a agenda.
Além disso, mantém o cérebro "fervendo", como diz, com jogos de xadrez, que ele compara a gerenciar uma empresa. "Você aprende como atacar, defender, aprende a jogar a vida. Tem de olhar para a frente, pensar que desafios vêm, que tem oportunidades", descreve.