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Política

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Ato do PL com Flávio Bolsonaro no Ceará tem indiretas a Michelle e protesto contra Ciro Gomes

Evento realizado em Fortaleza está no centro da crise que estourou dentro da família Bolsonaro; ausência da vereadora Priscila Costa abriu caminho para grupo de André Fernandes avançar a aliança com os tucanos no Estado

10 jul 2026 - 21h41
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BRASÍLIA — Um evento do Partido Liberal realizado em Fortaleza nesta sexta-feira, 10, com a presença de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve indiretas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e protestos contra a aliança entre o bolsonarismo e Ciro Gomes (PSDB).

Evento do PL com Flávio Bolsonaro no Ceará tem protesto contra aliança com Ciro Gomes
Evento do PL com Flávio Bolsonaro no Ceará tem protesto contra aliança com Ciro Gomes
Foto: Reprodução/ / Estadão

Flávio e as demais lideranças que discursaram no palanque, no entanto, não mencionaram Ciro, que é pré-candidato ao governo do Ceará e deve dividir palanque com os outrora adversários. O senador e pré-candidato à Presidência da República fez acenos às mulheres em seu discurso e insuflou os apoiadores a "arrancar" o PT do poder.

O partido organizou o evento para lançar a pré-candidatura do deputado estadual Alcides Fernandes (PL) ao Senado e de dezenas de outros bolsonaristas para cargos na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. A empreitada está no centro da crise provocada entre Flávio e Michelle no mês passado.

Filho de Alcides, o deputado federal André Fernandes (PL) aproveitou o seu discurso para atiçar o fogo da rixa familiar, sem mencionar a primeira-dama. A provocação foi feita num momento em que ele mencionava ter saudades do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre a pena de 27 anos e três meses de prisão por golpe de Estado.

"Eu fico olhando ali o rosto dele, o nosso eterno presidente. O nosso galego, não é de ninguém individual, não. É o nosso galego", declarou, fazendo referência ao termo que Michelle usa para se referir ao marido.

Um grupo de apoiadores compareceu com cartazes pedindo "Ciro não" e provocou um princípio de confusão na plateia do evento quando outros presentes tentaram arrancar a mensagem das mãos dos manifestantes. O alvoroço distraiu as lideranças que discursavam no palco.

"Tem alguns petistas infiltrados, querendo bagunçar o nosso evento. Façam o seguinte, ignorem. Vamos derrubar o PT. A todo momento vai ter gente querendo dividir a oposição", pediu André. "Entenda aqui, petista, quem dá moral à merd* é mosca".

De microfone em mãos, Flávio fez diversos acenos às mulheres, desta vez com propostas de políticas públicas direcionadas ao público feminino. Ele pregou o endurecimento de penas para homens de cometem violência de gênero, castração química para estupradores, vouchers em creches particulares para mulheres de baixa renda e oferta de microcrédito para empreendedorismo feminino.

"Eu vou ser radical na segurança pública. Vocês mulheres vão ser finalmente protegidas no governo Bolsonaro. A gente vai botar agressor e assassino de mulher atrás das grades por 40 anos. Quem violenta mulher e criança vai ser preso e sofrer castração química", declarou Flávio.

O senador voltou a repetir a promessa de construir 500 mil vagas em presídios para colocar os "vagabundos" e defendeu a redução da maioridade penal. Ele também prometeu a construção de um conjunto habitacional no bairro de Vila Velha, na periferia de Fortaleza.

O PL do Ceará, presidido por André Fernandes, teve caminho livre nesta sexta-feira para avançar a aliança com Ciro Gomes no Estado. Isso porque a vereadora de Fortaleza Priscila Costa, cujo nome Michelle Bolsonaro defendia para a outra vaga do PL ao Senado além da de Alcides, viajou a Portugal no mesmo dia com o pretexto de cumprir uma "missão": participar de um evento de mulheres conservadoras da Europa.

Uma eventual candidatura de Priscila, que Michelle gostaria de lançar no mesmo palanque de Alcides neste evento em Fortaleza, colocaria em risco a parceria com Ciro, pré-candidato ao governo estadual, uma vez que os tucanos devem indicar o segundo nome da chapa do PL. Os dois grupos políticos têm como objetivo maior tirar o PT do governo do Estado.

No mês passado, Michelle divulgou um vídeo com críticas ao enteado em meio a divergências entre os dois sobre a aliança eleitoral no Ceará. A iniciativa era uma tentativa de salvar a candidatura de sua aliada ao Senado, enquanto o grupo de Flávio, André e Alcides tentava tirar Priscila do páreo.

A crise provocada pelo vídeo levou à renúncia de Michelle da presidência do PL Mulher e ao seu recolhimento, o que foi visto como uma vitória de Flávio sobre a madrasta. O episódio causou um desgaste para a sua pré-campanha e o levou a intensificar os acenos às mulheres, depois de a ex-primeira-dama ter dito que ele a "humilhou, maltratou e desrespeitou".

Com Michelle afastada até o momento da exposição pública e Priscila na Europa, Flávio, André e Alcides terão controle sobre o evento que decidirá a chapa do PL no Estado e poderão garantir que a aliança com Ciro não sofra interferência.

Michelle é crítica ferrenha dessa parceria de ocasião por entender que Ciro fez ataques imperdoáveis ao marido dela, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e aos próprios filhos dele.

Com a queda de braço pela influência no Ceará e pela vaga ao Senado vencida pelo grupo de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral de sua pré-campanha à Presidência, sugeriu que Priscila pode ser candidata a outro cargo, como deputada federal. Contudo, o nome dela não foi mencionado entre os pré-candidatos à Câmara dos Deputados citados no palanque desta sexta-feira.

Estadão
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