Candidatos da Fuvest acham prova "mais objetiva" que Enem

Abstenção foi de pouco mais de 14 mil candidatos; entre os que fizeram a prova, análise foi de que questões de exatas estavam mais objetivas que as do Enem, e as de humanas, mais relacionadas a interpretação

30 nov 2014
19h25
atualizado em 2/12/2014 às 14h57
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Candidato a uma vaga no curso de engenharia civil, Victor Chafick Miguel, 18 anos, considerou a prova de matemática complicada
Candidato a uma vaga no curso de engenharia civil, Victor Chafick Miguel, 18 anos, considerou a prova de matemática complicada
Foto: Janaina Garcia / Terra

Mais objetiva que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), na parte de exatas, e com mais ênfase na interpretação de texto, na de humanas: assim os candidatos do vestibular da Fuvest avaliaram neste domingo, em São Paulo, as provas da primeira fase do vestibular – que, com quase 142 mil candidatos em busca de 11.177 vagas, é o mais concorrido do País.

A reportagem do Terra conversou com os candidatos na saída das provas realizadas na Cidade Universitária, na zona oeste da cidade. Pela primeira fase, foram 90 questões das disciplinas de português, história, geografia, matemática, física, química, biologia e inglês, além das interdisciplinares. A carreira mais concorrida é medicina, com 55,02 candidatos por vaga.

“Achei a prova da Fuvest mais objetiva, mais direta que a do Enem. Achei química fácil, mas português, com muito mais interpretação de texto, estava mais complicada”, disse o estudante Mateus Gozzi, 16 anos, que prestou como treineiro de exatas. Concorrente do colega, Júlio Kira, 17 anos, achou física difícil, e geografia, “a mais tranquila”. “Mas, de um modo geral, as questões eram mais objetivas que o Enem”, reforçou. Do mesmo grupo, mas treineiro de biológicas, Leonardo Quadros, 17 anos, gostou da prova de química. “Os enunciados de exatas estavam, de um modo geral, bastante claros. Os de humanas puxaram mais para interpretação”, afirmou.

Os candidatos treineiros na Fuvest Leandro Quadros, Mateus Gozzi e Júluio Kira (da esquerda para a direita)
Os candidatos treineiros na Fuvest Leandro Quadros, Mateus Gozzi e Júluio Kira (da esquerda para a direita)
Foto: Janaina Garcia / Terra

Candidato a uma vaga no curso de engenharia civil, Victor Chafick Miguel, 18 anos, considerou a prova de matemática “complicada”. “Era preciso saber associar as fórmulas; no Enem, mesmo que você não soubesse a matéria, pelo todo conseguia resolver. A prova da Fuvest foi muito mais específica”, analisou. “Gostei da parte de humanas, que puxou bem para a interpretação de textos”, completou o estudante.

Candidata a uma vaga de engenharia química, Tábata Pontes Lazarou, 17 anos, achou a prova de literatura “a mais fácil”. “E a de física, sem dúvida, a mais difícil”. “Mas prestei Enem e achei essa prova agora (da Fuvest) mais simples, mais direta de resolver”, comparou. Tentado uma vaga em jornalismo, Isabella Souza Pereira, 17 anos, disse que não gostou de matemática. “Em compensação, achei história e geografia mais fáceis”, observou.

Candidato ao curso de física, Alexandre de Almeida Alves, 17 anos, veio de Dourados (MS) com a mãe, a dona de casa Andréia Alves, 44 anos, mesmo ainda não tendo completado o ensino médio. “A ideia é quem, se eu conseguir a vaga, entre com pedido judicial para assumi-la”, comentou.

Pais relatam preocupação com segurança da universidade
Entre os parentes que acompanharam os candidatos, os depoimentos mesclaram ansiedade pelo resultado e a preocupação pelas notícias sobre a segurança na instituição. Nas últimas semanas, tanto a Escola Politécnica quanto a Faculdade de Medicina proibiram festas promovidas por alunos ante a morte de um estudante –após uma festa organizada pelo Grêmio da Poli –e denúncias de abuso sexual – relatadas por alunas da medicina contra colegas do próprio curso.

“Fico decepcionada, frustrada, chateada de ver essas notícias sobre a USP. Tenho um amor e um orgulho grandes pela universidade, que está em um abandono que dá medo de ver. No caso da medicina, fiquei especialmente chocada porque serão profissionais que se formarão justamente para preservar a vida”, relatou a administradora de empresa Cristina Camargo, 64 anos, ex-aluna da USP nos cursos de Administração e Pedagogia. Hoje, ela foi ao campus acompanhar o neto, de 17 anos, que tenta vaga em química.

“Me preocupei com essas notícias, porque a gente vê que o campus é um local praticamente ermo, dependendo do horário do dia; é pouco segurança (são cerca de 100 seguranças terceirizados). Mas, se pensar demais, a gente nem sai de casa por causa da violência –mas acho que festa no campus não tem mesmo nada a ver, porque a gente sabe que sempre alguém de má índole acaba se infiltrando”, disse o chefe de prevenção de perdas Adão Aparecido Alexandre, 50 anos, que foi com a família acompanhar a filha de 19 anos, candidata de engenharia mecatrônica.

Para o empresário Plínio Panse, 58 anos, “falta policiamento no campus”. Pai de um treineiro de exatas, Panse aprovou a proibição das festas. Mas ressalvou: “Álcool é o de menos; o grande problema da USP é de administração”, definiu.

Abstenção cai em relação a 2013
Segundo a Fuvest, a abstenção no primeira fase foi de 14.457 candidatos, ou 10,2%. No vestibular passado, estavam inscritos 172.027 candidatos, faltaram 19.867 – índice de 11,5%.

Ainda conforme a Fuvest, as provas foram realizadas em 119 endereços de 32 municípios do Estado de São Paulo sem que “nenhum incidente” fosse registrado e nenhuma das 90 questões, elaboradas de acordo com o conteúdo do núcleo comum do Ensino Médio, fosse anulada.

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Fonte: Terra
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