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Política

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Entenda em 7 pontos a investigação da PF contra Valdemar por irregularidades em emendas parlamentares

Defesa do presidente do PL nega que ele tenha feito cometido qualquer crime

11 jul 2026 - 04h58
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Presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
Presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
Foto: Fábio Vieira/Estadão / Estadão

A suspensão do repasse de R$ 119,2 milhões em emendas parlamentares, determinadas pelo ministro Flávio Dino, do Superior Tribunal Federal (STF), correspondem a recursos indicados e redirecionados pelo presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, segundo a Polícia Federal. Ao todo, 21 dessas verbas foram feitas a mando dele entre 2024 e 2026. 

Dino também determinou a indisponibilidade de bens do dirigente do PL até o limite deste valor. Deste montante, R$ 104 milhões já foram pagos aos municípios, vindos de comissões do turismo e saúde. Entenda o caso em 7 pontos:

1 - Por que Valdemar virou alvo da PF?

O presidente do PL passou a ser investigado após a primeira fase da Operação Transparência, realizada em dezembro do ano passado, na qual Mariângela Fialek, ex-assessora de Lira, era um dos alvos

Nos celulares dela foram encontrados diálogos que figuravam a “existência de um arranjo funcional informal envolvendo servidores de distribuídos em setores da Câmara dos Deputados”, com planilhas e pedidos de ajustes nos destinos e áreas das emendas, que seriam feitos em nome de Valdemar --ou ‘VCN’, como era tratado--, determinando que os montantes máximos fossem alocados para áreas da saúde e turismo

Mariângela Fialek, assessora de Arthur Lira, é alvo de operação da PF
Mariângela Fialek, assessora de Arthur Lira, é alvo de operação da PF
Foto: Reprodução/Linkedin

2 - O que dizem as mensagens?

Uma das mensagens interceptadas pela PF é de 25 de agosto de 2025. O advogado Garigham Amarante Pinto, que ocupa um cargo de natureza especial na Liderança do PL na Câmara, diz à ex-assessora de Lira acreditar que  o dirigente do PL vai “jogar nos Turismo os 24”, ou seja, R$ 24 milhões. No entanto, ela pede calma e afirma que passaria o valor. 

“Pode colocar o máximo que der. Ele tá querendo Turismos”, responde Amarante Pinto. No dia seguinte, o advogado pergunta: “Fechou o valor do Pres Valdemar?”, que segundo a PF seria uma provável referência ao presidente do PL.

Mariângela responde que se “puder trocar tudo turismo, ótimo”, e o advogado aponta o valor de R$ 24 milhões. Depois, ele ainda envia uma mensagem temporária com uma lista contendo os municípios e o CNPJ correspondente, boa parte acompanhada do nome Turismo. 

“Desse modo, é possível que tal lista esteja relacionada aos R$24 milhões mencionados por GARIGHAM, que supostamente seriam indicações de VALDEMAR COSTA NETO”, diz Dino. 

3 - Qual seria o papel atribuído a Valdemar?

De acordo com a decisão, o presidente do PL é quem fazia os direcionamentos. As mensagens ainda expões que uma servidora efetiva da Câmara, também lotada na Liderança do PL, relatam dificuldades para “impor alterações às referidas indicações, afirmando, em diversas ocasiões, que Valdemar não aceitaria mudanças nos destinos definidos, mesmo diante de entraves técnicos”. 

“Em ao menos um momento, menciona que tais indicações estariam amparadas por promessa de valores oriundos da cota da Mesa Diretora, o que indicaria articulação em nível superior das estruturas formais da Casa”. 

4 - Para quais cidades as emendas seriam destinadas?

Conforme a tabela anexada à decisão que determinou a suspensão dos recursos públicos ligados à suposta atuação dele, os valores foram destinados para 17 cidades, dentre elas, Mogi das Cruzes, cidade natal e berço político de Valdemar. A municipalidade teria recebido R$ 3 milhões em novembro de 2025, conforme a PF.

