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'Dissidentes' estão à frente dos atos pró-Bolsonaro

Grupos têm pauta difusa e estão alinhados com o presidente e o núcleo ideológico do governo

22 mai 2019
05h13
atualizado às 08h11
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As manifestações em defesa do presidente Jair Bolsonaro marcadas para o próximo domingo estão sendo organizadas por grupos dissidentes das principais organizações que comandaram o movimento pelo impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff e apoiaram Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2018.

Presidente Jair Bolsonaro participa de cerimônia em homenagem à atuação brasileira na Segunda Guerra Mundial, no Monumento dos Pracinhas, no Aterro do Flamengo, na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro
Presidente Jair Bolsonaro participa de cerimônia em homenagem à atuação brasileira na Segunda Guerra Mundial, no Monumento dos Pracinhas, no Aterro do Flamengo, na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro
Foto: Daniel Castelo Branco / Agência O Dia / Estadão Conteúdo

A esses movimentos, articulados majoritariamente pelo WhatsApp, se soma uma rede de influenciadores digitais alinhados com o clã Bolsonaro e com o núcleo ideológico do governo, que tem o escritor Olavo de Carvalho como principal referência.

Enquanto os dois principais grupos anti-Dilma de 2015 - o Movimento Brasil Livre e o Vem Pra Rua - se afastaram de Bolsonaro e adotaram bandeiras institucionais como a reforma da Previdência, outros de matriz mais radical mantiveram o discurso antiesquerda que pautou a eleição presidencial e os discursos.

Para evitar o isolamento, as pautas do dia 26 são difusas: defesa do pacote anticrime do ministro Sérgio Moro (Justiça), CPI da Lava Toga e reforma da Previdência. O que prevalece, porém, é uma retórica contra a classe política, que é acusada de conspirar para derrubar o presidente. O Centrão, que será crucial na aprovação de projetos de interesse do governo no Congresso, se tornou alvo principal da rede bolsonarista.

Segundo levantamento feito pelo Estado, os principais grupos à frente dos atos do próximo domingo são Avança Brasil, Consciência Patriótica, Direita São Paulo e Movimento Brasil Conservador. Além deles, dezenas de outros grupos menores atuam nas redes sociais.

Seguidores

Em número de seguidores, nenhum deles supera o MBL, com 3,4 milhões no Facebook, nem o Vem Pra Rua, com 2,3 milhões. O grupo pró-Bolsonaro com mais seguidores é o Avança Brasil, com 1,5 milhão.

"Aqui tem olavetes, intervencionistas, católicos e templários. Todos queremos um Brasil melhor", afirmou a dona de casa e estudante Elizabeth Rezende, uma das líderes do Juntos pela Pátria, grupo que tem 12 mil seguidores.

Na manifestações de 2015 lideradas pelo MBL e o Vem Pra Rua, Elizabeth estava de verde-amarelo no meio da multidão. Em 2017, filiou-se ao PSL para disputar uma vaga de deputado estadual. Derrotada, passou a se dedicar ao grupo que hoje lidera.

Já o Direita São Paulo é mais antigo e estruturado. O grupo tem sede própria e terá um carro de som na Avenida Paulista, no ato de domingo. Além disso, tem discurso afinado com Bolsonaro e com o núcleo ideológico do governo. "Bolsonaro não tem de fazer acordos com o Centrão e a velha política em troca de favores", afirmou um dos líderes do grupo, Edson Salomão.

Outro movimento que se organiza para o dia 26 é o monarquista. Segundo o líder da Confederação Monárquica no Rio, Rodrigo Dias, o grupo vai reforçar o apoio ao pacote anticrime de Moro e à manutenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) na Justiça. Além disso, afirmou, terá espaço a "causa monárquica".

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Estadão
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