Demissões? Volkswagen promete blindar o Brasil enquanto fecha fábricas na Europa
Montadora alemã prevê cortes de 50 mil empregos na Europa, mas aposta na produção brasileira e no desenvolvimento de novos modelos para mercados internacionais
Apesar de planejar o fechamento de quatro fábricas na Alemanha e o corte de 50 mil vagas, a Volkswagen garantiu que a crise global não afetará o Brasil. A montadora foca na produção localizada e mantém estabilidade em suas quatro plantas nacionais, impulsionada pela alta de 16,3% nas vendas até setembro. Para enfrentar a forte concorrência dos veículos chineses, a empresa busca acelerar o tempo de desenvolvimento de novos projetos e aposta na inovação para superar o atual cenário desafiador.
As notícias recentes sobre a Volkswagen na mídia internacional não inspiram muito otimismo. A companhia vai fechar quatro fábricas na Alemanha e cortar 8% de seus postos de trabalho, o que equivale a 50 mil demissões. A chefia global da montadora assegura, no entanto, que o Brasil está blindado da crise.
"Nosso plano é investir em desenvolvimento e produção cada vez mais localizada nas regiões. E, se queremos fazer isso, não tem sentido ter uma estrutura tão ampla na Alemanha e cortar emprego em países como o Brasil. Essa é uma conversa difícil, mas que precisamos ter", disse Kai Grünitz, membro do conselho da marca Volkswagen em entrevista à imprensa brasileira.
Na análise dele, a situação das fábricas nacionais da empresa é estável. Atualmente, a Volkswagen faz veículos na Anchieta, no ABC Paulista, em Taubaté (SP) e em São José dos Pinhais (PR), além de produzir motores em São Carlos, também no interior de São Paulo.
Em 2026, a companhia vendeu 350,6 mil carros até setembro, garantindo a vice-liderança em emplacamentos. O número foi 16,3% superior ao de período equivalente do ano passado e, com isso, a marca acompanhou o ritmo de expansão do mercado como um todo.
Volkswagen sabe lidar com crises
Além de reforçar que as demissões e encerramento de produção da companhia não devem afetar o Brasil, Grünitz disse que a empresa "sabe lidar com crises". Segundo ele, nos anos 1970, com a crise do petróleo, a empresa precisou demitir e a imprensa, na época, alardeou a instabilidade como um possível fim para a companhia - algo que, obviamente, não aconteceu.
Anos depois, na década de 1990, ineficiências internas e novos competidores coreanos e japoneses trouxeram outra turbulência que, mais uma vez, foi superada. O que acontece agora, na análise do executivo, é um momento semelhante que a empresa vai contornar. "A situação também é gerada por novos competidores, dessa vez chineses, e pela necessidade de localização. Não há mais um carro que funcione bem em todos os mercados. É preciso desenvolver diferentes produtos para cada cliente.
Nem por isso, no entanto, ele desmerece a competência dos atuais adversários. Grünitz aponta que os carros chineses só emplacaram porque oferecem um bom retorno ao investimento dos clientes. Outro ponto sensível é a velocidade. "O nosso tempo para desenvolver um produto passava de 52 meses. Os chineses fazem um novo projeto em menos de 18 meses, por isso estamos reduzindo esse prazo também", conta.
Ele diz que a receita para contornar o atual período desafiador é similar à usada nas crises anteriores: criar um produto fácil de fabricar, com design e tecnologia inovador, como foi o Golf, por exemplo. Desta vez, no entanto, a companhia vai precisar apertar o passo. Tempo é dinheiro (ou domínio de mercado).
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.