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Carreira

Como usar o LinkedIn? Editora da rede dá dicas de produção de conteúdo

Para Claudia Gasparini, compartilhar conhecimento, estar bem informado e participar de discussões são essenciais para se destacar no LinkedIn e no mercado de trabalho; veja como foi bate-papo

21 jun 2021 16h03
| atualizado às 19h10
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Mais do que uma plataforma para buscar emprego, o LinkedIn se tornou um espaço para a troca de experiências entre profissionais e empresas. "É um ambiente para você se informar, acompanhar tendências sobre a sua área, criar relacionamentos e desenvolver reputação", destaca Claudia Gasparini, editora de notícias do LinkedIn.

A jornalista compartilhou essa e outras dicas em bate-papo promovido pelo Estadão Carreira e Empreendedorismo no último dia 16, no Telegram, com o tema produção de conteúdo no LinkedIn. Na conversa, Claudia respondeu dúvidas dos integrantes do grupo sobre como estabelecer um perfil relevante na plataforma, seja para profissionais ou empresas.

Enquete realizada entre integrantes do grupo no Telegram, que conta com mais de 2 mil pessoas, mostrou que a maioria (68%) utiliza o LinkedIn para visualizar vagas e se informar. Pesquisa da Opinion Box também apontou que 65% dos entrevistados acham os conteúdos da rede relevantes para o crescimento profissional e 75% ainda o consideram um bom lugar para se fazer networking.

De acordo com Claudia, todas as pessoas, independentemente da área de atuação, podem se beneficiar da ferramenta. "Profissionais de qualquer área podem conversar e estabelecer relacionamentos e a melhor forma de se fazer isso é por meio de conteúdo relevante para a sua comunidade. Compartilhar conhecimento, estar bem informado e participar de discussões são atitudes essenciais para se destacar tanto no LinkedIn quanto no mercado de trabalho hoje."

Ao contrário do que muitos pensam, não basta apenas ter um perfil completo na rede, já que as publicações no feed tendem a ser vistas como uma extensão do currículo, principalmente, por recrutadores. "É interessante estabelecer vínculo com as pessoas e tentar, por meio de posts e comentários respeitosos e propositivos, se posicionar como uma voz referência na sua profissão", sugere a editora, que tem uma newsletter quinzenal, intitulada 'A Vaga É Sua', com mais de 30 mil assinantes.

Durante a conversa no Telegram, Claudia também deu dicas sobre quais informações devem ser inseridas no perfil e exemplos de formatos de publicação de conteúdo. No player de áudio abaixo, ouça como foi o bate-papo. Em seguida, de forma inclusiva, confira as perguntas feitas pelos leitores e as respostas de Claudia em forma de texto.

Luisa Renaux: Como ter um bom equilíbrio entre postagens profissionais e pessoais?

A chave é pensar na sua presença no LinkedIn da mesma forma como você pensaria no ambiente de trabalho ou em um evento da sua área. É um espaço que requer atuação profissional. É importante estabelecer vínculos, por meio de conversas relevantes sobre a sua profissão. Ou seja, falar de algo 100% ligado ao trabalho ou comentar tendências da sua indústria, por exemplo.

Mas também vale mostrar um pouco do lado humano. Pode ser um detalhe da mesa de trabalho, como uma planta que você comprou para enfeitar. Também pode ser um comentário sobre como você tem conciliado a maternidade ou paternidade e a carreira.

A grande dica é pensar que o LinkedIn é uma rede social profissional, um espaço em que você deve agir como se fosse no escritório. É um ambiente para conversas com foco no trabalho, mas, claro, todo profissional é uma pessoa. Então, vai do do bom senso e desse posicionamento que você teria no offline. Essa é a dica para um bom equilíbrio.

Nathália Vansella: O que escrever no resumo do perfil? Na falta de experiências profissionais, é interessante falar de atividades extracurriculares?

Todos os especialistas em recrutamento que já conversei indicam aos jovens que não têm experiência profissional inserir as atividades extracurriculares no resumo. Também é relevante informar trabalhos voluntários, cursos, oficinas, palestras e outros tipos de experiência que você teve que agregaram de alguma maneira na sua formação ou vida.

