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Saúde mental foi tema no mercado de trabalho em 2021; veja os destaques

Pandemia muda relações de trabalho e evidencia cuidados com a mente e o emocional; em 2022, síndrome de burnout entra para a classificação internacional de doenças

31 dez 2021 11h10
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Antes mesmo da pandemia, a saúde mental dos funcionários já estava no radar das empresas, com casos de síndrome de burnout em alta que levaram à maior procura por serviços de terapia corporativa. Mas a crise sanitária mudou as relações de trabalho e acrescentou uma camada de isolamento e medo que não pôde ser dissociada da vida profissional, o que evidenciou ainda mais sintomas de ansiedade e depressão entre colaboradores. Essas mudanças fizeram um terço dos brasileiros sentirem uma piora na carreira e os motivaram a buscar ajuda profissional.

Para 2022, a inclusão do burnout na Classificação Internacional de Doenças deve reforçar o cuidado sociopsicoemocional e evidências para agir não faltam. Estudo realizado pelo Instituto Ipsos para o Fórum Econômico Mundial mostra que 53% das pessoas entrevistadas no Brasil consideram que a saúde mental ficou pior desde o início da crise. Já a plataforma de telemedicina Docway, que também atende organizações, registrou aumento no número de diagnósticos relacionados a transtornos mentais e emocionais: de 58 casos entre março e agosto de 2020 para 11.779 no mesmo período deste ano, um crescimento de mais de 200 vezes.

Os problemas independem de cargo ou função. CEOs e líderes também enfrentaram as adversidades do momento enquanto precisavam tomar decisões estratégicas que impactariam uma rede de pessoas e negócios. Ao mesmo tempo, eles têm o papel de liderar pelo exemplo e mostrar vulnerabilidade para apoiar os liderados no manejo da sustentabilidade emocional. O assunto também está na mira da geração Z, que não abre mão do bem-estar na hora de escolher onde trabalhar.

Quem gerencia a própria empresa também sentiu aumentar a pressão quando a pandemia forçou o fechamento do negócio. Em 2020, o nível médio de estresse, ansiedade e depressão entre empreendedores foi similar ao de profissionais de saúde, segundo estudo feito pela consultoria Troposlab em parceria com pesquisadores da Faculdade de Farmácia e do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais. Não olhar para a vida como se ela fosse uma empresa, reconhecer sintomas e que pausas são necessárias ajudam a minimizar ou mesmo evitar esses problemas, segundo o psicanalista Christian Dunker.

Sentir estresse é natural, porque trata-se de uma reação do organismo a situações positivas ou negativas, como um novo emprego ou uma ameaça. Porém, o sentimento constante pode gerar desequilíbrios no corpo e levar ao sofrimento. "Aprender a lidar e gerenciar o estresse também é gestão emocional. A gente não pode mudar a realidade, não pode terminar a pandemia, não pode mudar o comportamento dos outros, mas pode reavaliar a maneira como a gente enxerga", diz o psiquiatra Eduardo Tancredi.

Como cuidar da saúde mental no trabalho

Ao perceber que a saúde mental também tem impacto na felicidade e, consequentemente, no desempenho dos profissionais, as empresas se mobilizaram para oferecer suporte. Mais do que contratar serviços de terapia e oferecer sessões de mindfulness, elas investiram em psicoedução, uma prática de ensino do psiquismo para reconhecer em si e no outro indicadores de saúde mental. Com isso, os funcionários compreendem melhor a importância desse cuidado, da identificação e do tratamento.

Mas para que tenha adesão, é importante também tornar o tema recorrente dentro da companhia, não apenas em campanhas datadas, como o Setembro Amarelo - de prevenção ao suicídio - e o Janeiro Branco - em prol da saúde mental. É compreensível que o medo de mostrar vulnerabilidades ou ser demitido leve as pessoas a omitirem de empresas o que estão enfrentando, mas ao desenvolver um ambiente de segurança psicológica, a conversa tende a fluir mais naturalmente.

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E para ajudar as empresas a cuidarem dos colaboradores, existem ferramentas interativas como a da Health & Safe Place to Work que oferece uma avaliação de saúde em quatro aspectos: mental, física, financeira e organizacional. Já a Training Box, desenvolvida pela startup de aprendizagem Joco, proporciona uma jornada de conhecimento sobre questões emocionais, com vídeos curtos e quizes. Com ajuda da tecnologia, as companhias também podem identificar riscos para saúde mental no trabalho e agir antes que os problemas se instalem.

Dicas para cuidar da sua saúde mental

Com as diversas mundanças que a pandemia trouxe para o mercado de trabalho, vislumbra-se um futuro flexível e que preze pelo bem-estar integral das pessoas. Além do que as empresas podem e devem fazer, cada um precisa também se monitorar e, em primeiro lugar, buscar meios para falar sobre o assunto, dentro ou fora do trabalho.

No dia a dia, ter planejamento e fazer micropausas entre as atividades ajudam a aliviar a carga cerebral, ainda mais agora que muitas reuniões ainda seguem virtuais. Um estudo, inclusive, já comprovou que pausas intercaladas com encontros online evitam o acúmulo de estresse no cérebro. E como para alguns o trabalho 100% remoto vai permanecer, é preciso estar atento a outras questões que podem afetar a saúde mental, como ergonomia, qualidade do espaço, atenção e produtividade, listadas nessas 13 dicas para diminuir o cansaço.

De forma individual, algumas orientações para fortalecer o autocuidado no ambiente de trabalho no home office são:

  • Planeje a rotina, com horários regulares para acordar, dormir e fazer as refeições;
  • Não se descuide e mantenha o uso rotineiro de medicações, se for seu caso;
  • Faça pausas a cada hora, levante, ande um pouco e beba água;
  • Tente identificar o que está sentindo, se tem pensamentos negativos com frequência;
  • Procure formas de distração, como leitura, atividade física, meditação. Alguns aplicativos podem ajudar como guia;
  • Se informe por meio de fontes seguras, não por correntes enviadas em redes sociais;
  • Entenda que sentir medo e tristeza é normal, mas fique atento se esse quadro se prolongar.
Estadão
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