Valdemar Costa Neto é investigado por suposto esquema de indicação e redirecionamento de recursos de ao menos 21 emendas parlamentares, mesmo não sendo deputado
Valdemar Costa Neto é investigado por suposto esquema de indicação e redirecionamento de recursos de ao menos 21 emendas parlamentares, mesmo não sendo deputado
Foto: Reprodução/Alex Silva

Outros municípios tiveram repasses mais de uma vez, como o caso de Suzano, no valor R$ 26.835.199, em junho de 2024. Para Caraguatatuba foram feitos dois repasses no mesmo mês, que somam R$ 23 milhões. Já Santa Fé do Sul havia três destinações, no total de R$ 9.575.004,15, em dezembro de 2024.  Veja todas abaixo:

  • Mogi das Cruzes (SP) - R$ 3 milhões da comissão de saúde em novembro de 2025;
  • Guaimbé (SP) - R$ 280 mil da comissão de turismo em dezembro de 2025;
  • Macedonia (SP) - R$ 220 mil da comissão de turismo em dezembro de 2025;
  • Cafelândia (PR) - R$ 290 mil da comissão de turismo em março de 2026;
  • Iepê (SP) - R$ 500 mil da comissão de turismo em dezembro de 2025;
  • Ilha Solteira (SP) - R$ 220 mil da comissão de turismo dezembro de 2025;
  • Morro do Chapéu (BA) - R$ 4,7 milhões da comissão de cidades em dezembro de 2024;
  • Santa Fé do Sul (SP) - R$ 9,5 da comissão de turismo em dezembro de 2024;
  • Itaguaçu da Bahia (BA) - R$ 2,3 da comissão de turismo em dezembro de 2025;
  • Suzano (SP) - R$ 26,8 milhões da comissão de saúde em junho de 2024;
  • Ubatuba (SP) - 7 milhões da comissão da saúde em julho de 2024;
  • Rio de Janeiro (RJ) - R$ 6 milhões da comissão da saúde em julho de 2024;
  • Bebedouro (SP) - R$ 9 milhões da comissão da saúde em junho de 2024;
  • Caraguatatuba - R$ 23 milhões da comissão da saúde em junho de 2024;
  • Porto Segura (BA) - R$ 24,9 milhões da comissão da saúde em junho de 2024;
  • Presidente Venceslau (SP) - R$ 220 mil da comissão de turismo em outubro de 2025;
  • Dom Eliseu (PA) - R$ 300 mil da comissão de turismo em outubro de 2025.

5 - Quais medidas foram determinadas por Flávio Dino

O ministro do STF mandou suspender as emendas relacionadas ao suposto esquema, no valor de cerca de R$ 119,2 milhões. A decisão alcança recursos ainda em empenho, liquidação ou que já foram pagos.

Dino também determinou a indisponibilidade de bens de Valdemar até o valor correspondente aos recursos investigados.

O ministro também pede que sejam intimadas a Câmara dos Deputados, a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) para cumprimento imediato e adoção de providências no prazo de 10 dias.

6 - O que é a Operação Transparência

Realizada em 12 de dezembro de 2025, a operação investiga supostas irregularidades na destinação de recursos públicos por meio de emendas parlamentares. Segundo a PF, o grupo investigado teria atuado no desvio de recursos oriundos do chamado orçamento secreto.

Valdemar Costa Neto é investigado por suposto esquema de indicação e redirecionamento de recursos de ao menos 21 emendas parlamentares, mesmo não sendo deputado
Valdemar Costa Neto é investigado por suposto esquema de indicação e redirecionamento de recursos de ao menos 21 emendas parlamentares, mesmo não sendo deputado
Foto: Reprodução/Reuters

7 - O que diz a defesa de Valdemar

Em nota divulgada nas redes sociais, a defesa de Valdemar Costa Neto afirmou que recebeu com "supresa" a decisão do ministro Flávio Dino, e que ela parte de "premissas frágeis  inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária”. 

Além disso, os advogados Marcelo Bessa e Thiago Fleury, apontam que o presidente do PL nega categoricamente a prática de qualquer crime, pois "não há prova, ou mesmo indício" de que ele tenha aderido conscientemente a um suposto esquema criminoso. 

“É natural e legítimo, no sistema democrático, que um presidente partidário dialogue com parlamentares, defenda prioridades programáticas, articule interesses nacionais e regionais e influencie politicamente na bancada”. 

Fonte: Portal Terra
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