Alguns especialistas falam até que vale colocar hobbies ou atividades artísticas e esportivas que você já fez ou faz, desde que agreguem nas suas habilidades para o trabalho. Conte o que aprendeu com aquela atividade extracurricular, como ela te tornou mais preparado do ponto de vista comportamental, por exemplo. No caso de um trabalho voluntário, como agregou na sua visão de mundo ou como te tornou um profissional melhor.

É interessante abrir a cabeça para o que você pode mencionar no seu currículo. O título e o resumo são espaços dentro do perfil no LinkedIn que você vai contar quem você é por meio de palavras-chave usadas pelo mercado de trabalho que definem o que você faz. Isso é muito importante para um melhor ranqueamento do seu perfil dentro da rede.

Para quem está começando a carreira, tenho ainda duas indicações para complementar: a minha newsletter 'A vaga é sua', com dicas, inclusive, para jovens em busca do primeiro estágio e o artigo 'Carreira do jovem: como conquistar o 1º emprego na pandemia?' que escrevi sobre o assunto na newsletter.

Danilo Barsotti: O horário de uma publicação influencia no engajamento? Qual o melhor horário para publicar?

Não existe um horário certo. Você precisa experimentar diferentes horas do dia e ver o que funciona melhor. Isso porque a sua rede é única, então, as suas conexões são diferentes das minhas e de outros usuários. E por que é única? Por causa dos hábitos de uso. Os hábitos de interação das pessoas com quem você está falando também são únicos. A melhor e mais honesta dica é você tentar publicar em situações diferentes e ver em quais dias e horários os seus posts costumam render mais.

Outra dica, que pode complementar, é fazer um mix de formatos. Ou seja, experimentar, não só post de texto, mas também foto, vídeo, enquete etc. O LinkedIn tem uma série de formatos que você pode explorar e ver o que performa melhor na sua rede.

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Ana Carolina Teles: O que mais posso postar no LinkedIn além de certificados e cursos? Gostaria de dicas de outros conteúdos .

É interessante destacar que o LinkedIn é um site de empregos. No perfil, você pode inserir certificados, cursos e fazer uma espécie de cartão de visitas para o mercado, como um currículo mesmo. Mas é também uma rede social, um lugar para conversar com outras pessoas, inclusive, desconhecidas, trocar informações e criar reputação na sua área de atuação. Por isso é interessante não só você ter um perfil completo, com todos esses dados mencionados, certificados, cursos, experiências, palavras-chaves etc., mas também publicar e interagir com as postagens que você vê no seu feed.

Quanto aos conteúdos que vão bem, isso depende bastante da sua rede. Como falei na pergunta acima, depende de quem são as pessoas que você está conectada, o que querem e que tipo de conteúdo é relevante para elas. A dica é que você deve experimentar e apostar numa grande variedade de formatos, não só em texto, como também enquete, vídeo, stories e foto para estabelecer conversas.

Com relação aos temas, você pode falar, por exemplo, sobre novidades da sua área de atuação, comentar notícias relacionadas ao seu mercado ou à sua indústria e fazer perguntas. É interessante estabelecer vínculo com as pessoas e tentar, por meio de conteúdo relevante e comentários respeitosos e propositivos, se posicionar como uma voz referência na sua profissão.

Ricardo Ferreira: Acabei de criar um perfil no LinkedIn, quem devo seguir?

O LinkedIn tem duas listas anuais, a Top Voices e a Top Influencers. Os influencers são pessoas de destaque na rede, tem um selo específico e são líderes de segmentos ou são pessoas com projeção nacional e voz importante no LinkedIn. Já a lista de Top Voices é composta por usuários que não necessariamente são líderes de grandes indústrias ou são da mídia, mas estão trazendo vozes importantes para dentro da rede, propondo debates sobre diversidade e inclusão. Recomendo dar uma olhada nessas duas listas, que têm nomes legais para você começar a seguir.

Tati Malta: Devo aceitar todos os convites de amizade, mesmo de quem não conheço, por network?

Sim, se a pessoa, mesmo que não a conheça pessoalmente, for alguém que você queira ter na sua rede. Ainda mais agora em tempos de isolamento social, com a redução dos encontros presenciais, vale aceitar. Muitas vezes, conhecemos pessoas só pela internet mesmo e o LinkedIn é um lugar em que você tem a oportunidade de ampliar o seu networking. Então, a resposta para a sua pergunta é sim, desde que aquela conexão faça sentido pra você, ou seja, desde que seja alguém que vai agregar ao seu feed, que vai trazer conteúdo relevante.

Paulo Octávio: Qual critério para a escolha das notícias divulgadas no LinkedIn?

É legal usar essa pergunta para explicar o meu trabalho. Sou editora de notícias no LinkedIn. Temos uma equipe editorial global, em dezenas de países, dedicada à criação, cultivo e curadoria de conteúdo dentro da plataforma. Hoje, aqui no Brasil, somos quatro editores dedicados a essa função. Os nossos critérios são jornalísticos e editoriais. Somos jornalistas com passagem por redações. O que fazemos é selecionar as principais notícias ligadas ao mundo profissional diariamente para incluir no Boletim Diário, o qual é recebido por todo usuário com perfil em português e localização no Brasil. Selecionamos notícias que incluem tópicos como economia, negócios, tecnologia, carreira, sustentabilidade e empreendedorismo. A ideia que baliza a escolha das notícias é destacar tudo aquilo que foi mais relevante para um profissional brasileiro começar o dia bem informado, tanto as notícias quanto os pontos de vista sobre o assunto.

Bianca Borges: O que as pessoas fazem que você considera equivocado? O que não deve ser feito no LinkedIn?

Quanto ao que não postar, não costumamos falar em erros, porque você pode usar a plataforma da sua maneira, desde que não viole os nossos termos de uso e tenha uma postura de respeito, abertura e civilidade, ou seja, compartilhe notícias verdadeiras, proponha conversas construtivas e honestas e respeite quem está do outro lado da tela. Essa é a grande regra. Quanto ao que não fazer, diria simplesmente que acho um erro pensar que o LinkedIn é só um espaço para encontrar uma vaga de forma imediatista. Isso é desperdiçar a oportunidade de usar a plataforma como um lugar de conversa, de construção de relacionamento, em que você pode conhecer novas pessoas e aprender todos os dias algo novo com as suas conexões. Perder essa oportunidade e desperdiçar o potencial que a rede tem são erros a serem evitados.

Bate-papo sobre produção de conteúdo no Linkedin foi realizado no grupo Estadão Carreira e Empreendedorismo do Telegram. 
Bate-papo sobre produção de conteúdo no Linkedin foi realizado no grupo Estadão Carreira e Empreendedorismo do Telegram.
Foto: Reprodução/Telegram / Estadão

Augusto Guimarães: Como fazer a minha empresa se destacar na rede?

Tanto para perfis pessoais quanto para páginas de empresas vale a regra de que o conteúdo é chave. Pensar em um bom conteúdo, relevante e que chegue na hora certa para a pessoa certa. As principais estratégias que você tem que desenhar vão ser necessariamente ligadas a encontrar o tom de voz da sua empresa no LinkedIn e ter uma interação consistente, ou seja, não publicar só de vez em quando e não usar a rede somente para divulgar vagas.

É importante estabelecer uma estratégia de publicação que engaje e faça com que mais pessoas conheçam a sua empresa e sintam vontade de trabalhar para ela. Sobre sugestões, temos uma lista editorial chamada Top Companies, em que destacamos as melhores empresas do ano para desenvolver carreira ou que fizeram um bom trabalho de contratação e atração de talentos. Essa lista é um recurso de referência, porque mostra as páginas de companhias que estão tendo o melhor desempenho hoje no Brasil.

Ana Caroline: Produzo conteúdo no LinkedIn, porém tenho pouco engajamento na minha rede. Como ter uma estratégia mais assertiva?

Vale retomar algumas dicas já mencionadas nas perguntas acima. É interessante você olhar o LinkedIn como um espaço de estabelecer conversa. Com isso, você pode apostar em conteúdo, regularidade, consistência e pertinência com relação ao que está publicando. Você só saberá isso se acompanhar de perto os resultados de cada post. É um trabalho de formiguinha, no início, até você pegar o tom e entender o que funciona melhor na sua rede.

Em termos de perfil, há dicas táticas e técnicas. Um exemplo muito importante é investir na sua foto. Dados mostram que ter uma boa foto de perfil pode aumentar em até 21 vezes a chance de ser visto por outros usuários e até nove vezes de receber um pedido de conexão. Caprichar também no título e no resumo e ter um perfil que traz as palavras-chave mais usadas por recrutadores da sua área de atuação também são dicas importantes. Aliar essas estratégias a uma produção de conteúdo constante e cuidadosa vai levá-la a outro patamar.

Mara Speri: É importante manter conteúdos também no perfil do dono da empresa junto à página comercial?

Super vale. A gente entende que as páginas das empresas e os perfis das pessoas são entidades complementares dentro do ecossistema do LinkedIn. É muito importante você ter uma página que produz conteúdo institucional, mas também é essencial que as pessoas que fazem parte daquela empresa estejam presentes e façam posts do ponto de vista pessoal. Isso vale para pequenas, médias e grandes empresas que estão constantemente usando o LinkedIn para contar novidades do negócio ou de carreira. O dono e os demais profissionais que estão ligados à empresa podem usar o LinkedIn não só para falar da companhia, mas também para contarem algo sobre a trajetória, uma história do início da carreira, por exemplo, ou como superaram algum desafio. É interessante levar isso em conta.

Nina: Quais profissões mais podem se beneficiar com o LinkedIn?

Não exite uma única profissão ou um grupo de profissões específico que se beneficia mais com a plataforma. O LinkedIn é um espaço em que profissionais de qualquer área podem conversar e estabelecer relacionamento com colegas. Outra usuária do grupo disse que é historiadora e estava em dúvida sobre como usar a rede. Existem inúmeras maneiras de se fazer isso, independentemente da sua área. Uma delas, por exemplo, é compartilhar um texto que você publicou numa revista científica ou na mídia. Você pode divulgar eventos que irá participar, comentar tendências ligadas a sua indústria, área de atuação ou a alguma notícia que aparentemente vai ser disruptiva para o mercado. As possibilidades são muitas.

O interessante é entender que o LinkedIn é um espaço bastante aberto, que você pode conhecer outras pessoas e trocar pontos de vista e experiências, seja sobre a sua área de atuação ou uma área correlata. Independentemente do que faça, você tem algo ali a descobrir, aprender e assim ampliar o seu networking.

Daniel Medeiros: Dado que hoje o recrutamento é feito em boa medida por inteligências artificiais, que elementos devem ser considerados na redação de perfis a partir das prioridades dos algoritmos?

É interessante lembrar alguns pontos básicos na hora de se fazer um currículo para torná-lo atrativo e mais encontrável. O primeiro deles é investir numa boa foto de perfil, algo pouco comum nos currículos impressos e que no LinkedIn é praticamente obrigatório. Uma boa foto de perfil significa uma imagem em que o seu rosto apareça de forma clara e que te represente enquanto profissional. Também é importante usar as palavras-chave nos espaços do título e do resumo.

Não deixe de incluir palavras-chave ligadas à sua indústria, às suas principais competências e certificados que precisa ter, eventualmente, para trabalhar em alguma profissão. Isso ajuda no ranqueamento do perfil na rede. Além dessas táticas que tem relação com o perfil, ainda indico ter uma presença bastante ativa, por meio de conteúdo. Ou seja, ser conhecido e ganhar seguidores pode aumentar a sua visibilidade entre os recrutadores.

Antonio Fabio: Você poderia indicar um curso para ajudar a iniciar minha página no LinkedIn?

Na plataforma do LinkedIn Learning há um curso ministrado pela Flavia Gamonar que também é Top Voice. É um curso básico para quem está interessado em começar a usar a plataforma e entender como funcionam as conexões, como encontrar profissionais e oportunidades, e que tem bastante foco em conteúdo. Além disso, há página da Central de Ajuda que informa os primeiros passos para a criação de conteúdo, inclusive para empresas.

Aproveito para reforçar que tenho uma newsletter quinzenal chamada 'A Vaga é Sua', disponível gratuitamente para quem quiser assinar, que traz informações sobre recolocação profissional, dicas de entrevistas de emprego e currículo e matérias específicas para quem está começando a vida profissional ou quem já é sênior. Enfim, tem bastante dica que pode ser útil para aqueles que querem saber mais sobre o LinkedIn e encontrar oportunidades de carreira na rede.

Estadão
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